PELA MENOR TARIFA

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Se alguém tinha dúvida, ontem ela caiu. As novas concessões de pedágio não serão feitas pelo modelo atual e também será como quer o governo Bolsonaro. Todas as forças políticas, sociais e econômicas defendem o novo pedágio pelo menor preço. Isso ficou demonstrado de forma cabal na reunião de hoje, quando o governador Ratinho Jr, em Brasília, com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, reafirmou a posição do Paraná em defesa das novas concessões de pedágio nas rodovias do Estado por menor tarifa.

O ministério tem defendido um leilão em modelo híbrido, por menor tarifa com limite de desconto de 17%, e o pagamento de um valor de desempate pelas empresas, que seria revertido nas próprias concessões, através de obras ou redução de preço. O modelo defendido pelo ministro prevê ainda um degrau tarifário de 40% após as duplicações de rodovias.

Ontem, Ratinho Jr já teve um encontro com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, para tratar do mesmo assunto. “Acabamos de sair de uma reunião importantíssima com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. O governo federal e o ministério tem ainda finalizado a proposta para apresentar ao Paraná. E nós, obviamente, reiteramos aquilo que é o desejo de toda a população do Paraná, que é ter a tarifa mais baixa, ter obras e automaticamente, ser na Bolsa de Valores para ter transparência”, disse o governador.

MODELO ATUAL

As atuais concessões do pedágio terminam em novembro. O governo federal pretende fazer a a nova concessão por 30 anos de 3.327 quilômetros de estradas federais e estaduais – 834 quilômetros a mais do que as atuais que vencem em novembro, e um investimento de R$ 42 bilhões. A concessão seria dividida em seis lotes, 42 praças de pedágio, 15 praças a mais do que atualmente.

RESUMO DA ÓPERA

  O ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou à CPI da Covid, na manhã desta terça-feira, que não fez nenhuma declaração anti-chinesa e que não houve nenhuma hostilidade ao país por sua parte. O presidente da CPI, Omar Aziz, disse que  Ernesto mente sobre declarações em relação à China. O ex-ministro disse que nunca teve “nenhum atrito” com os chineses e negou ter feito declarações contra o país asiático. Durante o depoimento, Araújo confirmou negociações do Itamaraty para comprar cloroquina no começo da pandemia. Resumindo: o depoimentos de Erneste rendeu muito pouco, quase nada para a CPI

BLINDAGEM GERAL

Em 2016, na CPI da Funai e do Incra, Eduardo Bolsonaro disse que quem pede habeas corpus para não falar é “covarde” e “não tem um pingo de vergonha na cara”. Agora, ele e o irmão Flávio Bolsonaro são a favor de que Eduardo Pazuello preste todos os esclarecimentos.

AO CONTRÁRIO DO PAI

Já Bolsonaro concordou com a apresentação do habeas corpus pela AGU depois de uma reunião com Pazuello no Alvorada. Pazuello foi ao seu encontro depois de ter adiado seu depoimento na CPI alegando precisar fazer quarentena. Antes, já tinha recebido no hotel onde se hospeda o ministro Onyx Lorenzoni. Detalhe: a expectativa é que os outros integrantes do governo recorram ao mesmo expediente de Pazuello, dado o precedente.

DISPUTA

Os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, travam uma disputa particular por protagonismo nos bastidores do Congresso. Desde que o Orçamento passou a trazer dificuldades de negociação, os dois passaram a se estranhar. Na história da política brasileira, chefes de ambas as Casas acumularam desentendimentos. Nesse caso, o descontrole acontece cedo demais. Lira diz que Pacheco quer ganhar projeção nacional (ele alimenta sonhos presidenciais).

ANTIGO CHEFE

Rodrigo Garcia, agora no PSDB, quer paz com o antigo chefe, o ex-governador Geraldo Alckmin, de quem foi secretário do governo por oito anos. E espera estar junto com ele nas eleições de 2022. Garcia imagina, se sair candidato a governador, que Alckmin sai para Câmara Federal (a vaga para o Senado é de José Serra). Alckmin confia nas prévias e, se não houver, aceita convite de outro partido. Já tem pesquisas de intenção de votos que lhe dá grande distância à frente de Garcia para o governo de São Paulo.

PALANQUE, NÃO

Apesar do depoimento do representante da Pfizer colocar Carlos Bolsonaro, mais uma vez, no centro das decisões tomadas pelo governo federal, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) rechaça a ideia de convocá-lo ao colegiado por enquanto. Acredita que a ida à CPI daria palanque ao filho do presidente e ainda abriria brecha para que negasse as afirmações de testemunhas.

VAI AUMENTAR

Bolsonaro pode chamar o relator da CPI da Covid de “vagabundo” e o vice-presidente do colegiado de “senador Dpvat”, mas ao promover um varejo de negociações em troca de apoio indicou de que forma quer aumentar sua relação com o Legislativo. O modelo não é nada inovador e deve ser amplificado num futuro próximo. Quem viver, verá.

OUTRO NOME

Quem diria: Marcelo Queiroga e sua equipe no Ministério da Saúde, em discursos públicos, tem se referido à vacina Coronavac pelo seu nome menos conhecido, Sinovac. Quer evitar dar palco e projetar João Doria, adversário de Bolsonaro. Há quem aposte que a ideia é de Carlos Bolsonaro.,

EM ALAGOAS

Alertado pela pesquisa Datafolha que perde feio para Lula no Nordeste, Bolsonaro viajou para Alagoas e chamou para ciceroneá-lo o prefeito de Maceió, o famoso da JHS, uma das lideranças do Centrão, Arthur Lira e o presidente que ganhou impeachment no passado, Fernando Collor de Mello. E achou que é um grande marqueteiro político.

MINISTRO

As pesquisas eleitorais estão precipitando articulações em torno do que realmente interessa: quem vai assumir o Ministério da Fazenda. Dentro do partido, Fernando Haddad começa a despontar para comandar a “nova velha” Pasta que deverá ser criada no lugar do Super Ministério da Economia de Paulo Guedes. Seria uma forma de compensar Haddad caso ele não saia candidato ao governo de São Paulo. Detalhe: ele fez mestrado de economia.

ATÉ CERVEJA

Enquanto grande parte dos brasileiros ainda espera chegar a sua vez de vacinar contra covid-19, empresas americanas e governos locais oferecem incentivo para que trabalhadores se imunizem contra o vírus. As iniciativas incluem pagamento de funcionários no local da vacinação, oferecimento de bônus e até cerveja de graça para quem comprovar que tomou a vacina.

“NEOCURANDEIRISMO”

O Ministério da Saúde está querendo fazer uma live semanal com Marcelo Queiroga e a infectologista Luana Araújo, recém-nomeada para a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à covid-19. Seria uma prestação de contas das medidas adotadas pelo Ministério no combate à pandemia. O problema seria segurar a moça, que já assumiu tachando as insistências de Bolsonaro em relação ao coronavírus como “neocuraderismo”.

FORA DO FOCO

Lindbergh Farias está tentando convencer Lula de que o PT precisa lançar um candidato ao governo do Rio. No caso, ele mesmo. Lula desconversa. Por outro lado, o Partido Novo ronda o tucano Eduardo Leite. A aposta é que Leite, espremido por Doria seria um candidato mais forte do que Amoedo. Em algumas pesquisas Amoedo tem entre 1% e 2% e Leite, traço.

ATÉ MDB

Além de contatos com a esquerda, Lula também conversou em sua circulada em Brasília, nesses dias, com líderes do centrão e até do MDB, partido que pilotou o impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

SURPRESA

O PIX acaba de completar seis meses de funcionamento pleno, com uma adesão que surpreendeu fortemente o Banco Central, instituições financeiras e especialmente especialistas que acompanham o setor. Em abril, o sistema já tinha 230,6 milhões de chaves cadastradas e 1,5 bilhões de transações realizadas, refletindo a ampla aceitação do sistema, especialmente por pessoas físicas que rapidamente vem substituindo TEDs e DOCs.

NÃO É SEU FORTE

A chave do depoimento de Eduardo Pazuello será a paciência, o que nunca foi uma de suas características principais. Ele está até ensaiando ficar de boca fechada porque sabe que a estratégia dos senadores de oposição será tentar tirar o general do sério. E mais: ninguém irá chamá-lo – exceção aos bolsonaristas – de “general”. Será “senhor”, o que já será um esforço para a maioria.

APOIO

Ainda Pazuello: nos últimos tempos e mais ainda nesses dias que antecedem seu depoimento, ele arrumou um bom “amigo” para ajudar a reduzir a ansiedade. Está tomando Lexotan, com receita médica.

FRASES

““É necessário mudar a dinâmica da negociação com o governo federal.”

Luiz Cláudio Romanelli, deputado, sobre as novas concessões de pedágio