Pois é

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A pesquisa de agora é do PoderData: se a eleição fosse hoje, Bolsonaro iria para o segundo turno, com previsão de alcançar 41% de votos. Dois de seus adversários possíveis empatariam com ele no segundo turno: Lula (também 41%) e Sérgio Moro (40% a 37%, empate técnico – na última pesquisa, ambos tinham 41%). Os demais, ele venceria: Fernando Haddad, 42% a 34%; Ciro Gomes, com 15 pontos percentuais de diferença; João Doria, 13 pontos de diferença.

Só que as pesquisas valem para agora, não para daqui a dois anos. Em 1992, o senador Fernando Henrique me disse que temia não se eleger nem deputado federal nas eleições seguintes. Pensava em voltar à Universidade. Dois anos depois, foi eleito presidente no primeiro turno. Marconi Perillo, o grande cacique goiano, várias vezes governador, tinha certeza de se eleger senador, ainda mais que havia duas vagas. Ficou em quarto lugar, sem cargo, e nas eleições municipais do mês que vem nem tem candidato em Goiânia.

Citando Magalhães Pinto, “eleição e mineração só depois da apuração”.

Maior promessa

Anistiar todas as multas injustificadas durante a pandemia e refinanciar as dívidas de quem está irregular. Esses são dois dos compromissos assumidos pelo candidato a prefeito Fernando Francischini com o setor de eventos sociais, corporativos e infantis, de Curitiba.

Censura

Já passa de 42 dias a “manutenção” usada como desculpa pelo Senado para retirar do ar, no site oficial, consultas públicas sobre os projetos em tramitação. A censura se estabeleceu após a enquete do site “E-Cidadania” registrar a repulsa de 99% de quase 9 mil eleitores que opinaram sobre a proposta de emenda à Constituição que permite a reeleição dos presidentes Davi Alcolumbre (Senado) e Rodrigo Maia (Câmara). Subitamente, o site entrou “em manutenção”. Até hoje.

Bateu continência

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, liquidou especulações sobre sua suposta “insatisfação” com a decisão do presidente Jair Bolsonaro de desautorizar o acordo para comprar 46 milhões de doses de eventual vacina de origem chinesa, produzida pelo Butantã. “Um manda, outro obedece”, resumiu o general e ministro, fiel à hierarquia, um dos mais caros valores da caserna. Bolsonaro é o presidente, comandante em chefe das Forças Armadas, é ele quem manda. Simples assim.

Também batem

Divulgou-se a lorota de “insatisfação dos militares” pelo fato de Pazuello ter sido desautorizado. Todos eles também batem continência.

Conta outra, China

Não ajuda na credibilidade da vacina os números que a China divulga sobre a contaminação de covid. A ditadura da nação mais populosa do mundo relata apenas 85.715 casos, 4.634 mortes e 247 casos ativos.

Contar os dias

O isolamento prolongado tem mexido com o psicológico das pessoas e ninguém aguenta mais ficar em casa. Prova disso é que a busca por viagens cresceu 32% na semana antes do Dia das Crianças este ano.

França ferrada

A França sofre com a segunda e mais grave onda de contágios de covid e passou de 1 milhão após 41,6 mil novos casos ontem. No sentido oposto, o Brasil não tem tantos casos diários desde 11 de setembro.

OAB fiscalizada

Antes mesmo de sua posse, o futuro ministro Kássio Nunes, do STF, já é visto como um fiel da balança de um dos casos mais polêmicos em tramitação no Supremo: o julgamento que decidirá se a OAB deve ou não prestar contas ao TCU. Nunes já sinalizou que é favorável à tese de que o Tribunal de Contas tem poderes para fiscalizar as finanças da Ordem. Numa ponta estão Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, trabalhando para acelerar a votação. Na outra ponta, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, os mais empenhados em protelar a decisão. Cármen Lúcia e Rosa Weber acham que a independência da OAB deve ser preservada. Dias Toffoli e Luiz Fux estão do lado contrário. A receita deste ano é de R$ 1,3 bilhão.

Terceiro

A indústria siderúrgica está com a corda toda. Além da CSN, há a informação de que também a Usiminas fará novo reajuste dos preços em novembro. Será o terceiro aumento do ano. Imagine-se sem a pandemia.

“Azarão”

Chico Malfitani é o marqueteiro de Guilherme Boulos, como foi de Erundina em 1988, quando venceu a batalha pela Prefeitura de São Paulo, vencendo Paulo Maluf e José Serra. Foi um “azarão” como Guilherme Boulos é nesta nova corrida. No bloco do horário eleitoral ele tem 17 segundos – e está produzindo 85 comerciais em 30 dias.

Lista negra

O número de reclamações apresentadas na Organização Internacional do Trabalho contra o governo de Jair Bolsonaro aumentou nas últimas semanas e ameaça provocar uma nova colisão entre o governo e a entidade. As contestações submetidas pelos sindicatos brasileiros e associações internacionais de trabalhadores podem pavimentar o terreno para o país figurar de novo numa lista negra de violação de convenções trabalhistas no começo de 2021 na OIT.

Esquerda manca

Rui Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO) disse, numa entrevista que o PT abandonou o apoio a Lula na recuperação de seus direitos políticos. E também atacou Guilherme Boulos, candidato a prefeito de São Paulo, em razão de seu apoio à tese de uma frente ampla contra Bolsonaro. Rui Pimenta é um bom exemplo de como anda mal a esquerda no país.

Otimismo

Os Ermírio de Moraes, mesmo com a pandemia, são só otimismo. Apostam que o IPO do Banco Votorantim pode bater na casa nos R$ 6 bilhões. Na primeira tentativa, suspensa por causa da covid-19, as estimativas giravam entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. A propósito: o Banco Votorantim planeja um novo aporte de capital na Well, fintech especializada em crédito. No começo do ano, injetou cerca de R$ 80 milhões na empresa, nascida em Tel Aviv.

Bitcoins da bola

A CBF está monitorando, com os dois pés atrás, os bitcoins desenvolvidos por clubes brasileiros. Há um temor por parte da própria Fifa de que as criptomoedas escondam lavagem de dinheiro e sirvam de laranjal para investidores serem donos de passes de jogadores, o que é proibido em todo o mundo.

Tour quente

 Brigitter Collet, da França; Heiko Thoms, da Alemanha e Nils Martin Gunneng, da Noruega são os três primeiros embaixadores que o general Hamilton Mourão vai convidar para checar in loco as ações do governo no combate às queimadas na Amazônia. Os noruegueses, como se sabe, cortaram o repasse de recursos para o Fundo Amazônia, depois de uma provocação de Bolsonaro.

Fake

Nos últimos anos, celebrou-se o mito de que “a energia renovável superou combustíveis fosseis na Europa”. Ledo engano: 70% do consumo de energia de países europeus vem do petróleo, gás ou carvão, segundo a Eurostat.

Asfixia

A equipe econômica deverá cortar mais um pouco o orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia para 2021. Até agora, a redução já está em 30%. O novo corte segue o critério “ministro que chia menos, perde mais”. Para Paulo Guedes, o ministro Marcos Pontes é daqueles que gostam de apanhar.

Fogueira das vaidades

A política de meio ambiente de Bolsonaro é uma tragédia. Pior do que ela só as declarações oficiais sobre florestas, água, índios, incêndios – que frequentemente contradizem as informações dadas por órgãos sérios e bem equipados do próprio Governo. Mas, convenhamos, o incêndio no Pantanal nada tem a ver com as ações de Bolsonaro. Há fogo também na Bolívia, onde o presidente não é ele. Na repressão à derrubada ilegal da floresta, seu Governo falha (e deixa à vontade ocupantes ilegais que põem fogo na mata).

Não há santos

Quanto aos governos europeus, é mais fácil dificultar o acesso do agronegócio brasileiro a seus mercados do que buscar eficiência na produção. Não há santos nesta área. Mas que é burrice deixar autoridades oficiais falar o que falam para dar argumentos ao adversário, isso é.

Subiu o preço

Está tudo documentado no processo do Tribunal de Contas da União: em dois meses, o grupo Sul Minas multiplicou quase por três o preço dos ingredientes vendidos ao Laboratório Químico do Exército para produzir cloroquina. Em março, o difosato de cloroquina custou ao Exército R$ 488 o quilo. Em maio, o preço atingiu R$ 1.300 o quilo.

300%

Os vendedores explicam: dizem que o IPCA, fabricante do produto, elevou os preços em 300% em março e 600% em abril. Dizem também que o frete internacional subiu 300% e o Real caiu 45%. Restam, claro, duas perguntas: se a compra é grande (e o presidente Bolsonaro determinou a produção de 1,75 milhão de comprimidos de 150 mg), por que comprar de importadores e não do fabricante? E para que tanta cloroquina, se o próprio presidente Bolsonaro comemorou a doação de dois milhões de comprimidos dos Estados Unidos para o Brasil?

Frases

“Eu vejo muitos candidatos falando da nova política mas que praticam a velha, se promovendo na campanha para prefeito para ser candidato a deputado, manipulando pesquisas, falando mal dos outros. Para mim isso é velha política.”

João Arruda, do MDB