Raízen e Shell fornecerão etanol 2G para Ferrari na F1

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Etanol, cana-de-açucar

A Raízen e a Shell fecharam um acordo com a Ferrari para fornecer etanol de segunda geração e de alta performance à equipe de Fórmula 1 no próximo ano, quando a principal categoria do automobilismo inicia o uso de mistura de 10% do biocombustível na gasolina (E10).

Parceira de 70 anos da Ferrari, a Shell espera que a exposição do produto nas pistas de corrida atraia mais consumidores para o combustível renovável, em momento em que ganham força iniciativas globais para descarbonizar a matriz energética, como medidas da Índia para antecipar o uso de maiores misturas de etanol na gasolina.

A Raízen, gigante do setor de bioenergia e açúcar – joint venture da Shell com o conglomerado brasileiro Cosan -, é uma das poucas companhias no mundo já com oferta em escala comercial do etanol de segunda geração (2G), que apresenta até 86% menos emissões de gases do efeito estufa que o combustível fóssil.

O etanol de segunda geração a ser usado pela Ferrari, que tem a mesma composição química do combustível comum, além da tecnologia V-Power da Shell, é fabricado a partir da palha e do bagaço da cana, resíduos que antes sobravam na lavoura e no processo produtivo, que passam por um tratamento de hidrólise e dupla fermentação.

O processo, já utilizado em unidade da Raízen no interior de São Paulo, ainda proporciona um aumento da produção de etanol de até 50% sem aumento de área plantada, uma vez que usa resíduos como matéria-prima, segundo a Raízen.

A companhia já começou os trabalhos para uma segunda fábrica do também chamado etanol celulósico, o que elevará a capacidade anual da empresa de etanol 2G de cerca de 40 milhões para aproximadamente 120 milhões de litros, em 2023.

“É apenas o começo, lembre-se que temos 4 bilhões de litros de produção de etanol de primeira geração e podemos chegar a até 2 bilhões de litros de combustível avançado de segunda geração, sem plantar um acre adicional, tudo pode ser feito na mesma área, é incrível em termos ambientais”, disse à Reuters o presidente-executivo da Raízen, Ricardo Mussa.

Segundo ele, cada nova unidade de produção de etanol de segunda geração, com capacidade para 85 milhões de litros, demandaria investimentos entre R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão.

“Temos potencial de ir até 20 a 25 unidades (de etanol de segunda geração), dependendo da quantidade de biomassa”, afirmou Mussa, ressaltando que no caso do combustível celulósico não se usa o caldo da cana, como no caso do produto de primeira geração.

PRIMEIRA FILA
Com o acordo, as companhias acreditam que a parceira Ferrari poderá largar na frente de outras equipes, que eventualmente forem levadas a usar o etanol de primeira geração, uma vez que a mistura E10 é um passo inicial da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que pretende que a Fórmula 1 tenha combustíveis totalmente sustentáveis até 2025.

“Há uma grande expectativa em relação à fórmula desse combustível para a próxima temporada, e acreditamos que a Ferrari vai ficar melhor e melhor, e aumentar a sua competitividade”, disse Kapitány.

As empresas não revelaram detalhes financeiros do acordo com a Ferrari.

Fonte: Reuters