Em histórica visita ao Canadá, o Papa Francisco pediu desculpas pessoalmente a indígenas, no dia 25 de julho, pelos abusos cometidos em internatos do país, durante os chamados processos de assimilação forçada dos povos nativos à sociedade cristã.

De acordo com o pontífice, tais políticas “catastróficas” destruíram as culturas de povos indígenas, separaram famílias e marginalizaram gerações. Foi um “erro desastroso” e incompatível com o Evangelho, afirmou, acrescentando que mais investigações são necessárias.

“Com vergonha e sem ambiguidade, peço humildemente perdão pelo mal cometido por tantos cristãos contra os povos indígenas”, disse Francisco diante de centenas de sobreviventes e indígenas reunidos em um antigo internato na cidade de Maskwacis, na província de Alberta.

Desde o final do século XIX até a década de 1990, cerca de 150 mil crianças indígenas foram matriculadas em 139 internatos, onde passaram meses ou anos isoladas de suas famílias, idioma e cultura. Muitas delas sofreram abuso físico e sexual por diretores e professores. Acredita-se que milhares morreram de doenças, desnutrição ou negligência.

Em maio de 2021, mais de 1.300 sepulturas não identificadas foram descobertas nos locais das antigas escolas, em Columbia Britânica e em Saskatchewan. As instalações eram financiadas pelo governo, e a maioria delas era gerenciada pela Igreja Católica.

Dirigindo-se às vítimas em Maskwacis, o papa implorou que os sobreviventes praticassem o perdão, a cura e a reconciliação com a Igreja Católica, pelo papel que ela desempenhou no programa.

“Peço perdão, em particular, pela maneira como muitos membros da Igreja e de comunidades religiosas cooperaram, inclusive com sua indiferença, em projetos de destruição cultural e assimilação forçada”, afirmou o pontífice de 85 anos.