Até há pouco tempo as grandes casas: MET – The Metropolitan Opera (Nova Yorque) e a Royal Opera House (Londres) quando exibiam um espetáculo, exibiam para os espectadores presenciais que lotavam suas casas. Porém, com a possibilidade da transmissão de operas e ballets por meio de cinemas a amplitude dos seus espetáculos deslanchou. Só a Royal Opera House transmite simultaneamente para 1.500 cinemas de 40 países – no Brasil via Cinemark – em Curitiba – Shopping Mueller e Barigui. A opera “Ifigênia in Tauris” com Plácido Domingos no papel de Orestes foi vista por seis milhões de pessoas de uma só vez.

2- AOS SÁBADOS

A programação dos espetáculos é divulgada com antecedência e os apreciadores podem se programar para ir ao cinema – normalmente aos sábados à tarde, dependendo de que casa está sendo transmitido o espetáculo, Nova York ou Londres. Aqueles que assistem, via cinema, têm a vantagem de ver detalhes dos cenários, dos cantores e do making off, pois durante a espera (ao vivo) – repórteres entrevistam cantores, maestros, cenaristas, etc. Aos poucos o público está tomando conhecimento das transmissões e enchendo as casas.

A possibilidade das transmissões de dados via computador/internet (streaming) mudou o mundo, tanto para a educação, principalmente a corporativa, quanto para transmitir operas e shows. É o admirável mundo novo, de novo.


 

BATE-PAPO E SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DE “MAIS LAIQUIS”

José Carlos Fernandes
José Carlos Fernandes
Marcio Renato dos Santos (Foto Fabiola Mann)
Marcio Renato dos Santos (Foto Fabiola Mann)

A Livrarias Curitiba promove bate-papo seguido de sessão de autógrafos de Mais laiquis, livro de contos de Marcio Renato dos Santos, dia 17 de junho (quarta-feira), a partir das 19h30, na loja do Shopping Estação. A mediação será realizada por José Carlos Fernandes, jornalista, doutor em Letras e professor na UFPR. Mais laiquis custa R$ 40. A entrada é franca.

2 – CARACTERÍSTICAS

O evento permitirá ao público dialogar com o autor sobre as características da obra que, no título, faz menção à prática de dar likes em postagens de textos e fotos no Facebook e no Instagram. “Os personagens enfrentam impasses no tempo presente e alguns deles só pensam em dar likes, fazer selfies e estar em visibilidade o tempo todo”, diz o escritor. Mas, completa o contista, nem tudo em Mais laiquis é apenas realidade virtual: “Há contos em que os personagens não sabem se estão vivos, mortos ou dentro de pesadelo”.

3 – FESTIVAL DO CONTO

Mais laiquis, lançamento da Tulipas Negras, é o quarto livro de contos de Marcio Renato dos Santos. O escritor curitibano estreou com Minda-au, publicado pela Record em 2010. Em 2013, a Travessa dos Editores viabilizou Golegolegolegolegah! e, ano passado, o autor lançou, pela Tulipas Negras, 2,99 — além de ter escrito, a convite da Casarão do Verbo, o Dicionário amoroso de Curitiba, obra formada por verbetes sobre a capital do Paraná.

Recentemente, dia 20 de maio, Marcio Renato dos Santos participou do 5.º Festival Nacional do Conto, em Florianópolis — o único da América Latina dedicado ao conto.


 

BIA WOUK, VOLTA A CURITIBA

Bia Wouk: mudança
Bia Wouk: mudança

Quem está em Curitiba é a pintora Bia Wouk, dos nomes mais importantes das artes plásticas do Paraná, um dos ícones da geração 1970, juntamente com Carlos Eduardo Zimmermann e Osmar Chromiec.

Ao fim de 10 anos seguidos vivendo no exterior, ao lado do marido, o diplomata e escritor João Almino, ela está de volta ao Brasil. O casal tem apartamento em Curitiba (Rua D. Pedro II), o qual Bia está preparando para residência da família.

João, autor de obras como “Cidade Livre” e “O Livro das Emoções”, está lançando “Enigmas da Primavera”, num périplo de noites de autógrafos em São Paulo e Brasília.


 

NOVA MISSÃO NA “CARRIÈRE”

João Almino: cooperação internacional
João Almino: cooperação internacional

Depois de ter servido em diversos países, em circuitos cobiçados, como Paris, Nova York, San Francisco, Madri – João Almino se dividirá entre Brasília e Curitiba (nos feriados prolongados, virá para cá).

O Itamarati, que sabe muito bem quão precioso é um diplomata do porte de João Almino, designou-o para dirigir um organismo ligado ao MRE, e de grande importância na política de relações exteriores. É a Agência Brasileira de Cooperação, que trata – literalmente – de todos os projetos conjuntos de cooperação do Brasil com outros países.

João Almino ocupava o cargo de cônsul geral do Brasil em Madri até semanas atrás.


 

OPINIÃO DE VALOR

IGREJA É PARTE LEGÍTIMA PARA DEFENDER PROPRIEDADE REGISTRADA EM NOME DE SANTO

(Decisão do STJ)

Um terreno doado a São Sebastião pertence à Igreja Católica. A decisão é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que refutou o argumento segundo o qual a Mitra Diocesana não poderia agir no processo por falta de autorização para representar os interesses do santo. Para os ministros, a doação a santo presume-se que é feita à igreja, uma vez que, nas declarações de vontade, vale mais a intenção do que o sentido literal da linguagem. Essa é a regra do artigo 112 do Código Civil (CC).

Nascido no século 3 na cidade francesa de Narbonne, primeira colônia romana fora da Itália, São Sebastião é o santo defensor da igreja. Sua generosidade, amplamente reconhecida entre os católicos, foi retribuída por fiéis com a doação de um terreno no município de Paracatu (MG).

A área de 350 hectares, dentro da fazenda Pouso Alegre, foi registrada em nome do próprio São Sebastião, em 1930. A Mitra Diocesana de Paracatu vendeu grande parte do imóvel, reservando 45 hectares onde estão localizados a igreja de São Sebastião, um cemitério centenário e uma escola. A igreja, atualmente, está sendo restaurada pelo Patrimônio Histórico Nacional e por fiéis.

DECISÃO

Na década de 90, um casal conseguiu na Justiça a retificação da área da fazenda para incluir os 45 hectares de São Sebastião. A Mitra ajuizou ação de anulação da retificação. O juiz de primeira instância, considerando “induvidoso que a Igreja Católica, por meio de seu bispo diocesano, representa os interesses dos santos no plano terreno”, afastou a alegação de ilegitimidade ativa da Mitra e declarou nula a retificação de área, decisão mantida pelo tribunal estadual.

SEM AUTORIZAÇÃO

No recurso ao STJ, o casal contestou a possibilidade de São Sebastião receber doações e a legitimidade da Mitra para representá-lo. Citando o artigo 6º do CC, alegou que “ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei”.

Argumentou que o CC não faz qualquer alusão aos santos como pessoas naturais ou jurídicas dotadas de capacidade civil. “Não há como pleitear direito de uma figura que não é reconhecida no ordenamento jurídico”, afirmou, ao classificar o santo como “absolutamente incapaz”.

“Ainda que se pudesse incluir os santos no rol das pessoas capazes, não existe nos autos qualquer autorização legal para que a recorrida represente o aludido santo”, completou o advogado do casal.

Ele alegou também que o título de transferência da propriedade ao santo seria nulo porque não observou a forma prescrita nos artigos 166 do CC e 176 da Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos).

CÓDIGO CANÔNICO

Para o relator do recurso, ministro João Otávio de Noronha, a regra do artigo 112 do CC autoriza a compreensão de que “quem doa ao santo está, na realidade, doando à igreja”. E de acordo com o artigo 393 do Código Canônico, “em todos os negócios jurídicos da diocese, é o bispo diocesano quem a representa”.

Noronha destacou que a Lei de Registros Públicos, editada em 1973, não se aplica a fatos passados, ocorridos em 1930, ano do registro da propriedade. Além disso, o acolhimento do pedido dos recorrentes geraria uma situação que o relator classificou como curiosa: “Se, eventualmente, fosse declarada a nulidade do título aquisitivo da área registrada em nome do santo São Sebastião, todos os registros subsequentes seriam atingidos, inclusive o dos recorrentes, uma vez que a área retificanda tem origem na própria fazenda Pouso Alegre, outrora pertencente ao santo. ”

O ministro observou ainda que ficou demonstrada no processo a falta de citação de alguns vizinhos quando foi proposta a ação de retificação de área, “circunstância suficiente para a declaração de procedência do pedido de nulidade”.