A “identidade múltipla e mutante” do Paraná é retratada na exposição Nosso Estado: Vento e/em movimento, aberta no Museu Paranaense após dois anos de pesquisas. É formada por dois eixos — Deslocamentos por dentro e Deslocamentos pela margem — que se dividem em cinco núcleos cada.

Em Deslocamentos por dentro estão imigrantes relacionados a deslocamentos ocorridos ao longo do século XX, como ucranianos e alemães, passando por migrações contemporâneas de venezuelanos e haitianos; exílios indígenas, como o emblemático caso da etnia Xetá e comunidades quilombolas.

Já o segundo eixo, chamado de Deslocamentos pela margem, é inteiramente dedicado à cultura caiçara. Nele, os visitantes poderão se aproximar dos aspectos relacionados às relações ecológicas, à musicalidade, à religiosidade e festividades das comunidades caiçaras, bem como dos conhecimentos ligados aos saberes e fazeres artesanais dessa população tradicional que habita o litoral paranaense.

Os dois eixos são conectados entre si de forma poética, ao utilizar o vento como metáfora. Isto porque, diz a curadoria da mostra, na cultura caiçara, o vento é norteador para pensar toda a relação deste povo com seu território e modo de vida. O vento também remete ao movimento e à mudança, dois aspectos centrais quando pensamos em deslocamentos. Essa metáfora perpassa todos os textos, os depoimentos e se traduz nos vídeos das paisagens.

São 22 depoimentos. Lembra Gabriela Bettega, diretora do museu: “Todos os depoimentos foram gravados durante seis meses de trabalho de campo em Curitiba, Ponta Grossa e no litoral paranaense por um grupo multidisciplinar, formado por cineastas, jornalistas e pesquisadores acadêmicos, em conjunto com a equipe do Museu. Ao longo das gravações, a equipe posicionou as pessoas entrevistadas como protagonistas nos relatos de suas próprias histórias de vida”.

O conjunto dos 22 depoimentos em vídeo, apresentados em telas que mostram os entrevistados em tamanho real – causando a sensação de estar frente a frente com eles, conversando – é enriquecido com imagens de paisagens emblemáticas do Paraná, como das formações rochosas de Vila Velha, mangues, mar e lagamar do litoral. A mostra conta ainda com aproximadamente 100 objetos que fazem parte do acervo histórico, antropológico e arqueológico do Museu Paranaense, um híbrido entre acervo e novos registros que enriquecem a coleção e aprofundam o debate.

A exposição é de longa duração. Rua Kellers, 289, São Francisco – Curitiba. Entrada gratuita. www.museuparanaense.pr.gov.br