Libelu brilha no É Tudo Verdade

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Dirigido pelo estreante Diógenes Muniz, Libelu, Abaixo a Ditadura é o vencedor da Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens e recebeu vinte mil reais do festival  É Tudo Verdade. O festival exibiu, de 23 de setembro a 4 de outubro, um total de 61 longas e curtas-metragens em competição e hors-concours, de forma gratuita, em plataformas de streaming disponível em todo o território brasileiro.

Os longas vencedores das competições brasileira e internacional ganham exibição presencial no Rio de Janeiro, em salas do Grupo Estação, assim que as mesmas foram reabertas. Dedicado à cultura do filme não-ficcional na América Latina, o É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários é reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA como um festival classificatório para o Oscar.

Libelu focaliza uma tendência estudantil universitária surgida em 1976 que, impulsionada por uma organização clandestina, ganhou fama por ser o primeiro a retomar o mote Abaixo a ditadura enquanto o AI-5 ainda vigorava. Para o júri formado pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão, pela cineasta e roteirista Cristiana Grumbach e pelo cineasta e curador Francisco Cesar Filho, o longa-metragem toca “em uma ferida nunca cicatrizada da esquerda brasileira”.

Realizada nesse domingo, a premiação destaca as menções honrosas para Segredos de Putumayo, de Aurélio MIchiles, sobre aquele que é considerado como o pai dos inquéritos sobre a violação de direitos humanos, Roger Casement (1864-1916), e Fico Te Devendo Uma Carta Sobre o Brasil, de Carol Benjamin, sobre três gerações de uma família atravessada pela ditadura civil-militar brasileira.

O mesmo júri apontou como melhor curta-metragem brasileiro Filhas de Lavadeiras, de Edileuza Penha de Souza. Narrando histórias de mulheres negras que, graças ao trabalho árduo de suas mães, puderam ir para a escola e refazer os caminhos trilhados por suas antecessoras, a obra recebeu seis mil reais e o troféu É Tudo Verdade.

Foi concedida, ainda, uma menção honrosa a Ver a China, curta de Amanda Carvalho que registra uma realizadora estrangeira em visita à China para produzir um documentário sobre a produção de chá na província de Fujian.

Internacional

Já na Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens o vencedor foi Colectiv, (Romênia/Luxemburgo), dirigido por Alexander Nanau. O filme aborda a corrupção no sistema de saúde da Romênia e recebeu doze mil reais e o troféu É Tudo Verdade.

O júri da competição foi formado pela diretora-emérita da International Documentary Association, Betsy McLane, pelo presidente e diretor-executivo do Hot Docs Canadian Festival, Chris McDonald, e pelo cineasta brasileiro Jorge Bodanzky. Em seu parecer, os jurados afirmam terem ficado impressionados “com este preocupante e bem detalhado estudo sobre corrupção e atos ilegais na Romênia contemporânea”.

O júri concedeu menção honrosa ao longa-metragem O Espião, de Maite Alberdi, uma coprodução Chile/ EUA/ Alemanha/ Holanda/ Espanha, sobre um homem que é convidado a interpretar um espião que precisa se infiltrar em um asilo onde um residente possivelmente está sofrendo maus-tratos.

O polonês Meu País Tão Lindo, de Grzegorz Paprzycki, foi eleito o melhor curta-metragem internacional e fez jus a seis mil reais e o troféu É Tudo Verdade.  O filme confronta duas forças que representam visões de mundo completamente diferentes: a perspectiva esquerdista de país contra a Polônia homogeneizada construída pela extrema direita.

Menção honrosa também ao curta-metragem alemão Saudade, da diretora afro-brasileira Denize Galiao. Em decorrência da doença de seu pai, a realizadora explora na obra os sentimentos que tem por seu lar e suas raízes.

Tem mais

Na cerimônia também foram anunciados os seguintes prêmios paralelos:

 – Prêmio Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem, para o filme brasileiro Filhas de Lavadeiras, de Edileuza Penha de Souza, que recebeu R$ 15.000,00 e Troféu Canal Brasil;

– Prêmio EDT (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual), para a melhor montagem de um curta e um longa-metragem, concedidos, respectivamente, para Metroréquiem, montado por Adalberto Oliveira, e para A Ponte de Bambu, com montagem assinada por André Finotti e Raimo Benedetti.

– Prêmio Mistika, no valor de R$ 8.000,00 em serviços de pós-produção digital, anunciado junto ao prêmio oficial de melhor curta-metragem brasileiro.

E a partir desta terça, 6 de outubro, acontece o Ciclo SESC, com seis longas-metragens brasileiros premiados na Competição Brasileira do festival na última década.  Os filmes, que ficam disponíveis na plataforma Sesc Digital, são: Auto de Resistência, de Natasha Neri e Lula Carvalho, Cidades Fantasmas, de Tyrell Sprencer, O Futebol, de Sergio Oksman, Homem Comum, de Carlos Nader, Mataram Meu Irmão, de Cristiano Burlan, e Dois Tempos”, de Arthur Fontes e Dorrit Hazarim.

O É Tudo Verdade tem patrocínio do Itaú e Sabesp; parceria do SESC-SP e apoio cultural do Itaú Cultural e Spcine. Conta também com a realização do Ministério do Turismo, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

A 26ª edição será 8 e 18 de abril de 2021.

 

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