A estratégia usada pelo ex-todo poderoso Chefe da Casa Civil do presidente Lula e líder petista José Dirceu, depois que o STF decidiu pelo enquadramento de quarenta entre mensaleiros e seus mentores, tem tudo para dar errado.

Ao se agarrar à infeliz frase do ministro Ricardo Lewandowsk que tanta celeuma está provocando na corte maior,  de que seus colegas  do Supremo teriam votado “com a faca no pescoço”, sobre  implantar uma dúvida preocupante sobre a independência do Judiciário, vai aumentar a pressão da opinião pública pela manutenção do posicionamento adotado. Certamente isso gerará uma expectativa de que haja punições sérias. Se como disse Dirceu em sua entrevista coletiva, “está se criando uma ditadura da mídia” que o assusta,  os veículos de comunicação estarão atentos a que não haja uma pressão em sentido contrario por parte principalmente do governo e do PT, para que não se frustre essa expectativa. Afinal, ministros como Marco Aurélio ao defenderem a independência do Supremo deixaram o recado de que ninguém está acima da lei.  No entanto, especialmente o Partido dos Trabalhadores, através algumas de suas lideranças, entre as quais o presidente parananse deputado André Vargas, insurgiram-se contra a decisão. Em São Paulo, um jantar de desagravo ao ex-presidente da Câmara, João Paulo Arruda e  a manifestação pública de Zé Dirceu, ostensivamente afrontam o poder Judiciário. Virou portanto uma queda-de-braço em que o Supremo, para manter o respeito conquistado nessa decisão transmitida ao país pela TV, precisará comportar-se com a independência e clareza demonstradas no primeiro julgamento.  Fogo de palhaDurou pouco, como previsto a comemoração pela vitória do projeto aprovado pela Assembléia, concedendo isenção aos motoristas com veículos emplacados em cidades que detém praças de pedágio. Uma liminar acatada pelo desembargador Paulo Hapner, fez com que a cobrança fosse retomada na madrugada de sexta para sábado. NegociaçãoCom quase trezentas ações propostas pelo governo, por entidades e pessoas físicas e derrubadas, o caminho mais acertado é aquele proposto pelas próprias concessionárias: um entendimento.   Mal tratoPara os que se animaram com os valores previstos pelo PAC, a serem aplicados no Paraná até 2012, 9,3 bilhões, uma amostra de como nosso Estado é tratado em nível federal.  MenosRio de Janeiro, receberá R$ 79,5 bi dos investimentos. São Paulo, R$ 51,3. Pernambuco, R$ 25,4 bi. Minas será contemplada com R$ 24,4 bi. R$ 16,7 ao Ceará. Pará, R$ 15,4 e Rio Grande do Sul, R$ 13,9. O Amazonas, com 7 milhões de habitantes a menos, receberá R$ 200 mil a menor em relação ao Paraná. DesinteresseEnquanto isso, os políticos paranaenses, governador à frente, ficam aqui metidos cada vez mais em novas confusões. Agora contra o Ministério Público. Em resumo: não têm tempo para se articular em Brasília na defesa dos interesses do Estado.  Lei de mercadoA propósito: o presidente Lula vem mais uma vez contestar teses do governador Requião. Uma das bandeiras do dirigente paranaense, a guerra aos transgênicos, deve ser tratada, segundo o presidente, pela força do mercado. Ele é contra leis que regulem a alimentos modificados.  Pós-2010Sob o impacto da decisão do STF que coloca a nocaute momentâneo, onze expressivas lideranças do partido, o PT nacional está reunido até hoje para traçar rumos para o futuro. Para André Vargas, presidente regional, um dos focos será a discussão do pós-2010, quando termina o mandato do presidente Lula. Disputa No Paraná, a  ocupação do cargo de André Vargas na direção regional, começa a mostrar disputa acirrada entre capital e interior. A escolha de Gleisi Hoffmann, virtual candidata a prefeita de Curitiba, que parecia natural, está sendo contestada por Ênio Verri, secretário de Planejamento de Requião e que pretende disputar também a prefeitura de Maringá.  DesgasteÉ tudo que os petistas paranaenses de alto coturno querem evitar. Uma derrota de um ou de outro nessa disputa interna, enfraquecerá o derrotado na disputa eleitoral municipal.  Declaração polêmicaAs declarações da atriz Ítala Nandi, contratada pelo governo do Estado para coordenar a Escola de Cinema, afirmando que “o povo do Paraná é depressivo e reprimido”, foi o gancho para Rubens Bueno, presidente do PPS espicaçar o governador. “Isso é exatamente o que o Paraná vive com o governo Roberto Requião”. FOLCLOREUma estórinha contada aqui, dia desses, foi retificada por pessoas de Vera Cruz d’Oeste. Lembrava a eleição a prefeito de Valdeci Teixeira. Contei tratar-se de um sapateiro. Não é.. Valdeci é padeiro. Em todo caso vale repetir o fato. Candidato a prefeito pelo PDT, tinha contra si, apesar de ser conhecido e respeitado, a rejeição da elite por suas poucas luzes intelectuais. Jaime Lerner, prefeito de Curitiba e líder do partido, encarregou o vice Algaci Túlio para comparecer a um comício na cidade. Em seu discurso Algaci, para desfazer dúvidas entre cultura e capacidade administrativa afirmou: “Eu também tenho pouco estudo e isso não me impediu de ter sido eleito, verador, deputado e agora vice-prefeito de Curitiba”. Entusiasmado com esse depoimento Valdeci discursou: “Voc~es acabaram de ouvir o depoimento do vice-prefeito de Curitiba, um homem tão ignorante como eu”.