Em sessão secreta, o Plenário do Senado acaba de decidir pela preservação do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros.


O projeto de resolução apresentado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar que decretava a perda do mandato de Renan não recebeu o mínimo de votos necessários para sua aprovação – 41. Foram 35 votos sim, 40, não e 6 abstenções.

Renan respondeu a processo no Conselho de Ética a partir de representação do PSOL, que se baseou em denúncia da revista Veja de que o presidente do Senado teria tido parte de suas despesas pessoais pagas por Cláudio Gontijo, funcionário da Construtora Mendes Júnior. Essas despesas referiam-se a pensão alimentícia paga pelo senador à filha de três anos que tem com a jornalista Mônica Veloso.

No relatório aprovado pelo Conselho de Ética por 11 votos a 4, no último dia 5, os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-SE) afirmam que a conduta de Renan, antes e durante o processo de investigação das denúncias contidas na representação,prejudicou a imagem e o funcionamento da Casa. Eles consideraram que Renan quebrou o decoro parlamentar e que as acusações contidas na representação do PSOL são procedentes. Já o terceiro relator, senador Almeida Lima (PMDB-SE), e o senador Wellington Salgado (PMDB-MG) apresentaram votos em separado pela inocência de Renan e conseqüentemente arquivamento do processo.

Em sua primeira defesa, feita da tribuna, Renan Calheiros declarou que reconheceu a paternidade da filha que teve com Mônica Veloso, prestou assistência à jornalista durante a gravidez, honrou, com recursos próprios, o aluguel da residência de Mônica Veloso e nunca misturou o público com o privado: "os recursos estão todos devidamente declarados no meu imposto de renda, bem como a própria pensão alimentícia". Posteriormente, o senador apresentou notas fiscais relativas à venda de gado para comprovar dispor de recursos para arcar com os gastos de sua filha.

O relatório de Marisa Serrano e Renato Casagrande foi considerado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), por 20 votos a um, constitucional, legal e livre de vícios jurídicos. No Plenário, o projeto de resolução para a perda de mandato de Renan proposto pelo Conselho de Ética a partir do relatório dos dois senadores não foi aprovado.