Mais de15 milhões de pessoas sofrem com problemas auditivos no Brasil. Cerca de 70% dos idosos com mais de 65 anos tem alguma perda auditiva.

Como é comum usar óculos para corrigir algum déficit visual, deveria ser comum usar um aparelho de amplificação sonora para corrigir um déficit auditivo. Porém, não é exatamente assim que acontece. Muitas pessoas, por algum preconceito ou receio, não reconhecem a necessidade do uso do aparelho auditivo e relutam na hora de marcar uma avaliação com o médico otorrinolaringologista. Para mudar esse quadro, a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), lançará no dia 27 de setembro, Dia Nacional do Idoso, a 4ª Edição da Campanha Nacional da Saúde Auditiva, cujo tema será “Superar o preconceito, para resgatar a auto-estima”. De acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia, dos quase 18 milhões de idosos existentes no Brasil (equivalente a 10% da população), 12 milhões com mais de 65 anos sofrem de alguma perda auditiva. Destes, 7 milhões necessitam de próteses auditivas para amplificar o som.Principalmente entre as pessoas idosas, ainda existe certo constrangimento com esse tipo de deficiência. O problema, que normalmente é associado à senilidade, faz com que parte dos indivíduos na terceira idade não admita que tenha falha na audição. A questão estética também influencia, entretanto, os avanços na tecnologia dos aparelhos modificaram essa percepção. Novas técnicas criadas agora permitem que a adaptação, o conforto e o ganho de audição, sejam personalizados para cada usuário. Segundo o otorrinolaringologista e Presidente da SBO, Dr. Luis Carlos Alves de Souza, as limitações da surdez são bem maiores do que as da cegueira, porque prejudicam, entre outras coisas, a abstração do pensamento. “O idoso é isolado do convívio social e não se sente muitas vezes à vontade perante a família. Precisa aumentar o volume para ouvir a televisão, não escuta a campainha, não consegue participar das conversas, e acaba se isolando.” O maior problema, é que geralmente as pessoas só percebem que possuem alguma deficiência auditiva quando ela já está em grau avançado. Neste caso é necessário fazer uma consulta com o otorrinolaringologista para detectar o tipo e o grau da perda da audição. “A perda se dá de maneira lenta e progressiva, a pessoa só percebe quando começa a não ouvir direito”, disse o Dr. Luis Carlos Alves de Souza. Além da questão da vaidade, algumas pessoas pensam na dificuldade financeira. No entanto, o que muitas pessoas não sabem, é que a rede pública de saúde fornece o aparelho de amplificação necessário. Outro benefício oferecido pelo Ministério da Saúde é a entrega do aparelho e o tratamento integral às pessoas com essa deficiência. Nesta nova fase, a Campanha Nacional da Saúde Auditiva abordará, entre outros assuntos, o impacto da poluição sonora e os abusos do ruído excessivo na saúde auditiva dos jovens brasileiros. A 4ª Edição dará destaque também à surdez progressiva, que tem grande incidência na população de terceira idade.

Para o Coordenador Nacional da Campanha, Dr. Marcelo Miguel Hueb, o principal objetivo é mostrar para a sociedade que os danos auditivos têm solução e podem ser prevenidos. “Mesmo com os avanços tecnológicos, muitas pessoas ainda têm preconceito com o uso dos aparelhos de amplificação sonora. O tema da Campanha deste ano objetiva mostrar para a população que o uso deste pequeno aparelho corretivo pode melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência auditiva”. Para vencer essa batalha, a informação será a arma mais efetiva.