Quem ainda acredita no Ibope?

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Depois dos enganos vexaminosos da última eleição, o Ibope volta à Curitiba patrocinado pela RPC. Promete dar, sem erro, as posições de largada na disputa eleitoral deste ano que tem 16 candidatos a prefeito de Curitiba. Mas como confiar no instituto que é recordista de erros calamitosos em seus levantamentos?

Na última eleição para o Senado, Roberto Requião figurou do início ao fim em primeiro lugar. Não chegou nem em segundo. Aliás, o segundo era Beto Richa, que não ficou nem em terceiro. Resultado: foram eleitos dois azarões: Oriovisto Guimarães e Flávio Arns.

Não foi essa a primeira lambança do Ibope. Na última para prefeito, Ney Leprevost estava em sexto lugar em todas as pesquisas Ibope e acabou em segundo, indo para o segundo turno contra Rafael Greca.

Para o Ibope, quem iria para o segundo turno seria o então prefeito Gustavo Fruet. O Ibope só anunciou que ele tinha sido alijado da disputa final na pesquisa de boca de urna, feita depois das eleições.

O problema é que o Ibope, mesmo errando tanto, acaba exercendo influência na definição do voto dos indecisos, que ainda são maioria. Assim, virá instrumento de propaganda eleitoral através da desinformação.

Moro de fora

Aos que pediram uma declaração de apoio, Sérgio Moro já avisou: não vai participar das eleições municipais. Nada de vídeos ou fotos. Um dos frustrados é o Podemos, que tentou atrelar sua imagem à do ex-juiz, filiando parlamentares e candidatos defensores da Lava Jato, com olhos nas eleições deste ano.

Duas frentes

O governo acionou plano cirúrgico e trabalha em duas frentes para tornar a Renda Cidadã realidade e dar dinheiro a quem precisa. O líder da Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) trabalha junto a líderes para a aprovação da reforma tributária e o líder do Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO) foca nas conversas com o relator do Orçamento do ano que vem.

 

No sarrafo

“Como na época dos senhores feudais, Brasília quer manter o jugo sobre o povo paranaense nos impondo uma tarifa com preço alto para o pedágio na renovação da concessão de rodovias que deverá ocorrer em 2021.” Quem diz é o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli.

Pau no Greca

Médico oftalmologista, o candidato do Novo à prefeitura de Curitiba, João Guilherme, lembra que em abril mandou carta para o prefeito, Rafael Greca (DEM), recomendando medidas urgentes contra a pandemia do Covid-19, como a testagem em massa e providência para evitar que o transporte coletivo continuasse lotado, servindo como meio de transmissão da doença. Seis meses depois, ele diz que Greca ignorou os alertas, agiu com atraso e acabou agravando a crise, inclusive na economia da cidade.

 

Novo estilo

Na tentativa de blindar a sua gestão, o presidente Jair Bolsonaro deu uma guinada em seu estilo de governar ao priorizar uma relação harmônica com o Legislativo e o Judiciário. Quem não gostou foi a sua base eleitoral.

Em operação

Quase um ano após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ter proibido os disparos em massa para fins políticos, a indústria de mensagens eleitorais por WhatsApp e de extração de dados pessoais de eleitores por Instagram e Facebook continua operando.

Escolha de diretores

Os deputados estaduais aprovaram, em segunda votação, o projeto de lei que prevê mudanças nas regras do processo de eleição para escolha de diretores das escolas estaduais do Paraná. O texto, de autoria do Governo do Paraná, recebeu 42 votos favoráveis e nove contrários

Eles se entendem

Mais cedo ou mais tarde, eles se entendem. Sem nenhum pejo trocam caricias depois da pancadaria. Sob o argumento de que assume os próprios erros, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que foi ‘indelicado’ e ‘grosseiro’ com o ministro Paulo Guedes (Economia) e pediu desculpas. Após jantar de reconciliação entre os dois, Guedes também pediu desculpas “caso tenha o ofendido”.

Visita aos presos

Um grupo entre 60 a 70 mulheres estão acampadas desde a sexta-feira passada na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico. Elas são mulheres e mães de detentos do Sistema Penal do Estado, e que estão desde março sem poder fazer visitas.

O fator Pix

Desenhado como meio de pagamentos instantâneo, o Pix terá um impacto muito mais profundo no mercado financeiro do que a mera possibilidade de fazer transações em tempo real. O sistema que atrai empresas de vários setores, de serviços públicos à varejistas, derruba maneiras de entrada, viabiliza novos modelos de negócios e embaralha empresas financeiras de qualquer outro setor na disputa pelas transações dos clientes. O resultado será a bancarização de até 30 milhões de pessoas – o equivale a dois terços do número de brasileiros “sem conta”, estimado antes da pandemia.

Ciúmes

A ciumeira volta a cercar o gabinete do vice-presidente Hamilton Mourão. O problema é que o general é bem mais inteligente e muito mais claro ao falar do que o Capitão. E fala todos os dias. Bolsonaro simplesmente odeia isso.

Queimada

Uma das maiores organizações ambientais do mundo, a WWF prepara uma campanha de anúncios e filmetes contra o governo brasileiro. A WWF é uma das ONG que estão de olho no Gabinete da Segurança Institucional (GSI) e da Abin. No que depender de Augusto Heleno, serão todas varridas da faze da terra.

Predileto

O deputado José Medeiros é candidato predileto do Planalto na eleição suplementar em Mato Grosso. Entre pontos de conexão tem atacado os críticos à política ambiental do governo Bolsonaro. Entre os analistas, é a esquerda amplificando os interesses das ONGs globais. No que depender do Planalto, está eleito.

Irmão

Em 2019, o PT chamou o presidente argentino de “Irmão” e comemorou o “rechaço às políticas neoliberais” e o “projeto de resgate de cidadania e de inclusão social” do esquerdista cujo governo conseguiu diminuir o PIB em quase 20% desde a posse.

Regalias

Enquanto se cobra um país mais justo com o corte de regalias e penduricalhos do serviço público, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia prega uma reforma administrativa que não corta privilégios e terá efeitos práticos no futuro. Serão gastos R$ 358 milhões este ano com auxílio-moradia, assistência médica e odontológica e outros benefícios tidos como “obrigatórios”. No caso da assistência médica e odontológica, os gastos previstos são de R$ 116,1 milhões até o final do ano. Cada deputado recebe R$ 33,7 mil e a cota de R$ 45 mil mensais para gastar como quiser, fora moradia de R$ 4,2mil de auxílio-moradia.

Viagens cortadas

A pandemia forçou alguns cortes de despesas governo federal. As viagens “à serviço” bancadas com dinheiro público, que engordam salários, despencaram quase R$ 767 mil em 2019 para R$ 171 mil neste ano (redução de 77,2%).

 

Vergonha?

A eleição em Porto Alegre viu sumir a estrela do PT, o 13 e até o vermelho escureceu. O ex-ministro Miguel Rosseto virou vice de Manuela D’Ávila do PCdoB e sumiu em qualquer identidade virtual petista.

Desinteresse

Votação prevista para ontem revela o desinteresse do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pelas iniciativas de enfrentamento à crise gerada pela pandemia. Está com votação marcada para 13h55, a medida provisória 992, que cria um incentivo contábil para estimular bancos a emprestarem dinheiro de capital de giro a micro, pequenas e médias empresas, dramaticamente afetadas pela crise. A MP 992 foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em 18 de março, há quase sete meses.

Limite

Os créditos gerados pelos incentivos previstos na MP 992 beneficiam empresas cuja receita bruta em 2019 não ultrapassou os R$300 milhões. Os empréstimos poderão ser pagos em até 36 meses, com carência de 6 meses. Pela MP, 80% dos créditos devem priorizar empresas menores. Mais interessado em dificultar ações do governo, Maia ignora que micro, pequenas e médias empresas concentram 70% dos empregos no Brasil.

Prazo fatal

Os empréstimos que salvariam milhares de empregos só podem ser contratados até 31 de dezembro, mas a Câmara não parece preocupada.

Tudo pela audiência

Outro número morbidamente aguardado pelo “jornalismo de funerária” é o de 150 mil mortos. O que no início parecia respeito virou exploração. O Worldometer registra 500 mil casos ativos no Brasil com quadro de infecção leve e 8 mil em estado delicado que inspira cuidados maiores.

Brado dos cisnes

A despedida de Celso de Mello, no STF, será quinta (8) e não terça (13), quando se aposenta. Lerá extenso voto em defesa do depoimento presencial do presidente, no caso de supostas interferências na Polícia Federal, e vai bater forte. O “canto dos cisnes” estará mais para grito.

Frases

“Estupro é o único crime em que a vítima é quem sente vergonha,”

Ana Paula Araújo