CURITIBA – Sai um moderado, entra um radical. O PMDB está por fazer a troca do comando no Paraná.


Renato Adur alegando ter cumprido sua tarefa deixa a presidência do Partido. E o indicado é o deputado Waldir Pugliesi. O carimbo do moderado e radical se dá em função do próprio partido e o modo de atuar de cada um. Pugliesi, ex-prefeito de Arapongas por três vezes, parlamentar em Brasília e no Paraná, também secretário, é a expressão do atual governador em termos legislativos. Fundador do MDB, pode ser classificado como um político à moda da casa, pois acompanha o governador Requião desde que este se tornou um  líder estadual como expoente do velho de guerra. Pode-se dizer, ainda, que Requião e Pugliesi se entendem pelo olhar, daí a sugestão de seu nome para dirigir o partido numa quadra difícil como a que o atual governante atravessa, com baixo ibope e brigas com instituições e a imprensa. Sem papas na língua, Waldir Pugliesi talvez só tenha um companheiro de Assembléia assemelhado por atos e gestos, o deputado Antonio Anibelli. Não figura, seguramente, entre os bombeiros do PMDB. Ao contrário, se dele depender, é um espalhar de fogo até as divisas do possível. Já Renato Adur é o homem capaz de passar as mãos na cabeça e conquistar espaços e amizades em todos os setores. Como secretário de Desenvolvimento Urbano, credenciou-se a ser, inclusive, o vice de Requião. Não faz o estilo do governador. Assim segue o PMDB sua trajetória no Paraná. Só ganha com Requião. Este, por sua vez, não transfere nada, nem votos. Aí estará, possivelmente, a missão mais importante e não menos espinhosa do novo presidente. Não só bater palmas, contrariar se achar por bem e pelo bem do seu partido. ÉTICA E AMIZADE Há suspeitas muito acentuadas de que o Governo do Presidente Lula está  trabalhando nos bastidores para impedir a cassação do mandato do senador Renan Calheiros. O que está em julgamento é uma questão ética. Renan pode, como qualquer político, fazer o que bem entender com os problemas do seu clã. O que se aprecia é o possível envolvimento com um lobista e sua empresa em torno de situação amorosa, com frutos.Da mesma forma, há colegas de Renan Calheiros argumentando em seu favor por razões de amizade. Afinal, por simpatia, por questões de troca de favores ou o que seja, há quem no Senado procure colocar o representante de Alagoas num pedestal. É o retrato do país, hoje. Podem não ser apreciadas as razões naturais da abertura do processo na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. E a votação teria, então, características de se poupar aos amigos. Vitorioso Freire, líder maranhense de meados do século passado, dizia que, para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei. Por sua vez, um seu contemporâneo, Tancredo Neves, exaltava a votação secreta, que está ocorrendo no caso Renan: no escurinho do voto dá uma vontade enorme de trair. Vejamos quem tem razão. Virotino e Tancredo pertenciam ao PSD, Partido Social Democrático, a antiga e sempre lembrada agremiação. Eles sabiam das coisas.