Qualificar o empreendedor é um bom negócio

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Juraci Barbosa Sobrinho é advogado e consultor empresarial.

Com a aplicação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (MPE), com a Reforma
Trabalhista e os reflexos da pandemia de coronavírus, faz-se necessário a preparação para
um novo cenário econômico. A sociedade precisa se preparar para uma nova realidade na
qual a formação e a capacitação serão mais do que nunca fundamentais. “Preparar alunos
para um novo modelo, com mais espaço para o empreendedor do que ao empregado”.
Municípios e estados precisam fomentar a cultura empreendedora, fornecendo condições
de acesso a qualificação, crédito facilitado, fundos garantidores e eliminar a burocracia
redundante.
Muitos empreendedores iniciam uma atividade por necessidade, por sobrevivência. Sem
preparo, muitas vezes o negócio nasce com dívidas mesmo antes de abrir as portas. Aluguel,
estoque dos produtos, equipamentos, empregados e seus salários e encargos sociais, taxas
de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Prefeitura. Leva tempo para obter o alvará e as receitas
custam a entrar.
Logo, é importante a qualificação para que esse início seja feito com alguma técnica de
gestão, com planejamento, finanças organizadas, gestão de pessoas, marketing.
Com as ferramentas de Ensino à Distância, todos os municípios do Paraná podem ter acesso
a esses conteúdos. Há um trabalho realizado pelas Universidades Estaduais e também na
prefeitura da capital através da Agência Curitiba de Desenvolvimento, da qual fui Presidente
e idealizador do Programa Bom Negócio.
Há cerca de dez anos, uma pesquisa da UNIFAE, à época parceira pedagógica do programa
Bom Negócio em Curitiba, tendo capacitado seis mil empreendedores, verificou que: 34%
adquiriram máquinas e equipamentos; 27% investiram em melhorias na infraestrutura; 15%
aumentaram a diversidade dos produtos ofertados, e os demais fizeram investimentos
diversos.
Para 43,7% o curso deu possibilidade de crescimento e auto realização; 45% melhoraram o
desempenho profissional. Provas de que a união de esforços entre setores público e privado
tem resultado sempre positivo.
Segundo o Sebrae, micro e pequenas empresas representam 57% dos empreendimentos
formais do estado e 56% de mão-de obra ocupada (antes da pandemia).
Qualificar o empreendedor portanto, é um bom negócio para todos.