Um movimento de reação se esboça em todo o país, contra a prorrogação da CPMF. Tardia porém!

Movimento que deveria ter sido deflagrado quando o imposto foi criado. Imposto sim, pois a designação de Contribuição é a forma sutil de o governo federal lançar mais um peso sobre os ombros do já sobrecarregado contribuinte, sem ter que dividir seus resultados com estados e municípios. À época por duas razões a reação não ocorreu: primeiro pela autoridade moral do ministro Adib Jatene que, posteriomente, sentindo-se traído como de resto toda a Nação, demitiu-se. A segunda foi Jatene ter sugerido a criação da Contribuição para aplicação na área de saúde pública, que hoje, infelizmente, depois de ter seus valores, alguma coisa em torno R$ 39 bilhões surrupiados para pagar o empreguismo que grassa no atual governo e os juros da dívida no governo anterior, está na UTI. Mas não foi apenas esse o imposto que compõe a fantástica carga tributária brasileira (37 ou 38%, sem contar multas de trânsito, ou atraso de pagamento de impostos), cujo objetivo foi desvirtuado. Muitos outros, como o IPVA que iria ser aplicado na infra-estrutura rodoviária. Daí a reação que hoje se observa. Contei aqui dia desses que na Suécia a carga chega a 40%. Com uma pequena diferença. Não se precisa de plano de saúde, nem escolas particulares já que os serviços do governo são de ótima qualidade. Sem contar a segurança! Eis aí a diferença fundamental. A verdade é que há governo demais em cima do brasileiro, para cobrar. E de menos, para oferecer serviços de qualidade como compensação às cobranças. Em todos os níveis: federal estaduais e municipais.

 Gastos…

A propósito de gastos desnecessários: mais de 1600 municípios brasileiros vão ter um custoso recadastramento, promovido por uma não menos custosa Justiça Eleitoral por terem número de eleitores incompatível com suas populações.

 …desnecessários

Providência que seria absolutamente desnecessária (inclusive a existência de Justiça Eleitoral) se não vigorasse neste país que se diz democrata, a obrigatoriedade do voto.

 

Desencanto

Talvez até neste momento, a obrigatoriedade seja necessária. Se liberado o voto, com o desencanto que toma conta de um país dominado, não pela política mas pela politicagem, a abstenção poderia surpreender.

  Aprovação certa

Que o pedido do governador para que a Copel entre no lucrativo negócio do pedágio vai passar na Assembléia ninguém tem dúvida. Lá funciona o seu rolo  compressor formado por deputados que se beneficiam das vantagens de ser governo.

 Compadrio

Vejamos porém qual é o verdadeiro objetivo: se “melar” a licitação ou realmente se beneficiar de um negócio que se afigura como dos mais rentáveis. Foi essa a justificativa apresentada por diretor da Copel, em entrevista. Nesse caso o governo do Paraná, aparentemente anti-pedagiador por convicção, estaria pondo em prática o ensinamento popular: “Se você não pode com o diabo, faz dele compadre”.

 Bons negócios

Ainda na área do custo Brasil; aqui no Paraná empresas foram criadas para fazer frente às necessidades do desenvolvimento do Estado nas décadas de 50 e 60 do século XX, por falta de investimentos privados. Copel, Sanepar, Telepar, Cafe do Paraná, Celepar supriram dessa falta de investimentos. Como a venda de serviços virou bom negócio, permanecem até hoje (menos a Telepar, privatizada).

 

De fora

Ontem foi dia do senador Flávio Arns divulgar carta confirmando que votou a favor da cassação. “Nunca pactuei com esquemas de conchavo político, de corrupção nem de abafamento de escândalos, nem nunca negociei favores em troca de subserviência o esfriamento moral”. Está com um pé fora do PT.

 Desculpas

Álvaro Dias, que chegou a ser apontado como um dos que ficaram em cima do muro, clareou sua posição no Encontro de Mulheres do PSDB: “O Senado mostrou mostrou uma cara horrenda. Em nome dos senadores que possuem vergonha na cara, peço desculpas ao povo brasileiro pela cena patética que ocorreu”.

 

Enfim!

A tão aguardada licitação do transporte coletivo de Curitiba, há mais de um ano parada na Câmara Municipal, pode sair em outubro. O assunto no entanto deve passar por várias discussões e ajustes, antes de ser liberado. Há muitos interesses em jogo, num processo que não é discutido há mais de 50 anos.

   Folclore

Quando no governo Canet Jr., mais um trecho dos muitos que construiu foi asfaltado entre Bituruna e Foz do Areia, a empresa Esteio foi contratada para a feitura do projeto. Seus engenheiros esnobaram o pioneiro Amélio Roveda, tio do deputado Valdir Rossoni,  que construíra a estrada sinuosa, numa região “quebrada”, em cima do espigão divisor, à custa de picaretas, pás, enxadões e carrocinhas puxadas por burrinho. Na raça, como antigamente. Um engenheiro brincou com sêo Roveda: “Parece que o senhor mandou um burrinho na frente para traçar o caminho”. Apesar de sua origem italiana, desacostumado de provocação sem resposta, sêo Roveda engoliu em seco. Tempos depois, quando o trabalho ficou pronto, o traçado proposto era exatamente em cima da velha estrada. Ao encontra-se novamente com os engenheiros sêo Roveda não perdeu a deixa: “Parece que os senhores usaram o meu burrinho para fazer o projeto”. Foi a vez dos engenheiros engolirem em seco e saírem de fininho.