Resultado pífio

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William Waack analisa a causa do fracasso eleitoral de Jair Bolsonaro nas eleições municipais e diz que é simples de ser resumida. Segundo Waack, Bolsonaro interpretou de maneira equivocada a onda disruptiva que o levou ao Palácio do Planalto em 2018. Achou que tinha sido o criador desse fenômeno político quando, na verdade, apenas surfava a onda.

O fato é que essa onda, depois de arrebentar o alvo primordial (as forças políticas ao redor do PT), se espraiou, perdeu sentido e direção, dividiu-se entre seus vários componentes antagônicos. Esvaziou-se, com Bolsonaro achando que apenas falando, apenas no gogó, manteria o ímpeto de uma onda dessas – um fenômeno político raro.

Na verdade, a principal lição oferecida a Bolsonaro pelas eleições do último domingo é a do primado da organização, capilaridade e peso das agremiações partidárias no horizonte político mais extenso. Pode-se adjetivar como se quiser o conjunto de partidos que elegeu o maior número de prefeitos e vereadores ou colocá-los onde se preferir no espectro político. O denominador comum entre eles é a existência de estruturas profissionais voltadas para a política.

Vítima de si mesmo

O presidente eleito com 57 milhões de votos há apenas dois anos teve um desempenho tão pífio como cabo eleitoral. O surfista da onda política implodiu o partido pelo qual se elegeu e não conseguiu colocar de pé nada parecido a uma agremiação consolidada com um mínimo de coesão. É bem provável que Bolsonaro tenha sido vítima do mito que criou para si mesmo (e dá provas quase diárias de acreditar nisso piamente): a de ter sido escolhido por Deus e beneficiado por um milagre (sobreviver à facada) para conduzir o povo do Brasil.

Ferramentas digitais

Com tal ajuda “de cima”, era só esperar as coisas acontecerem. Ocorre que mesmo os homens tornados mitos por desígnio divino precisam de adeptos. E isto não se consegue apenas com redes sociais. Foi outro aspecto interessante das eleições de domingo: a demonstração dos limites de atuação das ferramentas digitais, que adquiriram relevância permanente como instrumentos de mobilização, sem serem capazes por si só de garantir predominância na luta política.

Crivella homofóbico

Marcelo Crivella (Republicanos) aparece xingando o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em um vídeo que viralizou nesta quinta-feira (19) nas redes sociais. Nas imagens, Crivella, em tom exaltado, grita que Doria é “vagabundo” e também usa um termo homofóbico, “viado”, para ofendê-lo. O prefeito estava falando sobre as OS (Organizações Sociais) de saúde.

PT apoia Mabel

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Ponta Grossa decidiu pelo apoio à candidatura de Mabel Canto (PSC) à Prefeitura. O partido teve como candidato Professor Edson (foto) que acabou ficando em quinto na disputa. A nota é assinada por Nilson Neves, presidente do PT em Ponta Grossa.

Brasil sem voto

O Brasil está correndo o risco de “virar uma Venezuela” – pelo menos na Assembleia Geral da ONU e nos principais conselhos das Nações Unidas. O país vai perder direito de voto em todas as instâncias no organismo multilateral, a partir de janeiro, caso não pague US$ 113,5 milhões até dezembro, o que seria inédito na diplomacia brasileira. O pagamento não quitaria toda a dívida acumulada pelo governo brasileiro, que chega a US$ 386 milhões e inclui contribuições orçamentárias para missões de paz, mas é a quantia mínima para evitar punição.

Igual a Venezuela

Dos 193 países membros da ONU, somente um ficou proibido de votar durante o ano de 2020 praticamente inteiro: a Venezuela. Há três semanas, Caracas finalmente regularizou sua situação.

Maior pobreza

Se fossem desconsiderados os efeitos do Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e auxílio emergencial a pobreza teria avançado de 10,3% da população em dezembro de 2019 para 14% em setembro deste ano, como resultado da pandemia. Com o aumento de quatro pontos percentuais esse grupo dos mais vulneráveis atingiria o total de 29,6 milhões de pessoas, com ampliação de perfil dos que caem na pobreza. O cálculo da taxa considera integrantes de famílias com renda abaixo de US$ 1,90 per capita ao dia. Em moeda nacional de R$ 154 per capita ao mês, por paridade do poder de compra.

Zero à esquerda

A cidade gaúcha Nova Pádua ficou conhecida nas últimas eleições presidenciais como o município mais bolsonarista do país: foi ali o maior índice de votos do presidente Bolsonaro no segundo turno de 92,96%. Na eleição municipal, “o pequeno paraíso italiano”, bordão da cidade em referência aos primeiros moradores da região, manteve-se conservadora e alinhada à direita. Prefeito e cinco dos nove vereadores eleitos são Progressistas (PP). As demais cadeiras ficaram com PSDB, MDB e Republicanos. Não houve, portanto, eleição de participantes de partidos como PT e PSOL.

Soma de votos

O quadro geral do primeiro turno das eleições municipais foi visto com otimismo pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB) que almeja construir até 2022 sua candidatura à Presidência da República. Dirigentes tucanos afirma que Doria chegou a comemorar, em reuniões partidárias depois do pleito para avaliar resultados das disputas municipais, o fato de, juntos, PSDB, DEM, MDB e PSD terem obtido 40,6 milhões de votos em todo o país.

Número do PIX

O PIX, sistema de pagamentos capitaneado pelo Banco Central pode alcançar 22% de um total de R$ 80 milhões em transações por meios eletrônicos no Brasil em 2020. O estudo é da consultoria Oliver Wyman e representa um, crescimento expressivo em relação à fatia de 8% dos R$ 48 bilhões em pagamentos esperados em 2021. O mercado de meios de pagamentos eletrônicos movimenta cerca de R$ 44 bilhões, incluindo cartões de débito e de crédito, cheque, boleto, DOC, TED e arrecadações.

Derrotado

O presidente Bolsonaro é o principal derrotado do primeiro turno das eleições municipais nos grandes centros. Não apenas pela baixa votação dos candidatos alinhados ao bolsonarismo como Celso Russomano (Republicanos) em São Paulo, Delegada Patricia (Podemos) no Recife, Coronel Menezes (Patriotas) em Manaus e Bruno Engler (PRTB) em Belo Horizonte, como pelo perfil dos partidos e dos candidatos de melhor desempenho nessa primeira rodada eleitoral. À direita, o grande vencedor foi o DEM.

Avaliar desempenho

O governo deu um novo passo para fazer andar o ainda incipiente processo de avaliação de políticas públicas. Resolução recente dos comitês criados para avaliação de subsídios e gastos diretos definiu as regas e responsabilidade para avaliação (quem serão os coordenadores e executores) e o papel dos gestores da área que terão suas políticas avaliadas. A Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria (Secap) acompanhará o processo de avaliação.

Diálogo

No primeiro programa de Tatá Werneck da nova temporada de Lady Nigth, a apresentadora perguntou a Xuxa Meneghel se ela “permitia a entrada em sua nave que não fosse pela porta da frente”. A loira não deixou por menos: “No passado, eu só imaginava a porta da frente. Hoje em dia, amor, vale tudo. É natureza, dá um jeito”. E Tatá: “Todo dia é dia de voar?”. E Xuxa: “Todo dia é dia de voar. Você falou uma coisa que mexe comigo. Eu fico emocionada. Eu sou uma pessoa que gosta”.

Eleitor de Boulos

A maioria dos eleitores do candidato Guilherme Boulos (PSOL) reside em bairros de classe média alta, onde ele próprio viveu grande parte de sua vida ou bairros de elite como Jardins e, portanto, são brancos, ricos e com escolaridade de nível superior, conforme mostra os mapas da votação de domingo. O presidente da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, confirmou o perfil elitista do eleitorado de Boulos.

Segundo turno

Se o segundo turno fosse hoje, Bruno Covas teria 50,3% e Guilherme Boulos, 31,5%. E mais : o povão pretende votar em Covas e tem ensino fundamental; também a maioria dos eleitores de ensino superior completo e Boulos soma 35%.

Mais militares

Criticado por sua atuação à frente do Ministério da Educação, Milton Ribeiro reforçou a ala militar da pasta em busca de maior sustentação no cargo. O MEC repassou até agora apenas 32% dos R$ 525 milhões previstos para ajudar na retomada das aulas presenciais.

No comando

A fala do general Pujol – “Não somos instituição de governo, não temos partido. Nosso partido é o Brasil” – teve grande repercussão na caserna. Primeiro, porque o comandante do Exército é conhecido por sua discrição; segundo, porque até recrutas entenderam a declaração que certamente se referia à declaração de Bolsonaro de que poderia usar “pólvora” nas “relações diplomáticas” com os Estados Unidos.

Sem anistia

A última reunião da Comissão da Anistia 2020, ainda sem data marcada, vai acabar com o Natal de muita gente. Dos quase 200 julgamentos pautados, mais da metade se refere ao cancelamento de aposentadorias especiais a perseguidos políticos concedidos em outros governos.

Caso de família

Rogéria Bolsonaro espalha pelos quatro cantos que o ex-marido Bolsonaro e os próprios filhos, Carlos, Eduardo e Flávio, trabalharam contra sua candidatura a vereadora do Rio. Quando perguntam o 02 diz que não tem nada a ver com isso. É a segunda vez em 20 anos que Rogéria se candidata, contra a vontade da família – e perde a eleição.

Com Boulos

Mais rápido do que Lula, José Dirceu já mandou avisar Guilherme Boulos que está à disposição dele para participar de sua campanha de segundo turno. Dentro do PT, Dirceu foi um dos maiores críticos à manutenção da candidatura de Jilmar Tatto no primeiro turno, que já nasceu derrotada.

Frases

“Acabou a lua de mel de parte da mídia e dos movimentos sociais com o governo.”

João Arruda