Apenas as Lojas de Vestuários, Tecidos e Calçados, e as de Móveis e Decorações tiveram desempenho positivo.

Os pequenos lojistas da capital paulistas começaram o segundo semestre com um desempenho ruim, segundo apurou a Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo (PCPV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Em julho, o setor registrou queda de 4,1% no seu faturamento real, na comparação com o mesmo período de 2006. No ano, o pequeno varejo acumula desempenho negativo de 1,9%. Dentre os 7 setores analisados, apenas as Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados, e de Móveis e Decorações tiveram resultados positivos.

Conhecido por ser um período de liquidações de queima de estoques, em julho as Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados tiveram crescimento de 13,1% ante ao mesmo mês do ano anterior – o melhor resultado da PCPV. No acumulado do ano, o grupo acumula alta de 12,1%. A baixa concentração do setor e a comercialização de produtos com valores relativamente baixos, que obriga a uma reposição mais dinâmica, estão entre os fatores que contribuíram para este resultado. Também vale ressaltar o inverno mais rigoroso, que estimou o consumidor a comprar itens de vestuário.

Também registrou aumento nas vendas o grupo de Lojas de Móveis e Decorações: em julho a elevação foi de 9,3% em relação a julho do ano passado. Quando se observa o resultado acumulado o crescimento é ainda maior (12,5%). A grande oferta de crédito, as boas condições de financiamento e a ampliação do mercado imobiliário colaboraram para o resultado do setor.

Já as Lojas de Autopeças e Acessórios registraram a maior queda da PCPV, 22% em relação a julho de 2006, e acumula no ano queda de 14,8%. Esse resultado não é propriamente uma novidade para as empresas do segmento que enfrentam a concorrência com as grandes redes e o aumento da oferta de peças chinesas no mercado. Além disso, a venda de automóveis novos, o que reduz a necessidade de manutenção, também colabora para a redução de vendas deste grupo.

O grupo de Alimentos e Bebidas registrou queda de 19,8% em julho, no contraponto ao mesmo período de 2006. O setor de maior participação nas despesas das famílias mostra pouco fôlego apesar do crédito farto e do crescimento da renda, ainda que modesto. Em 7 meses as vendas recuaram 15,4%. As empresas deste setor brigam por um consumidor cada vez mais endividado e mais cativo de grandes redes de supermercados, que atualmente suprem o consumidor com todo tipo de produto.

As Farmácias e Perfumarias também tiveram um mal desempenho: em julho a queda foi de 14,6% na comparação com o mesmo período de 2006, enquanto no ano chegou ao resultado negativo de 5,4%.  A expansão das grandes redes, que conseguem melhores preços que as pequenas empresas do ramo, é um dos fatores que contribuiu para este resultado.

As Lojas de Eletroeletrônicos acumularam queda de 12,3% no seu faturamento real em julho, na comparação com julho de 2006. No acumulado do ano, a redução chegou a  6,5%. Para os próximos meses, salvo drástica mudança de cenário, a competição, tanto com grandes redes, como com a venda pirata ou ilegal de aparelhos, inviabilizará a reversão desse desempenho.  

Também as Lojas de Material de Construção registraram queda de 7,5% no faturamento real em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 2007, o setor registra baixa de 7,2%. Repete-se indefinidamente o quadro de assimetria entre o desempenho da indústria da construção civil e a venda de material de construção por parte de pequenas lojas. É necessário que se tenha uma política mais agressiva de estímulo à autoconstrução, que poderá ter efeitos sobre as pequenas lojas regionais e de bairro.