Vivemos tempos novos: o fim das ditaduras e, ao mesmo tempo, a orfandade de lideranças.


Os ditadores estão desaparecendo porque nunca
foram líderes. Eles reprimem a liberdade, sufocam a prosperidade,
estrangulam o crescimento econômico e cometem atrocidades sem piedade.
O ditador  carece de nobreza de caráter, integridade e
responsabilidade pública.
É comum as pessoas autoritárias se comunicarem verticalmente, isto é,
para com alguns poucos, com aqueles que representam seus próprios
interesses. Eles não toleram opiniões e sugestões de terceiros, não
aceitam o intercâmbio de idéias, não permitem a participação de
subordinados e tampouco dividem a responsabilidade diante de fracassos
causados diretamente pelos seus atos.
Com o passar dos anos, os ditadores vão perdendo confiança, respeito
e simpatia. A pessoa autoritária – não confundir com autoridade
legitimamente instituída – dificilmente reconhece méritos de um
colaborador mais humilde, muito menos respeita posicionamentos e
aceita limitações próprias de cada ser humano.
É fácil de observar que os ditadores, tanto naquilo que escrevem como
nas suas conversas, buscam jeitos especiais para impressionar,
carecendo sempre da naturalidade. Qualquer que seja a informação, ela
fica desencontrada e desligada dos interesses maiores da coletividade.
Utilizam-se de linguagem de laboratório, fabricada, distante dos
paradigmas atuais de comunicação. Por serem ditadores, eles ditam, não
dialogam, não se comunicam. Fabricam armas e ódio.
Felizmente, acabou a época em que o poder, o dinheiro, a esperteza, a
humilhação e a subordinação proporcionavam ao ditador a simpatia das
massas impotentes. Entretanto, nada acontece de graça. As ditaduras do
século XX, vivenciadas nos quadrantes da terra, continuam repercutindo
e causando efeitos desastrosos nesta primeira década do século XXI. As
lideranças pereceram e vamos precisar de tempo para que elas
ressurjam. Isso é terrível. Como relembrou um reitor universitário:
"Um rei fraco, enfraquece toda a sua gente forte por muitos anos". O
universo está órfão de reis fortes.
Temos de nos perguntar: onde está a nova juventude? Justiça,
participação, liberdade, desenvolvimento e paz são cinco pilares que
sempre fizeram parte dos anseios e ideais da mocidade, desde a
Antigüidade filosófica.
Pais e professores precisam empenhar mais esforços para despertar nas
crianças e jovens atitudes e compromissos com a transformação, a ética
e o amor. Ao mesmo tempo, é fundamental ampliar espaços para a
criatividade experimental e reflexão sobre as essências da existência.
Facilitar ambientes afetivos é condição imprescindível à formação da
personalidade e integração psicossocial.
Sempre que a família, a escola e os meios de comunicação estimulam
processos para mostrar a realidade cultural de diferentes povos e
épocas estão auxiliando e incentivando a meninada a ter interesses
pelas ciências e pela vida. Ao atuar na mesma direção, estas três
instituições podem apressar o renascimento de lideranças e tudo o que
implique o Bem, o Belo e a Felicidade, que são os grandes fins da
existência e da transcendência.
A humanidade tem muitas necessidades, a maior delas é a falta de
líderes. Por isso, requer que pessoas e organizações atuem em
conjunto, ajudem as novas gerações a perscrutar as profundezas da
vida, a filosofar e expressar livremente idéias e intuições, a colocar
cerne no conteúdo das palavras e deduções, a fazer julgamentos sólidos
e éticos sobre aquilo que é apresentado à sociedade.