Quem vai pará-lo?

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O país está perplexo diante das atitudes diárias do presidente da República. Ele gera insegurança na medida em que é capaz de sugerir aos seguidores que invadam hospitais para fotografar e comprovar a tese dele de que há leitos de sobra, de que a pandemia é um exagero da imprensa, de que a doença não passa de uma gripezinha.

É um caminho perigoso. Seria uma ameaça mesmo se o país navegasse em águas calmas. Se torna uma ameaça gigantesca no momento em que o país enfrenta a mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos.

Um presidente da República que comete sandices e não é impedido de fazê-lo porque os que o cercam, seus ministros e seu vice, são coniventes, ou porque os que tentam têm à sua disposição instrumentos legais e institucionais que não são capazes de lidar com a sanha autoritária que Jair Bolsonaro já não faz questão de esconder.

Alarmante

A procura por atendimento de pacientes com suspeita de infecção por coronavírus aumentou de forma alarmante em Curitiba, segundo Clóvis Arns, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. Diz Arns, que trabalha em Curitiba, que é grande o risco de um colapso no sistema de saúde, com falta de leitos de UTI , tanto no SUS quanto na rede privada de hospitais.

Vírus circula

Arns afirma que a procura por atendimento nas últimas 24 horas é preocupante. “Assusta porque aumentou muito em todas as áreas, desde o Pronto Atendimento até a necessidade de UTI. O vírus passou a circular de forma mais efetiva no Paraná. Em Curitiba, Cascavel, Londrina e Foz do Iguaçu a situação fica cada vez mais difícil e essas são cidades que estavam com a pandemia controlada”, disse.

Bolsonaro agradece

Gleisi Hoffmann proporcionou grande alegria ao presidente Jair Bolsonaro. Usando camiseta da Gaviões da Fiel e uma máscara em que está escrito ‘Fora Bolsonaro’, Gleisi participou no domingo da manifestação contra o presidente na Avenida Paulista. Essa tentativa de pregar a marca do PT na manifestação foi tiro no pé. Deu a Bolsonaro e sua trupe o argumento que buscavam. Agora, toda manifestação contra passa a ser coisa de Gleisi, Lula, PT e Cia. um time que consegue ter rejeição maior que Bolsonaro.

Malucelli desmente

Afastado da direção do grupo empresarial que fundou em 1966, o empresário Joel Malucelli desmente o noticiário de que ele teria feito, em delação premiada, denúncias consideradas como “fim do mundo” para a política paranaense.

Gordo

Fabio Faria, deputado federal (PSD-RN) assume o novo Ministério das Comunicações com farto cardápio e gordo orçamento: R$ 2,353 bilhões. Abrangerá a Secretaria de Comunicação, Correios, Telebras e Empresa Brasil de Comunicação (TV Brasil), só para começo de conversa. E terá de melhorar a imagem do governo – e de Bolsonaro – o que é quase uma missão impossível. Fábio Wajngarten será o secretário executivo da pasta e continuará à frente da comunicação do governo. São oito estatais e autarquias. A Secom deixa de existir e a publicidade oficial passará pelas mãos de Faria.

Fã de Dilma

Fábio Faria foi um entusiasmado pelo governo de Dilma. Em seu Twitter, ele defendeu em 2014 a ida do PSD para a base governista e a reeleição da ex-presidente. Em 2012, comemorou os índices de aprovação de Dilma: “Excelente resultado! Popularidade da nossa presidenta Dilma chega a 77%”. A nomeação de Fábio premia Gilberto Kassab, ex-ministro e dono do PSD, que sempre revê com um olho comprido os Correios. Ele também tem bom relacionamento com Rodrigo Maia, presidente da Câmara. O gesto político é interpretado como concessão de Bolsonaro à formação de uma base do governo no Congresso.

Apoio

A escolha de Fábio Faria teve o apoio de Carlos Bolsonaro, o “02”, que continuará a palpitar (sem cargo efetivo) na comunicação do governo. O bloco que funciona supostamente no “gabinete do ódio” não será transferido para o Ministério das Comunicações. Continuaria funcionando mais próximo do gabinete presidencial e com Carlos e assessores no controle.

Queda

Nos 10 primeiros dias de julho, na média de 24 horas, o SBT perdeu 30% de seu público na Grande São Paulo, comparado a igual período do ano passado. São 2 pontos de audiência nessa região, com 150 mil domicílios e meio milhão de telespectadores. O jornalismo popularesco do SBT perdeu 1 em cada 3 espectadores. Esses dados levaram Silvio Santos a mudança radical na grade e tentativas meio desesperadas para recuperar a audiência. O Tricotando perde números do Ibope a cada dia. Essas decisões de pauta são definidas diretamente por Silvio Santos.

À espera

Para ter uma boa base aliada, segundo especialistas políticos, o presidente Jair Bolsonaro terá que criar muitos Ministério para agradar a todos. E essas Pastas deverão ter diversas divisões. Quem sonha com os novos ministérios são Alberto Fraga, que no passado era o nome indicado na divisão do Ministério da  Justiça e Segurança Pública e é muito amigo de Bolsonaro. Magno Malta que aceita qualquer papel no ministério do Capitão. E há quem garanta que Osmar Terra anda sonhando com sua eventual ida para o Ministério da Saúde, hoje ocupado interinamente  Eduardo Pazuello. Alexandre Ramagem que foi barrado como diretor da Polícia Federal também sonha com a pasta da Segurança Pública.

Isolamento

Dando uma entrevista, via videoconferência (ele está em isolamento, aos 83 anos) ao programa Tricotando, no SBT, o veterano Carlos Alberto de Nóbrega, que comanda A Praça é Nossa confessou suas desavenças com a ex-mulher Andrea e contou que passou 11 anos sem conversar com Silvio Santos – e trabalhando no SBT. Agora, ele lamenta seu isolamento, vive sozinho, tem saudades da família e segundo Silvio, será “o último” a voltar a gravar, quando a pandemia passar.

Quem reina

Se Tricotando tem baixa audiência, o TV Fama, que começou em 1999, junto com a emissora, também vem amargando queda de telespectadores, chegando a perder para o Jornal da Cultura. O único do gênero que sobrevive é A Hora da Venenosa, na Record, com Fabíola Reipert.

Mortalidade

O 3º lugar do Brasil no ranking das mortes por covid-19 faz parecer que o Brasil usa a pior estratégia de combate ao vírus. Comparar número absolutos não faz sentido entre países de tamanhos e demografias tão diferentes. A chance de alguém ter morrido no Brasil por covid-19 é 49% menor que nos EUA. se a comparação for com a França, Itália, Espanha e Reino Unido a chance de uma pessoa infectada morrer por lá é de 3,4 vezes maior que no Brasil.

Números

No Brasil, são 7,6 mortes por 100 mil habitantes contra 34,3 nos EUA. Na França, são 44,8, na Itália, 56,1, na Espanha, 58,1 e Reino Unido, 60,1. Entre os países com mais de 3 mil óbitos, a Bélgica tem 83,6 óbitos por 100 mil habitantes. O top 10 ainda tem a Bélgica, com 46,9 mil mortes. O Brasil é acusado, mas o pior cenário na América do Sul é no Equador (21,3 mil óbitos por 100 mil). No Canadá são 20,9 mil.

Festa

A decisão de Bolsonaro de tirar Marcos Pontes das Comunicações provocou festa em Brasília. Havia rara unanimidade contra o ministro no setor. Agora, apoiam Fábio Faria, político habilidoso, bem relacionado, no lugar de um ministro que desagradava a todos. A mudança favorece aproximação com a Anatel quando se discute a tecnologia 5G no país e a nomeação de Fábio recoloca Gilberto Kassab nas Comunicações, por meio do PSD, agora na base do governo. Fábio Wajngarten estava em maré baixa, fica em novo cargo, debaixo de Faria e não mais de Luiz Eduardo Ramos.

Segunda onda

A economia brasileira poderá sofrer uma contação de 9,1% em 2020 no caso de uma segunda onda de covid-19, que implicaria num segundo lockdown no país até o final do ano. A projeção é da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nesse cenário, o país poderia ver uma recuperação de 2,5% no ano que vem, enquanto o desemprego pode atingir o pico histórico de 15,4% em 2021. No cenário atual, com apenas um pico a economia pode encolher 7,4% em 2020.

100 dias

O ex-jogador Ronaldinho Gaúcho continua preso no Paraguai por portar passaportes falsos. Depois de três meses de investigações o ex-craque, seu irmão Roberto Assis e outras 13 pessoas serão indiciados por esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e produção de documentos falsos.

Frases

“Ele não é profissional do setor, mas tem conhecimento, até pela vida que ele tem junto à família de Silvio Santos.”

Jair Bolsonaro