Depois de exibido no 27º Festival É Tudo Verdade, está em cartaz nas cidades de Maceió, Manaus, Porto Alegre, Salvador, Vitória, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília – (infelizmente Curitiba fica ao largo das produções que instigam o pensamento) – o  filme QUEM TEM MEDO, dirigido por Dellani Lima, Henrique Zanoni e Ricardo Alves Jr. E um dos destaques é o  performer curitibano Maikon K, uma das primeiras vítimas dessa sombra sinistra que entristece o país.

O Brasil sob a égide fascista é acompanhado, desde 2017, seguindo artistas e performers que passaram pela censura e como esse processo ganhou ainda mais força com a eleição de Jair Bolsonaro. O ovo da serpente foi chocado até quebrar a casca. Lembra Henrique Zanoni: “De acordo com a plataforma Mobile, de 2016 a 2018 foram 16 casos de censura; já nos três primeiros anos do governo Bolsonaro, o número explodiu para 211 casos, sendo 72% realizados pelo poder executivo federal”.

Wagner Schwartz (SP), Renata Carvalho (SP), Maikon K (PR), José Neto Barbosa (RN), a companhia teatral Aquela com a montagem de Caranguejo Overdrive (RJ) e o grupo A Motosserra Perfumada com Res Pública 2023 falam de seus trabalhos censurados e do sentimento de medo e tristeza. A censura à formidável exposição Queer Museu, retirada de cartaz em Porto Alegre pelo banco Santander, também é citada, bem como Jeans Willis, então deputado, clamando no deserto.

“A extrema direita tem como um dos principais alvos os corpos LGBTQIA+, tentando, de formar criminosa, associar a arte e os artistas à pedofilia. Essa ação é planejada para ativar o ódio da sociedade contra esses grupos”, observa Ricardo Alves Jr, enquanto Dellai Lima lembra: “Filmamos no calor dos acontecimentos, sentíamos que o medo e a raiva passavam a ser afetos mobilizados pela extrema direita e a violência começou a atravessar a vida de nós artistas”.

O público vai se dando conta da censura ao lado do assédio judicial, enfraquecimento de mecanismos de controle, aparelhamento ideológico, cortes de financiamento, campanhas de difamação, entre outros. Fica um grito parado no ar. Contudo, a arte é resistência. Como diz Renata Carvalho: “Já me tiraram de todos os lugares, mas do teatro vocês não vão me tirar”.

Ficha Técnica

De visão obrigatória, o documentário, chega aos cinemas com distribuição da Embaúba Filmes.

Direção – Dellani Lima, Henrique Zanoni e Ricardo Alves Jr.

Dellani Lima – Direção, Fotografia, Roteiro, Montagem e Trilha Sonora

Henrique Zanoni – Direção, Roteiro e Montagem

Ricardo Alves Jr. – Direção, Roteiro e Montagem

Daniel Pech – Produção

Ricardo Zollner – Edição de Som, Mixagem e Trilha Sonora

Lucas Barbi – Correção de cor

Brasil, 2022, 71′

Classificação indicativa – 14 anos