Moro versus Bolsonaro

300

Sergio Moro é hoje o principal adversário de Jair Bolsonaro na corrida presidencial de 2022, segundo levantamento da Quaest Consultoria e Pesquisa. Na sondagem, Moro aparece com 19% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 22%. O ex-juiz da Operação Lava-Jato e ex-ministro da Justiça supera seu antigo chefe em alguns segmentos, como entre pessoas com mais de 60 anos (24% a 22%) e com renda mensal superior a cinco salários mínimos (24% a 15%). Moro também está à frente de Bolsonaro nas regiões sudeste (24% a 21%) e sul (20% a 18%).

Na terceira e na quarta colocações, estão nomes da esquerda. Derrotado no segundo turno em 2018, Fernando Haddad, do PT, tem 13%. Já Ciro Gomes, do PDT, registra 12%. A acirrada rivalidade entre eles não é apenas numérica. Ciro tenta tomar de Lula, o padrinho de Haddad, o papel de líder entre os esquerdistas. Uma de suas estratégias é dialogar com diferentes setores da sociedade, o que inclui antigo rivais, enquanto o ex-presidente insiste em falar apenas aos convertidos.

Em quinto e sexto lugares, muito distantes dos dois primeiros pelotões, estão o apresentador Luciano Huck (5%) e Guilherme Boulos (3%), do Psol. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), registra apenas 2%. Faltando mais de dois anos para a votação, outro dado chama a atenção: 23% dos entrevistados dizem não ter candidato.

Paramilitar

Chácara alvo de uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal era usada pelos grupos “300 do Brasil”, Patriotas” e “QG Rural”, apoiadores do presidente Bolsonaro, para reuniões e treinamento paramilitar.

Nem pensar

“O Paulo Guedes decidiu pagar a quarta e a quinta [parcelas], falta acertar o valor. A União não aguenta outro desse mesmo montante de R$ 600.00, que por mês nos custa R$ 50 bilhões. Se o país se endividar demais, teremos problema”, disse em entrevista à Band TV.

Na planície

Um grupo de advogados têm se organizado em grupos de WhatsApp para tomar medidas para dificultar os projetos profissionais do ex-ministro Sergio Moro, ex-juiz federal que pediu demissão do governo Bolsonaro no final de abril.

Safadeza

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), usou o Facebook para protestar contra um golpe que usa o nome dele. Golpistas estariam usando um número de telefone de São Paulo para convidar curitibanos a participarem de uma confraternização como se fosse em seu nome. O objetivo seria clonar números de WhatsApp para aplicar golpes.

Virou ministro

Integrantes do governo do presidente Jair Bolsonaro sondaram o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, para assumir o Ministério da Educação. A expectativa de aliados de Feder é a de que o governo anuncie a escolha hoje.

Sem sexo, não

O deputado federal Fabio Faria (PSD-RN), agora transformado em ministro das Comunicações, é a esperança de muitos porque, em seu discurso de posse, acenou com um “armistício” entre os envolvidos na crise que assola o país. Faria é calmo, diz que vai dar um jeito nisso e não está tenso. Sua mulher Patrícia, filha de Silvio Santos, já disse num programa de TV que não deixa o marido sem sexo, senão ele vai procurar fora de casa.

“Sou professor”

Na semana passada, na RTP, emissora de TV de Portugal, em meio a um curso online para crianças, entrou no ar um veterano grisalho que se apresentou: “Olá. Boa tarde, chamo-me Marcelo Rebelo de Sousa e sou professor”. A partir daí, deu um recado repleto de cidadania e humanismo por menos de meia hora. Quem viu adorou. Era o professor Marcelo Rebelo de Sousa, também presidente de Portugal. Os brasileiros de lá morreram de inveja.

Outro PC

As investigações sugerem que Fabrício Queiróz era uma reencenação de Paulo César Farias, o PC, que foi tesoureiro da campanha de Fernando Collor. Quando o chefe chegou ao poder, passou a pagar despesas da família. Queiróz pagava até (sempre em dinheiro vivo) as escolas das filhas de Flávio. No caso de Collor, a descoberta de cheques fantasmas abriu caminho para o impeachment.

Medo

Ao ser preso, Queiróz usava um colete à prova de balas. Ele avisou os policiais que teme por sua vida e na prisão, ficará em cela isolada, com horário de sol diferente dos demais. Ele pode optar por delação premiada. Os investigadores podem usá-la para convencer Queiróz a contar tudo o que sabe. Mas, é exatamente por saber muito que ele teme por sua vida. Dá a impressão de que os velhos amigos são adeptos de métodos especiais para prevenir acidentes.

Cascavel

Um dos principais assessores do ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, é uma figura que atua sem vínculo oficial com o governo. O empresário Airton Saligo, mais conhecido como Cascavel, viaja com o ministro, participa de reuniões com governadores, mas não foi nomeado para função alguma. Tem sido indicado por Pazuello aos secretários da Saúde como responsável por receber demandas. Cascavel não é médico. Em Roraima é apontado como apoiador da campanha do governador bolsonarista Antônio Demarium.

Último ato

Para justificar sua nomeação no Banco Mundial, Abraham Weintraub diz que é bacharel em Ciências Econômicas pela USP, professor da Universidade Federal de São Paulo, fez MBA e mestrado na administração (área de finanças) na FGV. Ou seja: pode, pelo menos pelo lado de escolaridade, assumir uma diretoria do Banco Mundial, apesar de ter deixado uma herança de palavrões e erros gramaticais no ministério. Patético, na despedida do chefe, foi pedir licença para um “abracinho” em Bolsonaro, único momento em que o presidente sorriu.

Macarrônico

Weintraub vai com a família morar em Washington, onde fará um curso de inglês para arrumar sua versão macarrônica do idioma de Shakespeare. E ganhará três vezes mais do que ganhava no ministério (R$ 30,9 mil). Entre alguns benefícios, deverá chegar a US$ 20 mil mensais. Não há outras mordomias. Poderá, de vez em quando, até visitar a figura que o indicou para Educação, o guru dos Bolsonaros, Olavo de Carvalho, que mora na Virginia.

Na rota

A prisão de Queiróz e a novela do sítio de Lula colocam Atibaia no roteiro da corrupção e podem até alimentar a indústria do turismo de lá. A cidade tem uma boa rede de hotéis a partir do Bourbon, o mais caro (quase R$ 1 mil a diária) e secundado pelo Vila Verde, Faro e até Pedra Grande, mais acessíveis. Todos estão reabrindo agora sob condições.

Mais um

Há quem aposte que, diante dos últimos acontecimentos, dos deputados que tiveram sigilo telefônico quebrado, às atrapalhadas de Weintraub e a prisão de Queiróz, o vice-presidente Hamilton Mourão, sem citar cada round especificamente, comente qual a situação do governo nessas situações. Voltaria a sua mudança pragmática de comportamento, para surpresa de muitos. Outros apostam que justamente devido a esse pragmatismo, Mourão quer ser presidente.

Pouca execução

Os gastos emergenciais autorizados para combater o coronavírus estão piorando as projeções para as contas públicas brasileiras, mas parte deles apresenta baixo nível de execução. Na área da saúde, por exemplo, dos R$ 12,5 bilhões autorizados apenas 28,3% foram efetivamente gastos até o momento. No total, as despesas autorizadas para o governo federal somam R$ 403,9 bilhões dos quais 33,6% foram gastos até agora.

Recontratação

O governo quer mudar uma portaria do extinto Ministério do Trabalho para permitir que um funcionário demitido possa ser recontratado num prazo inferior a 90 dias, enquanto dura a pandemia. A vedação existe para evitar fraude no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e no seguro-desemprego. Mas há o entendimento agora, com as incertezas da reabertura econômica, muitas empresas foram forçadas a demitir e ficariam impedidas de contar com seus antigos empregados por causa dessa norma.

Manicômio

“Quando você tem contenciosos acimada de R$ 1 trilhão de um lado e desonerações de R$ 300 bilhões de outro, está muito clara a configuração de um manicômio tributário”. É a definição de Paulo Guedes, da Economia, reforçando a reforma no sistema de impostos para diminuir litígios a Justiça.

Paralisado

Desde abril, devido à forte queda de fechamento de negócios de compra e venda da principal matéria prima do setor imobiliário, por causa da suspensão de lançamentos destinados às rendas médias e altas, o segmento está paralisado. O comprador não aumenta o preço, o vendedor não reduz. Havia a hipótese de uma liquidação de terreno e no final não saiu negócio. A última grande compra aconteceu na última semana de março.

Laranja

No dia da prisão de Fabrício Queiroz, piadas, meme e gozações foi o que movimentos as mídias digitais. E não parou por aí, grandes chefes como Paola Carosella e Rita Lobo compartilharam receita com laranja em suas redes sociais. A atriz Marina Ruy Barbosa, lembrou uma foto que com a fruta e legendou: “Meu icon está mega atual, né?”.

Frases

“A União não aguenta.”

Jair Bolsonaro sobre auxílio emergencial de R$600,00