Penca graúda

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A oposição não tem um candidato viável e capaz de aglutinar as forças para enfrentar o prefeito Rafael Greca de Macedo, que vai à reeleição. Por isso há uma penca graúda de candidatos. O final de semana de convenções terminou com 13 candidatos a prefeito de Curitiba confirmados oficialmente pelos partidos. Até quarta-feira, quando termina o prazo, outros nomes devem ser lançados, com as convenções do PT, MDB e PP, fechando o quadro de concorrentes às eleições majoritárias na Capital. A reta decisiva das articulações foi marcada pela desistência de quatro políticos veteranos: além dos deputados federais Ney Leprevost (PSD), Luizão Goulart (Repub), e Luciano Ducci (PSB), que retiraram suas candidaturas a pedido do governador Ratinho Júnior (PSD), o qual deve apoiar a reeleição do atual prefeito Rafael Greca (DEM), surpreendeu no sábado a saída do páreo também deputado federal e ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT).

Apontado como um dos principais opositores de Greca, Fruet desistiu alegando falta de recursos para a campanha. “Não me refiro à participação somente. Refiro-me à participação competitiva! Já fui candidato e sei que são necessários recursos para estrutura mínima e profissional que exigem várias atividades prévias. Não consegui viabilizar esses recursos com a devida antecedência”, afirmou ele, que foi substituído pelo jovem deputado estadual Goura Nataraj (PDT). Goura diz que pretende levantar a bandeira de uma cidade sustentável e realmente democrática.

Bipolar

O presidente Jair Bolsonaro oficializou na noite deste domingo, 13, o veto a uma parte do perdão a dívidas de igrejas que havia sido aprovado pelo Congresso Nacional. Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência da República afirmou que Bolsonaro se mostra favorável à não tributação de templos e que, apesar dos vetos, o governo vai propor “instrumentos normativos a fim de atender a justa demanda das entidades religiosas”, sem citar quais.

Sem consciência

A secretária da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, anunciou a bandeira laranja que começou a valer no dia 7. E os curitibanos tomaram como um sinal de liberação para cair na farra e desrespeitar todas as normas de prevenção contra a Covid-19. “As pessoas talvez entenderam que estava tudo liberado, que podia tudo. Lamentavelmente, com muita tristeza e preocupação, vamos (aumentar as restrições) no sentido de proteger a cidade. A gente diz isso quase chorando”, afirmou a secretária na ocasião.

Retrocesso

Mais do que os números relacionados à pandemia, o comportamento de uma parcela significativa da população ajuda a entender o retrocesso no enfrentamento à Covid-19. Os flagras no final de semana provam a falta de consciência e o agravamento da transmissão do coronavirus. Curitiba registra uma média de 48 denúncias de aglomeração e pedidos de fiscalização em comércios e templos religiosos.

Nova política

O prefeito de União da Vitória, Santin Roveda, decidiu: não vai disputar a reeleição em 15 de novembro. “Estou fazendo uma política diferente e durante esses três anos e nove meses, sempre afirmei que não tenho o interesse de fazer da política uma profissão que pode comprometer o trabalho realizado, e ainda a ser entregue, em politicagem ou num vale tudo para garantir um segundo mandato”, disse Roveda.

Oferta e procura

As interpretações desastradas sobre o aumento dos preços dos alimentos, que levou algumas figuras a defenderem a criação dos “fiscais de Bolsonaro”, ignoram a lei básica da economia: da oferta e da procura. Com o confinamento, o brasileiro passou a comer mais. Soma-se a essa predisposição o impacto do auxílio emergencial no orçamento dos mais pobres, que destinam uma parcela expressiva dos recursos para alimentação. Nos gabinetes da área econômica já teriam sido feito simulações que estimam o peso do brasileiro em média em um quilo durante a pandemia.

Macarrão

Enquanto não chega o arroz a zero, alguns dirigentes de associações de supermercados estão sugerindo que os consumidores se bandeiem para o macarrão. Agora, espera-se a inflação da carne. É esperar para ver.

Faxina

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE quer acelerar o julgamento dos processos que envolvem abusos de poder político e econômico por governadores ou ex-candidatos a governos do estado. A ordem é limpar a pauta até 2022, quando muitos dos atuais réus deverão estar na disputa de novo, um dos primeiro julgamentos que deve ser concluído e do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho. O relator já votou por sua inelegibilidade. Ele é acusado de ter liberado benefício da Previdência Estadual da Paraíba com fins eleitoreiros.

Show de Trump

A administração de Donald Trump está pressionando estados para que sejam rápidos na definição dos locais e apronte a logística necessária para a distribuição em massa de vacinas contra a Covid-19. Ele quer colocar na rua os primeiros lotes no dia 1º de novembro, antes da eleição marcada para o dia 3 daquele mês. Tem gente que duvida que ele consiga, tem gente que acha que ele fará. Trump com certeza se beneficiará politicamente dessa operação de guerra que pretende montar. Será um show.

Fake news

Circula na internet vídeo de um minuto e meio, narrado em português com legendas em espanhol, que conta mentira sobre o governo do peronista Alberto Fernández na Argentina. Afirma que a pobreza no país saltou de 35% para 50% desde que Fernández assumiu. O presidente assumiu dia 10 de dezembro do ano passado o que inviabiliza essa contabilidade. Afirma também que a polícia está assassinando e fazendo desaparecer pessoas que não cumprem confinamento de pandemia. É o “Gabinete do ódio” de lá funcionando a todo vapor.

Exagero

Discurso de Augusto Aras na posse de Luiz Fux bajula mais o novo presidente do STF do que bajulou Dias Toffoli no dia anterior. Aras disse que o ministro Fux “alia a mente de Atenas à força de Esparta”. Até estatuas gregas teriam ficado envergonhadas com a rasgação de seda.

Apoio ao PSDB

Aos 75 anos, Marta Suplicy, ex-prefeita e ex-senadora promove uma reviravolta em sua trajetória ao firmar apoio na eleição de São Paulo a um chapa encabeçada pelo PSDB, partido que fez oposição dura à sua gestão na cidade de entre 2001 e 2004. Para apoiar Bruno Covas, ela deve deixar o partido, desta vez o Solidariedade, que decidiu se aliar a Márcio França (PSB).

Mão estendida

Ao atravessar a Praça dos Três Poderes para comparecer às homenagens a Dias Toffoli, na véspera da posse de Luiz Fux, Bolsonaro quis demonstrar a disposição de esquecer as duras críticas de 7 dos 11 ministros do STF, consideradas “causticas” pelo ministro Marco Aurélio de Mello, que a partir de 1º de novembro assume o posto de novo decano da Alta Corte. Ele fez gesto semelhante comparecendo à posse do presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que dias depois lhe fez duras críticas.

Acordo

O governo federal e o Congresso Nacional encaminharam um acordo para a derrubada, semana que vem, do veto à prorrogação da desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. O benefício será estendido até o fim de 2021. A medida impacta cerca de 6 milhões de empregos e tem custo estimado em R$ 10,2 bilhões, segundo cálculo da equipe econômica.

Saúde

A empresa nem começou a operar, mas José Seripieri Filho já fez planos de abrir o capital da QSaúde. Trata-se do plano de saúde que Seripieri comprou recentemente de sua empresa a Qualicorp, isso depois de receber R4 150 milhões da companhia em um acordo de não-competição que, posteriormente, foi revisto.

Cutucão

Ainda na cerimônia de quarta-feira no STF, o presidente Bolsonaro encarnou sua melhor versão de “paz e amor”. Pediu que “Deus ilumine a todos”, mas tratou de lembrar que chegou ao cargo pelo voto e eles por indicação política.

Dobro

Ancora do BBC América disse, com direito a legenda, que o Brasil registra “400 milhões de infectados”, ou seja, duas vezes mais a população brasileira e 100 vezes o número real de casos.

Dois tons

No discurso de posse, Luiz Fux disse que “a harmonia entre os poderes não se confunde com contemplação e subserviência”. Depois sugeriu que o Supremo pode passar a se omitir em debates caros ao governo. Criticou a “judicialização vulgar” de questões “permeadas de desacordos morais”. “Essa prática tem exposto o Poder Judiciário, em especial o Supremo, a um protagonismo deletério, corroendo a credibilidade dos tribunais”. São dois Fux, pelo que se deduz.

Le roi c’est moi

Os discursos dos presidentes da Câmara, Senado e STF foi mais uma manifestação de confusão entre as pessoas físicas que ocupam cargos e as instituições. Os três acham que são as instituições que comandam.

Teste

Ofício do Ministério da Economia à Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça, questionando a notificação a supermercados e produtores pela alta do preço dos alimentos da cesta básica representará, mais até que a reedição de embate interno do governo, um teste provocado pelo próprio ministro Paulo Guedes. Ele quer verificar o grau de apoio de Bolsonaro com o qual ainda conta, em tentativa de reafirmar autoridade sobre a condução da política econômica.

Disputa

Três consórcios estão na disputa por uma das licitação mais cobiçadas da temporada: a atualização dos sistemas da hidrelétrica de Itaipu, um contrato que pode chegar a US$ 1 bilhão. Voith-Simens-Tractebel, GE Hydro-GE Grid e Andritz-Asea Brown Bovery concorrem pela bolada.

Frases

“Não existe democracia sem um Poder Judiciário independente que também não existe se os juízes não tiverem garantia física e moral de atua.”

Alexandre de Moraes, do STF.