O ÚLTIMO DUELO, estreia o primeiro oscarizável do ano

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Adélia Maria Lopes

Chega ao cinema, nesta quinta dia 14, O Último Duelo, novo filme de Ridley Scott, responsável por Blade Runner, Alien, Gladiador e Perdido em Marte. Aqui não se trata de aventura de ficção nem épico da era de Cristo. Produzido pela 20th Century, a história se passa numa França medieval, adaptada do romance de Eric Jager, com passagens reais ao relatar o confronto de dois cavaleiros (Matt Damon e Adam Driver), duelistas até a morte após a esposa (Jodie Comer) de um deles denunciar ser vítima de abuso sexual.

No elenco, destaque também para Ben Affleck, que se reencontra com o parceiro Matt Damon, com quem ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original por Gênio Indomável. Os dois são roteiristas de O Último Duelo com Nicole Holofcener. E Adam Driver já pode se candidatar ao Oscar.  Mas Jodie Comer tem luz própria notável.

Ver uma história medieval? ora direis. Pois veja.

Se o novo 007 revê seu machismo, O Último Duelo pode até ser classificado de épico feminista. A história do longa (seus 153 minutos podem até incomodar os desacostumados em ir ao cinema devido ao vírus)  é exibida em três partes: a visão de cada um dos cavaleiros e a ótica da mulher. Os dois trazem suas bravatas e suas desculpas, ela conta como foi violentada pelo amigo do marido, de quebra se vê o machismo da sogra (Harriet Walter, uma pontinha digna de crédito).

E se a mulher ainda hoje sofre discriminação, só conseguiu ter direito ao voto em história recente e ainda padece de muita violência física, social e cultural, imagine na chamada Idade das Trevas! E é nesse cenário taciturno, que uma bela esposa tem audácia de denunciar assédio sexual. Igreja e realeza se juntam para julgar a procedência da denúncia, sabendo-se que apenas o marido pode fazer queixa, pois ele é o ultrajado já que a sua propriedade, ou seja, a esposa, foi violentada. Ela não tem direito nem de ser a vítima. E, ao fim, Deus é o juiz!

Ridley Scott é um nome que atrai cinéfilos. Mas O Último Duelo não pode ser encarado apenas como um filme de um grande diretor. Também são dignos de admiração, e já na mira da festa do Oscar, o roteiro bem adaptado, a performance do elenco (bom rever os astros masculinos mesmo que ofuscados por Jodie Comer), aambientação pontuada pela luz, a incrível montagem e até o elegante e dramático cartaz, que também ilustra a capa do livro em lançamento pela editora Intrínseca.

NAS PÁGINAS

O romance pode ser encontrado à venda no Brasil. A primeira edição data de 2011, pela editora Record. E a recente, da Intrínseca, tem lançamento na estreia do filme. Eric Jager, o autor, é crítico literário especializado em literatura medieval, escreveu vários livros, ph.D. pela Universidade de Michigan e lecionou na Universidade de Columbia.

Resenha de divulgação da Record para o O Último Duelo:

Uma história real de crime, escândalo e julgamento, que levou ao último duelo ocorrido na França medieval sob o decreto do Parlamento de Paris.Com um enredo passado em plena Idade Média francesa, no ano de 1386, O último duelo narra a história de uma mulher que, sob pena de ser condenada à fogueira por injúria e falso testemunho, acusa o melhor amigo de seu marido de estuprá-la.

O caso torna-se um escândalo, não só pela acusação em si, mas por envolver três distintas figuras da nobreza: a jovem e bela Marguerite, filha única de uma rica e tradicional família normanda; o cavaleiro Jean de Carrouges, seu marido, abastado descendente de antiga linhagem de nobres; e o escudeiro Jacques Le Gris, de origem humilde, mas que fez grande fortuna e se tornou membro dileto da corte de um dos mais influentes condes da França.

A acusação é levada ao Parlamento de Paris, que determina que se decida o caso em um “duelo judiciário”, combate armado do qual um homem só sairia vencedor ao matar o seu oponente. No dia marcado para o duelo, uma multidão se reúne às portas de um monastério parisiense para testemunhar a luta entre Carrouges e Le Gris. O lendário duelo ficou conhecido também por ter sido o último ocorrido na França sob o decreto do Parlamento de Paris.Essa história real e dramática se passa durante a devastadora Guerra dos Cem Anos entre a França e a Inglaterra, enquanto tropas inimigas pilhavam terras, a loucura assombrava o trono francês e o Grande Cisma dividia a Igreja. Ao mesmo tempo, exércitos muçulmanos ameaçavam o cristianismo, e as rebeliões, traições e pragas eram temores constantes. Retratando uma era turbulenta e os três personagens inesquecíveis reunidos em um triângulo fatal de crime, escândalo e vingança, O último duelo é um impactante drama humano, uma envolvente história policial e um trabalho minucioso de pesquisa e narrativa histórica.