Sete anos atrás, o Colorado abriu um novo caminho como o primeiro estado dos EUA a lançar um programa piloto para o cânhamo industrial após a aprovação da Lei Agrícola de 2014 (a Farm Bill de 2014). Agora, sua indústria está prosperando com mais áreas licenciadas do que qualquer outro estado dos EUA em 2020, de acordo com uma análise da Hemp Grower (@hempgrower).

No ano passado, o estado licenciou 1.254 produtores para cultivar 36.225 acres (146,5 quilômetros quadrados) ao ar livre, e 11,4 milhões de pés quadrados (aproximadamente 1 milhão e 100 mil metros quadrados), em ambientes fechados e em estufas.

Ao contrário de outros estados como Kentucky, Ohio e Pensilvânia, grandes cultivadores da planta no século XIX, o Colorado não tinha uma história prévia ou tradição no plantio do cânhamo como uma cultura importante antes da proibição pela legislação federal em 1937.

Mas graças a uma respeitável senhora aposentada, essa perspectiva mudou completamente. Hoje, o Colorado é o líder em produção de cânhamo nos Estados Unidos, mesmo com as dificuldades da incompatibilidade do solo, e da escassez de água da região.

Lynda Parker é um nome relativamente comum nos EUA. E, de fato, a senhora Lynda Parker de nosso interesse levava uma prosaica vida de representante comercial aposentada no estado do Colorado, quando, no ano de 2006, resolveu de que forma e a que iria dedicar os bons anos de sua “melhor idade”.

Batizada pelo escritor Doug Fine, de “A Matriarca do Cânhamo”, ela conheceu os benefícios da cannabis não psicoativa em 1996, quando, em um curso de ciência política, estudou a tramitação de alguns projetos de lei no Estado, entre eles, o que tratava da regulamentação do cânhamo industrial, mas que acabou não sendo aprovado.

Ao se aposentar, em 2005, levou um ano para decidir o que faria de sua vida dali em diante.  Lembrou-se do outrora rejeitado projeto de lei, e, já conhecendo à época o quanto a economia dos Estados Unidos, e a vida do planeta se beneficiariam com a aprovação de um marco regulatório para o cânhamo industrial, decidiu se engajar nos esforços para mudar as leis do Estado, e, assim, permitir o plantio, o cultivo e o desenvolvimento de uma economia baseada nessa planta tão particular.

Se levamos a sério os efeitos das mudanças climáticas sobre o meio ambiente, não há outra coisa que possamos fazer que seja mais impactante [do que cultivar cânhamo industrial]”, disse Parker ao Washington Post – em 2013, um pouco antes da assinatura, em 2014, pelo Presidente Barack Obama, da Lei da Agricultura, a partir da qual se autorizou o cultivo do cânhamo no país.

Parker perguntou à amiga, Suzanne Willians, deputada estadual democrata do Colorado, se o projeto de lei rejeitado poderia ser retomado. Suzanne disse que sim, colocou mãos à obra, apresentou Parker para um conhecido ativista pela sustentabilidade Mike Bowman. E começaram seu prériplo pelos corredores da Assembleia Legislativa do Estado, em uma missão solitária de convencimento e convertimento.

Ao final de vários anos de evasivas, cancelamentos de reuniões, olhares desconfiados sobre a “pauta temerária da legalização das drogas”, encampada pela inexperiente senhora recentemente convertida em ativista ambiental, Parker atuou fortemente para mudar as leis estaduais do cânhamo em um dos maiores estados norte-americanos, em uma época onde grandes empresas faziam lobby, e supostamente controlavam os destinos do governo.

O segredo de Lynda: “Eu amo o que faço, eu me visto de maneira conservadora e eu não desisto! O cânhamo é a maior diferença que eu poderia fazer para o planeta como indivíduo.”

Tendo me apaixonado pelo cânhamo através de meu amor pela moda, me sinto meio Lynda Parker, e sua trajetória me serve de motivação!

Fontes:
https://www.letstalkhemp.com/lynda-parker/

“Hemp Bound – Dispatches from the front lines of the next agricultural revolution” – Doug Fine, 2014, Chelsea Green Publishing.

Ana Fábia R. de O. F. Martins – Advogada, Especialista em Direito e Negócios Internacionais e Moda. Diretora Jurídica da Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis.