Os britânicos e o Norte do Paraná

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Juraci Barbosa Sobrinho

Parte III – “A permanência de Lord Lovat entre o Norte do Paraná e Oeste de São Paulo foi suficiente para que fizesse uma estimativa da imensa riqueza a explorar, constituída de solos de maravilhosa fertilidade e muita madeira”

O interesse dos britânicos ia além das terras férteis paranaenses. Com a gigantesca quantidade de madeira de lei, uma das principais fontes de renda seria a exportação de madeiras.

O futuro das terras onde nasceriam muitas cidades, entre elas Maringá, começava a ser delineado. Lovat regressa a Londres em abril de 1924 e organiza a fundação da Brazil Plantations Syndicate Limited, com capital de 200 mil libras esterlinas. Logo instala uma agência da empresa no Brasil.

A partir de 1922 o governo paranaense começou a conceder glebas a algumas empresas privadas de colonização, empregando recursos para construir trechos de estradas.

A Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), que viria a ser uma das maiores corporações de capital privado instaladas em território brasileiro, foi fundada em setembro de 1925. Pouco tempo após a constituição, em Londres, da Paraná Plantation Ltd, com capital de 750 mil libras esterlinas.

A companhia comprou fazendas no estado de São Paulo, nos municípios de Birigui e Salto Grande, para o cultivo de algodão, mas tinha planos mais ambiciosos.

No Paraná, os britânicos começaram comprando títulos e direitos de posse para, em seguida, adquirir novamente do Estado as mesmas terras, conforme relata o livro comemorativo da Companhia.

Eles se reuniram em Curitiba com o presidente do estado do Paraná, Caetano Munhoz da Rocha, a quem propuseram comprar “a preço de lei”, as terras devolutas da região.

Parte das terras que estava sendo adquirida pelos britânicos era “grilada”. No livro da Companhia (1975), consta que os representantes da empresa propuseram ao presidente do estado do Paraná “comprar títulos de concessão inseguros outorgados pelo estado (…) assegurando-lhe que ficariam a cargo da Brazil Plantations”, da qual eram representantes, todas as despesas para liquidar as posses ilegítimas.

A primeira escritura de venda pelo Estado à CNTP foi lavrada em 25 de outubro de 1925: eram 847 mil hectares. Isso representaria apenas cerca de 65% do total definitivamente adquirido em 24 de outubro de 1952, quando a Companhia já estava sob o comando de brasileiros, totalizando 13.165 quilômetros quadrados. Para se ter uma ideia, era equivalente a 14% da área territorial do Paraná…”.