O que o povo quer

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Resultado de consulta pública feita pela Câmara de Vereadores sobre o Orçamento de Curitiba para 2021 divulgado ontem revela que as prioridades dos curitibanos são mais dinheiro para obras, segurança e saúde. E entre as obras, as mais pedidas são as de melhoramento asfáltico – que tem sido tema de debate na campanha entre os candidatos a prefeito. O resultado da consulta, agora, servirá de base para os vereadores apresentarem emendas à proposta de orçamento da Capital para o ano que vem.

Os três temas concentraram 63% das participações dos cidadãos, segundo os dados divulgados pelo Legislativo municipal. Ao todo, 1.635 cidadãos das 10 regionais de Curitiba participaram preenchendo o formulário no site da Câmara ou interagiram com os perfis oficiais do Legislativo nas redes sociais.

A realização de obras foi indicada por 455 participantes (28%); segurança ficou em segundo lugar, com 375 votos (23%); seguida por Saúde, requerida como prioridade para 196 pessoas (12%). Na sequência estão Educação, com 176 votos (11%); Meio Ambiente, 142 votos (9%); Transporte, 87 votos (5%), Esporte e Lazer, 55 votos (3%); Assistência Social, 52 votos, (3%); Habitação, 45 votos (3%); e Cultura, 34 votos (2%).

Trumpismo no Brasil

O professor da FGV  Oliver Stuenkel diz que a disputa acirrada entre Donald Trump e Joe Biden tem consequências para o Brasil. Para ele, mesmo se a vitória de Trump não se concretizar, o trumpismo terá demonstrado sua força nas urnas. “Trump roubou a alma do Partido Republicano”, avalia. “O trumpismo é um fenômeno que vai se manter, inclusive com reflexos no Brasil”, diz ele, em referência ao presidente Jair Bolsonaro, que se apresenta como o aliado mais leal do atual ocupante da Casa Branca.

Política externa

A política externa brasileira hoje é utilizada para animar a base e funciona muito bem. Ela tem como objetivo manter uma base mais radical do eleitorado, o que é muito importante agora que Bolsonaro está se aproximando do Centrão. Aquele eleitor que votou em Bolsonaro acreditando na revolução precisa da política externa, que continua revolucionária”, afirma Oliver Stuenkel.

Sarney em livro

José Sarney inspirou dois livros sobre sua trajetória política. Um é José Sarney – 60 anos de política, do jornalista americano Ronald M. Schneider e outro é Democracia – Sarney e o desafio da transição, do historiador José Augusto Ribeiro. Schneider considera a redemocratização do Brasil a de mais êxito do continente e Ribeiro mostra Sarney superando o desastre econômico do governo Figueiredo e afastando a ameaça do autoritarismo. Mais: o Serviço Nacional de Informações (SNI) teve a coragem de monitorar Sarney, quando ele era presidente, como mostram mais de 10 mil “informes”.

Para a retomada

Uma das medidas para enfrentar a crise econômica que deve se estender por 2021 é a recriação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda. A proposta foi anunciada pelo candidato a prefeito de Curitiba pelo PDT, Goura, em reunião com o presidente do Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis, Lairson Sena de Souza, e demais diretores. Goura explicou que a secretaria será fundamental para pensar a geração de emprego e renda.

Recuperar empregos

O prefeito de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro (PSD), diz que a principal meta do seu governo é a recuperação dos empregos perdidos na pandemia do coronavírus. Chico Brasileiro destacou que em setembro, a cidade começou a recuperar a abertura dos postos de trabalho. “O Caged que estava negativo, em setembro já foi positivo. Nos próximos meses, vamos continuar tendo um saldo positivo porque o setor de serviços voltou a funcionar, os hotéis voltaram a empregar, o parque nacional do Iguaçu reabriu”.

Penduricalho

Incansável na criação de truques que tornam mais caro o emprego no Brasil, um sindicato tentou emplacar na Justiça do Trabalho, em Minas e Espírito Santo, mais um penduricalho para se juntar no anedotário nacional ao “auxílio-babá”, o “auxílio-peru”: pretendia a criação de um “auxílio-solidão”. A ideia era garantir o pagamento de adicional de 18% do salário para maquinistas ferroviários.

Precedente esperto

O “auxílio-solidão” foi invenção de um sindicato que atua em empresas ferroviárias. A ideia era criar precedente a ser adotado em todo o País. Se a moda pega, o “auxílio-solidão” tornaria mais caro empregar sentinelas, vigilantes, motoristas profissionais, porteiros etc. A ação foi movida contra a Vale, empresa que deveria ser obrigada a indenizar decentemente suas vítimas, e não penduricalhos malandros.

Não colou

O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, “cozinhou” por três meses a votação da derrubada do veto à desoneração da folha de pagamentos de 17 setores. E ainda tentou “faturar” o acordo pela derrubada.

Protagonista

O líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), em nome do Palácio do Planalto, comandou as negociações para viabilizar a derrubada do veto presidencial à desoneração da folha.

Vitória fake

O deputado petista Paulo Teixeira (SP) contou como vitória da oposição brasileira a derrubada do veto à extensão da desoneração em folha. Fake news. Tudo aconteceu por iniciativa e ajuda do governo.

Socorro, Polícia

Merece virar caso de polícia o assédio agressivo de motoristas de aplicativos, avulsos e taxistas no desembarque do Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Até para apurar a omissão da Infraero.

Foi uma vergonha

Ex-presidente da OAB de Alagoas e da Associação Nacional dos Procuradores de Estado, Omar Coelho reagiu à tortura contra a influenciadora digital Mariana Ferrer, vítima de estupro, em audiência judicial de Florianópolis: “fiquei envergonhado, na verdade indignado”.

Peso e balança

As empresas donas das redes sociais e dos veículos de imprensa proibiram Donald Trump de falar que venceu, antes de a eleição acabar, sob ameaça de censura. Joe Biden, fez pronunciamento oficial sobre como “ganhou, mas não ganhou ainda”, sem qualquer repreensão.

Passou vergonha

Entrevistada durante protesto contra Trump, uma brasileira explicou bem o que era feijoada, mas indagada sobre o conservadorismo no Brasil, a porralouca deu vexame: “Bolsonaro é racista porque é amigo do Trump”.

Além da jabuticaba

A urna eletrônica brasileira teria poupado muita gente de quase morrer do coração no EUA.

Reforma

Bolsonaro deve iniciar a segunda metade de seu mandato, em janeiro, com uma reforma que os líderes do governo classificam como “ampla” a fim de contemplar uma nova realidade política à qual teve que se render: o apoio dos partidos do centrão, que o próprio governo classifica de “tranquilizador”, e a eleição para renovar as mesas diretoras do Senado e da Câmara. A maioria dos ministros será trocada, começando por Onyx Lorenzoni e o pessoal do núcleo duro deve continuar.

Antes da eleição

O presidente da Câmara Rodrigo Maia optou por sessões extraordinárias para conseguir que a Câmara produza alguma coisa nas duas semanas que antecedem as eleições. Os motivos podem não ser tão nobres. É que as pautas das reuniões extraordinárias não ficam sujeitas as regras de trancamento por medidas provisórias, mas dessa forma, ficam 100% à mercê dos interesses do presidente, que coloca o que quiser na pauta.

Menos de 7 bi

O Rio de Janeiro atravessará um período dos mais asfixiantes em termos de receita porque as grandes festas estão suspensas. A queima de fogos na noite de passagem de ano e o carnaval misturados à baixa ocupação dos hotéis poderão produzir a perda de R$ 7 bilhões na economia, três meses a partir de dezembro. Só o carnaval movimenta entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões.

Pegou mal

As “caneladas” que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, distribuiu na semana passada só pegaram mal para ele próprio. O deputado foi às redes sociais acusar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de vazar informações sobre uma conversa privada entre os dois. Teve de pedir desculpas depois de ficar claro que estava desinformado. Maia saiu prejudicado também com a briga que arrumou com o ministro Ricardo Salles.

Campanha

O governo vai lançar, nos próximos dias, uma campanha contra o assédio a menores nas redes sociais. Esse tipo de crime disparou durante a pandemia, com a maior permanência de crianças e adolescentes na internet. Detalhe: serão R$ 4,5 milhões em verbas – as mídias amigas como SBT e Record, já partem com um corpo de vantagem.

Mais demissões

Os boatos são que o Santander fará nova leva de demissões até o final do ano. Estima-se 500 cortes. À propósito: em teleconferência com analistas na semana passada sobre as 1,2 mil demissões feitas pelo banco no terceiro semestre, o vice-presidente financeiro disse que “ainda há espaço para melhorias no índice de eficiência do banco”.

Frases

“Se a vacina é tão boa assim deveria começar ser aplicada antes na China. Não quero que a população seja cobaia.”

Celso Russomano, rezando na cartilha de Bolsonaro