fotonarrativa

Casa-de-cultura-Mário-QuintRecentemente estive trabalhando em Porto Alegre, documentando em vídeo um evento que reúne ufólogos de todas as partes do planeta. É o III Fórum Mundial dos Contatados. Nos dias de folga esqueci dos outros planetas e saí caminhando e fotografando sem destino. É o que mais gosto de fazer em qualquer cidade onde eu esteja.

A capital do Rio Grande é uma cidade muito fotografável. Óbvio que um lugar bom para se fotografar é todo aquele onde está alguém que quer encontrar uma boa foto, mesmo onde parece não haver essa possibilidade. Mas em Porto Alegre as possibilidades são muitas.  A Cidade instiga o clique. O centro tem uma combinação que muitas capitais têm, mas com intensidade diferente. A impressão de que “cidade grande é tudo igual”, não convence quem sai flanando por lá.

São inúmeros prédios históricos. Um show de arquitetura eclética, neoclássica e moderna, tudo contrastado por uma grande quantidade de intervenções urbanas com stêncils e lambe-lambes. São mais grafites do que a maioria dos centros e até as pichações são mais pancadas. Isso torna o ambiente muito favorável a associações irônicas, críticas ou aleatórias.

Lateral-do-prédio-da-AlfândEvidente que ver uma pichação “intervindo” ou sujando um prédio de mais de três séculos não é agradável para muitas pessoas. Para a maioria não significa muito e para outros tantos é pura arte. Uma discussão recorrente e interminável como a própria História, na qual não se pode chamar de meros puristas os que defendem a intocabilidade dos prédios centenários, nem de vândalos os que interferem com “novas” linguagens. Para quem tem a fotografia de rua no sangue, esse jogo é excelente. Composições não faltam.

Depois de conhecer outras capitais do Brasil passei a dar mais atenção à Curitiba. É normal que na rotina da própria cidade, a maioria das pessoas nunca pare em frente à uma estátua ou observe a arquitetura dos prédios que estão a cima dos seus narizes. Quando comecei a fotografar, há dez anos, saía por Curitiba fazendo fotos, mas mesmo assim não me dava conta de significados importantes no nosso centro histórico e nas praças. Depois de bater perna por outros centros enxerguei melhor a minha cidade atualmente, se sobra tempo, saio a clicar sem que me arrependa.

É bom que se tenha isso em mente. As vezes uma boa foto está na rua onde moramos ou na esquina em que passamos todos os dias. Vê melhor quem é de fora. Olhe para dentro e veja como é bonito. Viaje pela tua cidade e clique devagar e sempre.

Guilherme Artigas é jornalista e repórter fotográfico www.guilhermeartigas.com