“Necessidade urgente de maior visibilidade à produção artístico cultural”

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Artista Waltraud Sekula: “Temos menos marchands nos representando do que tínhamos. Isso ocasiona um déficit de oferta e interfere na procura”

Dedicação à  aquarela, desenho, bico de pena e acrílico,  ministrando palestras e oficinas de desenho sobre diversos  os temas. Obras em 24 países e 23  mostras  individuais, 12 Salões de Arte com várias premiações, 8 Salas “Hors Concours”.  Este é apenas um resumo de quem é a artista plástica  Waltraud Sekula, nascida em Ponta Grossa, residente em Curitiba  e  que foi entrevistada pela coluna BUSINESS WOMAN.

Segundo ela “a arte no meu ver, deve ser um deleite, uma paixão à primeira vista, mas também pode ser um investimento ainda mais se o artista é profissional de carreira e se na obra seu nome é indexado, aí se tornando reconhecida.”

Indagada sobre o atual panorama do seguimento na capital paranaense, a artista Waltraud Sekula disse que “o mercado de artes em Curitiba sofreu altos e baixos. Anos dourados, outros nem tanto, flutuando conforme os impactos políticos e afins. Atualmente devido a várias situações acho que há uma menor procura pela arte, sobretudo pela arte de qualidade.”

Quanto aos locais destinados a arte, em sua opinião “Sem dúvida hoje temos menos espaços expositivos do que nos anos 80, 90. Temos menos marchands nos representando do que tínhamos. Isso ocasiona um déficit de oferta e interfere na procura.

Para  Waltraud Sekula “o curitibano mais culto sabe apreciar boa arte, mas ainda enfrenta a dificuldade quanto ao conhecimento da técnica, estilo, histórico e perfil dos que aqui produzem arte. Desconhece os excelentes artistas de todas as áreas da cultura que são frutos dessa terra ou que a adotaram para aqui viverem e aqui desenvolverem sua profissão e paixão.”

E acrescenta, “no geral o curitibano aprecia arte, ele se apaixona por um objeto de desejo e não pensa de imediato em investimento.”

Segundo Waltraud Sekula “há uma necessidade urgente e grande de ser dada maior visibilidade à produção artístico cultural e ao seu produtor.”

Entre as diversas atividades no meio artístico, destacam-se  ter   presidido a APAP-PR (Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná) por 3 gestões e  ajudou a fundar o FEC – PR (Fórum das Entidades Culturais – Curitiba  em   1997 participando da sua diretoria até 2017,  com a finalidade de estudar e desenvolver Política Cultural colaborando com as Entidades da Sociedade Civil Organizada. Entidades Artístico Culturais de Curitiba e do Paraná, aumentando seu leque de participação junto ao Poder Público. Auxiliou no estudo e elaboração de Programas para a Arte e Cultura.  Leis de Incentivo a Cultura de Curitiba – LMIC e do Paraná, colaborando para o PNC – Plano Nacional de Cultura. Realizou mais de 100 curadorias, escreveu textos e apresentações para exposições de arte. Foi júri de inúmeros Salões oficiais de arte. Tem obras editadas em livros, agendas, calendários, marcadores de página, entre outros.

Ela também é Acadêmica da ACCUR (Academia de Cultura de Curitiba), entidade que  recentemente dedicou um bom espaço sobre seu trabalho, técnica entre outras considerações.

Uma das fases da artista plástica  Waltraud  Sekula

A coluna BUSINESS WOMAN escolheu um dos  conceitos da arte   da artista plástica, desenhista, aquarelista Waltraud Sekula . Foi a   fase de nanquim,bico de pena e lavados.

Explicou a artista que “Nessa fase fui buscar em viagens e pesquisas algo a mais que me chamasse atenção, que me inspirasse e também refletisse mais um desafio. Apaixonada pela forma, estruturas, linhas de horizonte, linha dos olhos, os pontos de ouro de uma imagem fui buscar e encontrar a inspiração ao viajar por Minas Gerais.”

E prossegue   Waltraud Sekula  em sua explanação sobre o tema escolhido: “A força da natureza, da paisagem sempre esteve presente no meu trabalho, mas nesse momento eu desejava mais; queria resgatar e registrar um pouco de história, do bucolismo colonial, gravado naquelas paredes. Da passagem do tempo, me reportar àqueles anos. Sentir não só as paredes centenárias, mas colocar no papel virgem a ideia das portas, janelas de então.

Foi assim que me inspirei para produzir uma série chamada “Monocromia – Uma cor vários tons” aonde a única cor presente que é o preto sobre a tela branca, incita o observador a buscar dentro de si o reconhecimento das cores possíveis para tal imagem e obra.”

De acordo com a artista, o material adotado foi  desenho e pintura sobre papel de aquarela, 100% algodão. E  técnica  fopi bico de pena e lavados em camadas de nanquim diluído.

O desafio foi  desenvolver a técnica do desenho em nanquim, e pintar os degrades em técnica de aquarela só que utilizando a tinta de nanquim preto para tal efeito. Obra resultantes foram Janela aberta do Mosteiro do Caraça  (MG)  Vista de dentro para fora; Janela fechada do Mosteiro vista de fora para dentro com os reflexos das palmeiras;  Porta entreaberta de acesso à recepção , em  Mosteiro do Caraça  (MG) e  Bicicleta encostada no muro com buganvílias – Tiradentes – MG. Muro da antiga casa de Tancredo Neves

“Assim, iniciei com as janelas cerradas e reflexos de vegetação, portas semi-abertas, penumbras, janelas de fora para dentro e de dentro para fora, e até bicicletas encostadas em muros floridos. São trabalhos grandes de 60/80 cm desenhados no local e desenvolvidos no atelier. Há a sugestão da passagem do tempo, do ser ausente, do bucólico. Nada é novo, e sim revisitado, com outra ótica a de novos dias, incitando a imaginação. O Parque Nacional do Caraça em Minas Gerais  e a cidade de Tiradentes  foram o palco da inspiração”.