Mesmo que não seja o melhor de Guillermo del Toro, O Beco do Pesadelo é um excelente programa; por bons motivos. O principal é ele mesmo, o diretor, oscarizado com A Forma da Água e aclamado com O Labirinto do Fauno. Segundo, o elenco: Bradley Cooper, Cate Blanchett, Toni Collette, Willem Dafoe, Richard Jenkins, Rooney Mara, Ron Perlman, Mary Steenburgen e David Strathairn. E tem mais: há quanto tempo não se vê na tela um noir psicológico, de suspense sombrio, exibindo a maldade do ser humano, sem ser político ou de guerra?

Com roteiro também do mexicano Del Toro, eis a sinopse: ambicioso trabalhador de um parque de diversões mambembe (Bradley Cooper) com um talento para manipular as pessoas através das palavras se une a uma psiquiatra (Cate Blanchett) que é ainda mais perigosa que ele.

A história bem tramada, ainda que com final previsível, é ambientada nos anos 40.  Stan Carlisle (Cooper) surge enterrando um cadáver e pondo fogo na casa. Em seguida viaja de trem, obtém emprego no circo, onde uma fera-humana “domesticada” é a grande atração, principalmente porque come galinhas vivas. Mas não se trata de circo dos horrores e nem filme de terror. É sobre ambição, fraquezas humanas, manipulação da fé e dos sentimentos, portanto, tem que ser mesmo uma história sombria.

Com a trupe, Stan aprende truques de telepatia. Com uma psiquiatra significativamente chamada Lilith (Cate Blanchett), vê a possibilidade de ganhar muito dinheiro, iludindo a boa fé de granfinos de Nova York. E com Del Toro, a plateia percebe que os monstros de seus filmes anteriores nada têm de assustadores diante de homens sem alma e sem escrúpulos. Essa história não é original: baseada em um livro, em 1947, O Beco das Almas Perdidas, ia para as telas com o galã da época, Tyrone Power. E tanto em um como no outro, as feras estão fora da jaula.

(A Disney coloca o filme nos cinemas brasileiros nesta quinta, 27 de janeiro)