Polícia Civil do Paraná, e o Departamento de Investigações Criminais de Santa Catarina (Deic-SC) prenderam, na manhã desta terça-feira (28), 17 pessoas envolvidas no esquema que lesava aposentados em Curitiba e Florianópolis.

A quadrilha, de acordo com o diretor do Deic, delegado Ilson da Silva, já teria arrecadado mais de R$ 5 milhões desde 2004, fazendo aposentados depositarem valores em troca do dinheiro do antigo Fundo 157, criado em 1967.

Foram apreendidos carros, dinheiro, armas e grande quantidade de cartões de crédito, que ainda serão contabilizados pela polícia de Santa Catarina. De acordo com o delegado-chefe do Nurce, Sérgio Sirino, a polícia paranaense deu toda estrutura de investigação para o Deic trabalhar no Paraná e ajudou a cumprir os mandados de prisão em Curitiba.

“Nós temos trabalhado integrados. Os crimes, hoje em dia, ultrapassam as divisas das cidades. O Deic fez um excelente trabalho de investigação e conseguimos prender a quadrilha que lesava os aposentados dos dois estados”, disse Sirino.

No Paraná, foram sete mandados de prisão cumpridos e em Santa Catarina, dez. Segundo o delegado, os líderes da quadrilha, os irmãos Antônio Carlos e Unírio Tadeu Eggres foram presos em Curitiba. Também foram presos na capital paranaense Adão Bartolomeu Saraiva da Silva Martins, José Carlos Barreiros, Antonio Carlos Paulino, Geison dos Santos Paulino e Aparício Monteiro. Todos são suspeitos de estelionato e serão levados para Santa Catarina.

ESQUEMA – Segundo o delegado Ilson da Silva, diretor do Deic-SC, a quadrilha lesava idosos, “porque o golpe se tratava de uma grande mentira sobre o antigo Fundo 157”. Esse fundo foi criado pelo Decreto Lei n.º 157, de 1967, e dava ao contribuinte a opção de usar parte do dinheiro do imposto de renda para compra de ações. Com a desativação do fundo, muitos contribuintes esqueceram de resgatar o dinheiro dos bancos. Sabendo disso, segundo informações da polícia, a quadrilha descobriu uma forma de aplicar golpe em pessoas que contribuíram, entre 1967 e 1983.

Segundo o delegado, um dos integrantes da quadrilha abordava um idoso na rua e afirmava que a vítima tinha muito dinheiro para receber do Fundo 157. “O golpista falava para a vítima ligar para um escritório falso”, explicou o delegado Ilson da Silva. Então, de acordo com o policial, o golpista pedia à vítima o número do CPF e 10% do suposto valor do fundo adiantados, para prestar o serviço de resgate. “Algumas vezes, este depósito passava de R$ 300 mil”, contou Silva.