Perderam musculatura

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PSDB e PT, que já foram gigantes, saem pequenos das eleições de 2020. Há quatro anos, o PT conquistou 254 municípios já no primeiro turno, este ano despencou para 179, queda de mais de 30%. Já o PSDB perdeu 35% dos 785 prefeitos que elegeu há quatro anos. É o maior número absoluto de derrotas entre as grandes agremiações: 273. Mas o PSB foi o maior derrotado entre os partidos com mais de 200 prefeitos: caiu de 403 prefeituras para 250, uma redução de quase 38%.

O MDB teve um desempenho proporcional melhor que PT e PSDB, mas perdeu 25% de suas prefeituras: 261 das 1.035 que conquistou em 2016.

Outros partidos menores tiveram perdas mais significativas, como o PCdoB, que ficou sem metade das prefeituras: elegeu só 46.

O pequeno Partido Trabalhista Cristão (PTC) elegeu 16 prefeitos no primeiro turno de 2016. Em 2020, apenas um. É a pior queda: 94%.

Matou a pau

Poucos são tolos o suficiente para acreditar que o governador Ratinho Jr não participou das eleições municipais deste ano. Seu partido venceu em 1/3 dos municípios. E na eleição principal, a de Curitiba, seu concluo com o prefeito Rafael Greca de Macedo funcionou à perfeição.

Manobra principal

Ao retirar Ney Leprevost do páreo e nomear Eduardo Pimentel na vice, transferindo-o antes do PSDB para a sua legenda, o PSD, selou a reeleição do prefeito. Fez mais. Negociou com os outros candidatos competitivos e, de uma forma ou outra, fez com que desistissem de sua candidatura e apoiassem Greca.

Os secundários

Assim apeou Luciano Ducci, do PSB; Luizão, que passou do PT para o Republicanos sem nenhum pudor; e defenestrou Gustavo Fruet, do PDT, que sem constrangimento ficou candidato por bom tempo, a ponto de retardar a candidatura do partido que o substituiu, Goura, o segundo colocando no pleito.

Consciência e coragem

Camila Lanes foi candidata a prefeita de Curitiba pelo PCdoB. Só essa disposição de ir à luta representando uma força que o empenho de correntes retrógradas que empalmaram o poder tratam como a encarnação do demônio, prova seu grau de consciência e coragem. Ela enfrenta com inteligência e obstinação estas forças que parecem estar convencidas de que encarnam a modernidade enquanto repetem ideias e estribilho anticomunistas. O Brasil de hoje, guiado por Jair Bolsonaro, tem mais parentesco com o regime militar e com a Idade Média que com o mundo contemporâneo.

Continua na luta

A disposição de Camila é seguir na luta. Deve encarar as eleições como candidata deputada em 2022. Mais jovem entre os candidatos à prefeitura de Curitiba, com apenas 24 anos, ela não é jejuna, tem a experiência à frente dos movimentos estudantis, ela já presidiu a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e teve protagonismo em enfrentamentos de nível federal no campo da Educação.

PSOL sobe

Para o historiador e cientista político Juliano Medeiros, presidente nacional do PSol, o desempenho do partido nas eleições municipais — disputará o segundo turno das prefeituras de São Paulo e Belém, no próximo dia 29 —, além de ter o vereador mais votado do Rio de Janeiro (Tarcísio Motta), não é surpreendente. Isso porque, conforme lembra, a legenda vem colhendo resultados cada vez mais consistentes nas últimas eleições.

Ciro apoia Boulos

Ciro Gomes (PDT), candidato derrotado à presidência em 2018, quer que seu partido apoie Guilherme Boulos (Psol) no 2º turno pela prefeitura de São Paulo. A aliança com Boulos também é defendido por Carlos Lupi, presidente do PDT, e Antonio Neto, candidato a vice de Márcio França (PSB). A chapa encabeçada pelo PSB ficou em 3º lugar na votação deste domingo, com 13,64% dos votos.

Inclusive

O apoio do ex-presidente Lula, antes ambicionado, virou “tóxico”. O candidato do Psol à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, que até imitava o jeito de falar de Lula, agora é bem menos enfático nas referências. Em sua resposta, Boulos não destacou o petista, insistiu apenas que espera apoio de todos contra o PSDB, “inclusive do ex-presidente Lula”. No segundo turno, Boulos tentará ampliar suas alianças e atrair o apoio inclusive de eleitores que têm desprezo por Lula, daí sua hesitação.

Chumbo trocado

A estratégia do candidato do Psol é repetir o mantra “Bruno Covas é Doria”, e teme um troco dos tucanos lembrando que “Boulos é Lula”.

Fiasco

O fiasco do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não se limitou à demora vexatória na divulgação de resultados. No domingo (15), o app E-Título não funcionou. Além disso, não há o site tão ruim quanto o do TSE.

Decisivo

Em Maceió, o fiel da balança será Davi Filho, candidato que chegou em terceiro, com 25,5% dos votos, e o PP do deputado Arthur Lira. Estão no segundo turno Alfredo Gaspar (MDB) e JHC (PSB): somaram 28% cada.

Lavou a alma

A eleição em Simões Filho (BA) lavou a alma do presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, xingado e até ameaçado ao apontar a derrota de Eduardo Alencar, irmão do senador Otto Alencar (PSD), que ficou possesso. Mas a pesquisa acertou: deu Dinha (MDB), eleito com 53,1%.

Moro trabalha

A Warde Advogados confirmou haver contratado parecer do ex-ministro Sergio Moro, a pedido do empresário israelense Benjamin Steinmetz, mas é sobre um litígio transnacional, que se estabelece prioritariamente em Londres. Sem qualquer relação com a JBS.

Centro e centrão

Na eleição, os partidos “de centro” mandaram bem, mas no Congresso quem manda mesmo são os políticos do “centrão”.

Extrema pobreza

A proporção de pessoas extremamente pobres que podem ter acesso ao Bolsa Família (com ganho mensal de R$ 90 / por pessoa) subiu pelo quinto ano consecutivo em 2019. Acumulou alta de 67%, segundo estudo de Marcelo Neri, da FGV Social. Na semana passada, como foi divulgado, o IBGE mostrou que o país tem 52 milhões de habitantes na pobreza e 13 milhões na extrema pobreza.

Depois da virada

Tem gente esperando apenas o ano (e a pandemia) acabar para começar a se aproximar do gabinete do vice-presidente Hamilton Mourão. Com o afastamento cada vez mais explícito de Mourão do entorno de Bolsonaro, já é possível, de acordo com parlamentares que sabem muito bem como a banda toca, atraí-lo para um ano novo cheio de novidades. Por sorte, Mourão é “indemissível”. Se não fosse, já seria ex-vice antes mesmo de Santos Cruz virar ex-ministro.

Terceira via

Às vésperas das eleições municipais, o apresentador da Globo, Luciano Huck jantou por cerca de quatro horas com um grupo de empresários e executivos da Faria Lima, principal corredor financeiro do país, para falar sobre suas propostas para o Brasil. Ele não se apresentava como candidato e se colocou como uma terceira via. O encontro aconteceu na casa de João Carlos Camargo, da rádio Alpha FM e boa parte dos convidados ficou impressionada com o discurso de Huck e a maioria saiu convencida que Huck é candidato em 2022.

Evangélicos

De acordo com o TSE, Bruno Covas até o último dia da campanha na corrida municipal de São Paulo teve R$ 17,46 milhões em despesas, recebido R$ 13,65 milhões, sendo R$ 2,3 milhões doados por pessoas físicas. Só para gastos de televisão na produção foram consumidos R$ 10,4 milhões, sob a condução do tucano Felipe Soutello. Detalhe: o próprio Covas telefonou para Edir Macedo, da Universal, sobre os votos dos evangélicos no segundo turno.

Novo problema

Há nova divergência contra Guedes no governo: o almirante Bento Albuquerque, de Minas e Energia fez pressão pela privatização do PPSA que, em outras missões, administrava o petróleo obtido pela União sob regime de partilha. Albuquerque é contra.

Outro auxílio

Se houver uma segunda onda de covid-19, a prorrogação do auxílio emergencial não é uma possibilidade, mas uma certeza. É o que pensa e fala Paulo Guedes, da Economia, frisando que esse não é o plano A da equipe econômica, que trabalha com a remoção gradual do benefício criado para fazer frente à crise. Se tiver mais auxílio, Guedes pensa no novo CPMF.

Novo livro

De c… para lua é o nome do novo livro de Nelson Motta, 76 anos, produtor, jornalista, compositor e escritor, que garante que no novo trabalho “colocou tudo para fora”. São 480 páginas que lembram Boates Cariocas, lançado em 2019. Num dos trechos, admite que atolado na cocaína (apresentada pelo jornalista Tarso de Castro) pensou também em ser poeta e cronista. Motta diz que não usa mais cocaína, mas fuma maconha praticamente todos os dias.

Discórdia

Importantes sócios minoritários, caso da gestora BlackRockestudam entrar na justiça para brecar o pagamento de R$ 274 milhões à família Klabin pelo uso da marca da companhia. Importante acionista da fabricante de papel e celulose, o BNDES, foi contra o acordo por muito tempo. Mas depois que o valor  – inicialmente R$ 367 milhões – foi reduzido aceitou.

Frases

“Bolsonaro não vai esquecer dessa eleição.”

João Doria