Pesquisa exclusiva mostra  impactos e projeções da crise do Covid-19

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Heloisa Garrett, presidente do Lide Paraná: “Esse levantamento mostra o sentimento dos nossos empresários. Estamos passando por um período de dificuldades, mas ainda assim estamos otimistas”

Levantamento com empresários de diferentes segmentos de todo o país realizado pelo Lide Paraná  mostra percepções, impactos depois do primeiro impacto causado pela pandemia e projeções para o Brasil durante e pós crise do Covid-19.

Realizada no período de 20 a 29 de abril, pelo  Lide Paraná, os resultados da pesquisa trazem comparação com outra realizada pela entidade no mês de março. Para os líderes consultados o maior impacto continua o mesmo da primeira fase da crise, com 72,2% das respostas, a mais afetada está sendo a entrada de novas receitas.

PREOCUPAÇÃO

“Esse levantamento mostra o sentimento dos nossos empresários. Estamos passando por um período de dificuldades, mas ainda assim estamos otimistas, trabalhando, preocupados em manter empregos, em manter nossas operações” comenta a presidente do Lide Paraná, Heloisa Garrett, que vem se destacando pelo trabalho de apoio à classe empresarial que realiza no estado.

A  pesquisa também mostra que os líderes estão mais otimistas, fazendo os ajustes necessários na sua operação ou produto. Entre os ajustes, os mais escolhidos são: corte de custos, novas estratégias comerciais, renegociação com fornecedores e tributos, além da redução de funcionários.

Segundo Heloisa Garrett, “A maior parte dos entrevistados acredita que a crise continuará por mais 90 dias, no mínimo. Mas mesmo preocupados em como se dará a manutenção do negócio, ao olhar para os efeitos no futuro da empresa, observam uma oportunidade de crescimento e ganho de mercado.”

A transformação digital se tornou a principal forma de muitas empresas continuarem suas atividades no momento, isso foi refletido na pesquisa, com as opções ampliação de canais de venda e de portfólio de produtos e serviços, sendo as mais escolhidas.

A pesquisa no fim detectou que muitas empresas estão refletindo como se posicionar no “novo normal” que virá a seguir, criando novas estratégias para se adaptar ao novo cenário de consumo. Todas as respostas foram analisadas em tempo real pela equipe de pesquisa durante o período de coleta.

“Efeitos  do desemprego será pior que a pandemia”

Resposta de um empresário pesquisado: “O desemprego vai trazer fome, criminalidade e até uma situação de maior gravidade do que a Pandemia do Corona.”

Na primeira pesquisa do Lide Paraná, no mês de março, também foi mostrado  o impacto e as projeções dos principais empresários do país sobre a crise do Coronavírus.

Segundo um dos pesquisados, “as medidas restritivas para contenção do Coronavírus foram, sim, necessárias, mas as medidas para manter as empresas vivas são ainda mais necessárias. O desemprego vai trazer fome, criminalidade e até uma situação de maior gravidade do que a Pandemia do Corona.”

Entre as conclusões da pesquisa do Lide Paraná,  está a que  diz que “não há mágica. Sem receitas não haverá manutenção dos empregos. As empresas, em especial as pequenas e médias, não possuem caixa para uma crise de 90 dias. Até o momento desta pesquisa, 30% dos respondentes já sinalizou que irão executar medidas de desligamento de funcionários. Assim, as medidas de crédito precisam andar mais rápido que o Covid-19. Como o Governo e a sociedade poderão se reestruturar para lidar com os altos índices de desemprego que se pronunciam nesta pesquisa? Apenas 1/5 dos líderes afirmam que suas empresas estão preparadas para enfrentar a crise em termos de fluxo de caixa.”

Outra conclusão é de que “com o distanciamento físico do consumidor, o único caminho a ser seguido é o digital. As empresas precisarão ser ágeis em buscar soluções neste sentido. Relatos mostram que supermercados e farmácias estão levando de 5 a 10 dias para entregarem encomendas em seus aplicativos e canais digitais – será que o consumidor poderá esperar? Esse deve ser o caminho para os 58% que planejam rever estratégias comerciais.

Quarentena reeducando consumidores

Ligia Mello,  fundadora da Hibou: “Alguns setores souberem se adaptar mais rápido”

A pandemia do Covid-19 e o isolamento social necessário reinventaram o comportamento dos brasileiros em relação ao trabalho, ao consumo de produtos e serviços e à convivência dentro de casa com seus familiares. Segundo pesquisa, esses novos hábitos vieram para ficar.

Para entender este cenário do “novo normal” da rotina do brasileiro durante a quarentena, e os indicativos de comportamento após o isolamento social, a Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado, em parceria com a Indico, plataforma de dados, levantou um estudo entre os dias 17 e 18 de abril, com mais de 3 mil brasileiros que mostra a grande mudança que o consumo está sentindo e irá sentir após pandemia.

“Alguns setores souberem se adaptar mais rápido, como delivery de alimentos ou inclusão de novos produtos como máscaras descartáveis, e álcool gel, e com isso trouxeram uma nova renda ao negócio.” explica Ligia Mello, responsável pela pesquisa, e fundadora da Hibou.

A conta já aparece para a maioria dos brasileiros, em que 64,8% dos entrevistados já sentiram o impacto negativo do isolamento em seus ganhos financeiros. Já para 32,5%, os ganhos financeiros permaneceram os mesmos. E para uma minoria de 2,7%, os impactos desse novo momento foram muito positivos.

Mais da metade dos brasileiros, 53,7%, têm evitado qualquer tipo de compras desnecessárias, enquanto 34,7% têm medido melhor a necessidade de uma compra. Uma minoria (5,6%) está apenas aguardando para retomar seus hábitos de compra, e para 6,2% ainda nada mudou.

Grupo de voluntariado Unidas para o Bem

As mulheres do Grupo Unidas para o Bem continuam, em casa, a produção das máscaras e naninhas que serão doadas nas semanas seguintes.

Um grupo formado por 19 mulheres, que fazem curso de costura e patchwork no atelier da Javanesa Tecidos, já se movimentava, em 2018, em prol dos mais necessitados. Essas mulheres se juntaram com as artesãs Karen e Satiko Sakuma, e formaram o grupo de voluntariado Unidas para o Bem. Durante o segundo semestre de 2019 produziram dezenas de naninhas e entregaram em doação às mães carentes semanas antes do Natal, assim como fizeram no ano anterior.

Com a pandemia e a suspensão das aulas de artesanato e costura, as mulheres do grupo Unidas para o Bem resolveram continuar o trabalho de voluntariado. Com tecidos e materiais doados pela Javanesa, cada uma delas produziu, em casa, máscaras de pano, que foram doadas à hospitais e outras organizações filantrópicas.

“Com a reclusão imposta pelo coronavírus não podíamos ficar em casa, sem fazer nada, sabendo que os hospitais e outras instituições sofriam com a falta de equipamentos essenciais. Conversamos pelo grupo de whatsap e todas se propuseram a confeccionar máscaras de pano para doação. Na primeira semana entregamos mais de 345 máscaras. Depois foram mais 400, e na semana passada chegamos a 1.200 máscaras produzidas e entregues no Hospital Erasto Gaetner, no Hospital Infantil Waldemar Monastier, aos profissionais da Hands Home Care, aos voluntários do Alimentos do Bem, que distribuem alimentação à moradores de rua, e a outros profissionais de saúde e grupos de voluntariados. Cada vez que fazemos alguma coisa, por menor que seja, pelo próximo, fazemos muito mais por nós mesmos”, declarou Karen Sakuma, artesã e líder do grupo.

E o trabalho não para. As mulheres do grupo Unidas para o bem continuam, em casa, a produção das máscaras e naninhas que serão doadas nas semanas seguintes. “Quando a gente se concentra na dor, a gente sofre, mas quando a gente se concentra na lição, evoluímos. Então, se vamos nos contagiar de algo, que seja de compaixão, esperança e fé de dias melhores”, comentou Munir Mushashe, dono da Javanesa Tecidos.