Querem expulsar o deputado Reinhold Stephanes Júnior do PMDB. Não é a primeira vez que o filho do ministro da Agricultura é ameaçado.

Primeiro, votou pela criação da Comissão que deveria apurar gastos do Governo em publicidade e que não deu em nada. Agora é por ter assinado a lista dos quase 18, menos um fantasma, propondo o fim do nepotismo no Paraná, aí incluso o mesmo Governo. Ao que tudo indica, então, o deputado Stephanes Jr. gosta de viver em perigo. Candidato a candidato a prefeito de Curitiba, pelo PMDB, imagine se não tivesse ele essa aspiração. A reação contra o jovem parlamentar foi instantânea. A juventude do PMDB quer vê-lo fora do partido. Ora, se a juventude, que tem tudo para aceitar novos desafios, fica contra, ou o deputado está errado mesmo, ou não se fazem mais jovens como antigamente. Até há bem pouco os moços eram vanguardeiros, desbravavam os mistérios nossos de todos os dias. Se agora se acomodam à sombra das forças dominantes, não restam muitas esperanças, nem mesmo ao deputado filho do ministro ilustre.

Liderados pelo deputado Tadeu Veneri, o que desejam os 17 mais o deputado-fantasma cuja assinatura não se sabe o proprietário – é acabar com o nepotismo. Não se limita ao Executivo, onde reina absoluta a família do governador. Poderá a proposta um dia vir a ser lei e atingir ao próprio Legislativo, ao Judiciário e órgãos ligados. Evidentemente, uma proposta sem futuro. Incomoda, mas não tem futuro. Aí a pergunta é óbvia: se muitos a querem, quem não a quer? Ora, o PMDB, claro, e pasmem os senhores, também o PT do deputado Tadeu Veneri. O Partido dos Trabalhadores, de tão salutares campanhas no passado de oposição, hoje, Governo lá e cá, não quer entrar nessa. Como Veneri não participa do Governo, tudo bem. Mas e os secretários que o PT encaixou junto a Requião, mais os assessores? Aí o nepotismo pode esperar. Razão para o deputado Alexandre Curi tirar o coelho da cartola, ou o bode da sala, e dar um tiro respeitável: vamos com calma, talvez no próximo Governo. Deixemos este como está, intactoOra, próximo Governo pode ser de Osmar Dias, Beto Richa, Paulo Bernardo, Sameck, Pessuti, tanta gente aí capaz de herdar uma lei que salva familiares, agora para impedir os laços de sangue logo mais. Talvez até o deputado Curi tenha sucesso. Na política brasileira tudo que tiver jeito de empurrar com a barriga, já parte com corpos de vantagem na pista. Enquanto isso, Renan Calheiros à parte, a Assembléia Legislativa promete investigar a história do deputado-fantasma. Edgar Bueno afirma que não é dele a assinatura. Já se tentou apurar a sogra-fantasma. Nada ocorreu, melhor dizendo, imputou-se a culpa a um funcionário falecido. Afinal, muitos poderiam ficar chamusgados, até pretendentes ao Iguaçu. Não, entretanto, um morto, mesmo com trabalhos prestados através dos anos.

E no caso do deputado-fantasma, ainda não se perguntou, claramente, a quem interessa o crime. Afinal, quem pôs o rabisco querendo envolver Edgar Bueno? Tadeu Veneri na legislatura passada foi passado para trás na mesma posição. À época usaram-se outros meios. Hoje, muda-se o figurino, mas o custureiro deve ter o mesmo corte.