Mergulhe de apneia na sua vida

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*por Claudia Queiroz

Quase seis meses depois desse mergulho em apneia no Covid-19, com a rapidez do movimento de 360 graus em volta do nosso eixo e em torno do solo, todo mundo do planeta terra ficou meio atordoado, certo?

Assimilados estes giros, constatou-se que tudo tinha invertido o sentido. Lembra daquela brincadeira da cabra cega? A gente girava no nosso eixo diversas vezes e saía de olhos vendados a procura dos nossos amigos… O Covid fez isso na economia, freando o consumo, para poder pensar antes de agir e aprendermos a valorizar o que passava despercebido.

Podíamos negar o assunto “morte”, animados com a evolução da medicina. Eis que chegou um vírus, sacudindo tudo e exibindo nossa fragilidade. Porque quem tem algum problema de saúde prévio e não sabe disso, quem não está em dia com a alcalinidade do organismo, quem tem doenças pré-existentes fica mais vulnerável com esse vírus, que deleta pessoas.

Em cenários de grandes catástrofes, para quem pedimos ajuda? Para quem está mais próximo, ué?! Um parente, um vizinho? Mas e o receio de ficarmos contaminados? Todo mundo virou suspeito de estar infectado… Então, olhamos para o alto, de onde se espera que venha o socorro. “O que fazemos?”. A resposta: “Não há nada a fazer, fique em casa”. Buscou-se o conforto das informações. Nenhum ou pouco conforto com notícias falsas, desinformação, manipulações etc.

Então de onde vem o socorro? Da ciência! Como, se é preciso de tempo para estudar o vírus!? E nem mesmo sobre as medidas de proteção — como o uso de máscaras — havia consenso. Quando não somos capazes de enfrentar um inimigo, o que manda o nosso instinto? Fugir. Não há fuga possível, o vírus está em toda parte. Caos global.

Ninguém pode caminhar sob constante ameaça. Racionalmente já não nos sentimos tão indefesos. Sabemos quais são os procedimentos e atitudes que minimizam o contágio. Aderirmos às regras de segurança. Mas o medo da morte continua. E ninguém é indiferente ao número de óbitos atualizados diariamente, mesmo sabendo que há mais infartos fulminantes que morte por COVID. Essa é mais uma causa de mortes…

O medo da morte de uma doença que leva anos para acontecer é racional. Mas por conta do sofrimento a gente morre todos os dias, principalmente quando está longe da espiritualidade. O que eu quero dizer com isso? Quando vivemos longe do bom humor, leveza, gratidão, criatividade, alegria, isso tudo é o que mais impacta na nossa imunidade.

Queremos vida, mas não sabemos muitas vezes o que fazer com ela justamente porque podemos perdê-la a qualquer momento. Por enquanto, agora mesmo, ainda estamos vivos. E não há motivo melhor, que mais mereça celebração, do que isso.

Com o tempo, descobrimos que podemos desprezar o supérfluo, encontramos riquezas naquilo que é mais leve e descomplicado. Por isso separei algumas dicas que exaltam virtudes e te ajudam a reconhecer a felicidade no que é essencial pra todos nós.

  • Dê valor aos detalhes. Se precisar, tire os fones de ouvido para ouvir o canto dos pássaros.
  • Simplifique a alimentação. Coma menos produtos industrializados e busque alimentos naturais. Você terá mais disposição e saúde para encarar problemas e serenidade para deixar para lá…
  • Concentre-se em uma tarefa de cada vez e só depois de encerrar o que estiver fazendo, passe para a próxima.
  • Tente não ficar estressado. Vamos encarar tudo isso como uma situação passageira.
  • Cultive boas amizades. Valorize as brincadeiras, sorrisos, carinho…
  • Agradeça. Você pode reconhecer como é sortudo em ter o que tem e ser quem você é.
  • Desapegue das coisas. Encontre tempo para organizar a casa, arrumar o quarto, colocar seu computador em ordem…
  • Não trabalhe tanto.
  • Controle o dinheiro, mas lembre-se sempre quem é o dono de quem.
  • Inclua alguns prazeres no seu dia a dia.
  • O passado já foi e o presente ficará mais leve se deixar os ressentimentos lá para trás.
  • Seja espontâneo, nunca deixe de sonhar, comemore novas conquistas. Isso te ajudará a ter alma de criança.

Claudia Queiroz é jornalista.