PAZUELLO BLINDA BOLSONARO  

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Na CPI da Pandemia, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello mostrou-se preocupado unicamente em blindar Jair Bolsonaro. Não admitiu nenhuma afirmação dos senadores que pudesse responsabilizar o presidente da República, mesmo que suas afirmações fossem desmascaradas pelos fatos.

Disse, por exemplo, que a pasta apoiou medidas restritivas de Estados e municípios independente de ideologia. O presidente Jair Bolsonaro critica recorrentemente esses tipos de decisão de governadores e prefeitos.

Ou seja, desviou das acusações e sempre que pode atribuiu responsabilidades aos governantes locais. Lembrou que o STF decidiu, em abril de 2020, que Estados e municípios têm autonomia para tomar as medidas que acharem necessárias para combater o coronavírus. Governadores e prefeitos também podem definir o que são serviços essenciais.

Ele disse que nunca foi orientado pelo presidente Bolsonaro, que defende o uso da cloroquina, para implementar o chamado tratamento precoce.  “O que o Ministério da Saúde fez foi só isso, seguindo o Conselho Federal de Medicina, de uma forma clara, dizer: a prescrição é do médico. E outra coisa, isso é o que eu acho, é o que eu penso. Essa calça não veste em mim, eu não acho que se deva distribuir medicamento “a”, “b” ou “c” por aí sem prescrição médica. Eu não concordo com isso, e eu não deixei isso”, completou.

COMEMORA

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) afirmou que o recuo do governo em relação ao programa de concessão de rodovias respeita os interesses dos paranaenses. “A mudança de rumo teria que acontecer, em respeito ao que a sociedade paranaense tem manifestado. O eco da voz do Paraná finalmente chegou em Brasília”, disse.

PONTO PARA RATINHO

Romanelli elogiou a decisão do governador Ratinho Jr (PSD) de levar ao presidente Jair Bolsonaro a situação do processo de concessão e defendeu uma licitação pelo menor preço da tarifa. “Me parece que a pressão teve resultado. Vamos aguardar a nova proposta, esperando que realmente atenda aos anseios do nosso Estado”, afirmou.

GOURA ACUSA

O deputado estadual Goura (PDT) denunciou a Prefeitura de Curitiba ao diretor regional da Agência Francesa de Desenvolvimento (ADF) Brasil e Cone Sul, Philippe Orliange, por violações aos direitos humanos cometidas no Bairro Caximba no dia 15 de abril último. Segundo a denúncia, na ocasião, a prefeitura ordenou a destruição de 11 moradias desalojando 11 famílias em um dos piores momentos da pandemia no país. O local conta com projeto financiado pela AFD Brasil e Cone Sul.

SALLES NA CHINCHA

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira buscas contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e servidores do Ibama e da pasta. O prédio do Ministério em Brasília FOI um dos alvos. A operação, batizada de Akuandaba, foi deflagrada por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o afastamento do presidente do Ibama, Eduardo Bim, por suspeitas de irregularidades.

CORRUPÇÃO DA GROSSA

Foram 35 mandados de busca e apreensão em cumprimento no Distrito Federal, em São Paulo e no Pará. A operação apura crimes contra a administração pública (corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando) praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro. Salles e servidores do Ibama tiveram os sigilos bancários e fiscais quebrados.

XÔ BOLSONARO

Os partidos nanicos que conseguiram cumprir as novas exigências da legislação eleitoral, além de tempo de televisão, ganham também direito aos Fundos Partidário e Eleitoral, que deram R$ 359 milhões ao PSL pelo resultado da eleição de 2018. E por isso mesmo que Luciano Bivar não aceitou o que Bolsonaro queria para retornar ao partido: controle das finanças, controle dos diretórios estaduais e das decisões da Executiva nacional.

SEM CARTA BRANCA

Até o PRTB, partido onde está o vice Hamilton Mourão, hoje controlado pela família de Levy Fidelix, não aceitou as exigências de Bolsonaro, que queria carta branca.

GRANDE NEGÓCIO

Em seus tempos de deputado federal, Bolsonaro trocou de partido nove vezes, mas agora não consegue encontrar o décimo. Ele achava que, por ser presidente e um dos favoritos de 2022, poderia entrar numa legenda sem maiores problemas, mesmo com todas suas exigências. Não tem dado certo. No Brasil controlar um partido é um grande negócio, caso contrário, não haveria 33 agremiações no país, enquanto o TSE analisa outras 70 legendas. E hoje, a vitória de Bolsonaro está deixando de ser uma certeza.

MUDABÇAS NA GLOBO

Algumas mudanças na Globo já estão em andamento: César Tralli passa a comandar o Jornal Hoje e Maju Coutinho assume o lugar de Poliana Abrita no Fantástico. Poliana pode comandar o Globo Repórter ou ser repórter do programa. Sandra Anneberg pode ser afastada depois de 33 anos na emissora. E Chico Pinheiro poderá deixar a bancada do Bom dia, Brasil.

HOTÉIS

Empresários do setor hoteleiro, um dos mais duramente atingidos pela pandemia, estão articulando um encontro com o presidente Jair Bolsonaro. O meio de campo tem sido feito com Flávio Bolsonaro, o “01”, relator da nova Lei Geral do Turismo no Senado.

ESTATÓLATRA

O governo do presidente Jair Bolsonaro deve criar pelo menos duas novas estatais neste ano – a NAV Brasil e a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear). Ambas são de área militar. O Brasil tem 138 empresas estatais federais. Se contabilizadas as companhias que pertencem aos Estados e municípios e não apenas à União, o total passa de 400. Nos Estados Unidos, existem mais de 35 mil estatais.

É GUERRA

No Congresso, representantes de siglas que dão sustentação ao governo afirmam que manterão apoio a Bolsonaro. Ressaltam, contudo, a necessidade de se buscar uma agenda positiva. A diferença entre o presidente e Lula nas últimas pesquisas está no eleitorado do Nordeste pobre que o ex-presidente já foi buscar. Os assessores de Bolsonaro esperam que o avanço da vacinação contribua para impulsionar o crescimento da economia nos próximos meses – e aí está grande parte do eleitorado do Capitão.

RENEGOCIAÇÃO

O Senado tem em tramitação um projeto do presidente da Casa, Rodrigo  Pacheco (DEM-MG) para renegociação de dívidas tributárias que preocupa o governo por conta do desenho muito semelhante ao passado.

            VIRA FILME

O secretário da Cultura, Mario Frias, está conversando com Bolsonaro: quer fazer um documentário sobre a vida do presidente e já no segundo semestre. Seria exibido em alguma plataforma de streaming ou mesmo numa das emissoras que apoiam o Capitão. Dependendo, pode ser uma série de quatro rounds.

            PEDE APOIO

Sob forte pressão de exilados da CBF, o presidente da entidade, Rogério Caboclo, foi buscar apoio político de Jair Bolsonaro para se manter no cargo. O meio do campo foi feito pelo deputado federal Marcelo de Aro, que ocupa também o cargo de diretor de Relações Institucionais da Confederação.

NA FOTOGRAFIA

A China tem embaixador em Brasília e o Brasil tem embaixador em Pequim e até chefes de Estado e de governo há 14 meses realizam reuniões por videoconferência. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), contudo, quer ir à China a fim de negociar a compra de vacinas e insumos. Alguns colegas acham que a viagem renderá boas fotos. A passagem de ida e volta, de primeira classe, custa R$ 115 mil.

MENOS

Dados do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos revelam queda no número de mortes de crianças e adolescentes por violência no Brasil. O total de óbitos em 2020 fica abaixo dos seis mil contra 6.818 em 2019. Entre 2012 e 2018, em média, 10.600 crianças e adolescente morreram vítimas da violência.

DE VOLTA

Na esteira da recente operação policial no Jacarezinho, no Rio, que deixou 27 mortos, o governador Cláudio Castro está pensando em recriar a Secretaria de Segurança Pública, aglutinando as Polícias Militar e Civil, além da gestão penitenciária. Argumento a favor: o atual modelo de fragmentação da área de segurança foi desenhado por seu antecessor – e desafeto – Wilson Witzel.

REMENDO

A equipe econômica está pensando em propor uma emenda constitucional na PEC Emergencial. Seria pensada na eventualidade do governo ter de conceder nova rodada de auxílio emergencial – a atual, de R$ 44 bilhões, vai somente até julho. Esse remendo constitucional poderia ter outra função: lubrificar uma futura emenda que permitisse alguma compensação de recursos gastos com a pandemia em 2020.

POR E-MAIL

A jornalista Carla Cecato, foi demitida da Record. Após 16 anos de trabalho com passagem pelo Jornal da Record, Domingo Espetacular e Tudo a ver  (onde foi revelada). A surpresa não foi a demissão e sim como foi demitida: por e-mail, que pedia para comparecer ao RH, onde descobriu que seu contrato havia sido encerrado.

FRASES

“Eu nunca recebi ordens do presidente como ministro da Saúde.”

Eduardo Pazuello, general, ex-ministro da Saúde na CPI.