O ex-banqueiro Salvatore Cacciola deve permanecer detido no presídio de Mônaco até o fim do processo de extradição.

No entanto, de acordo com as leis do país, Cacciola ainda tem direito de entrar com um pedido de liberdade a qualquer momento durante o processo.

O ex-banqueiro e os seus advogados participaram nesta terça-feira de uma audiência de cerca de uma hora no Palácio da Justiça. Durante a audiência, Cacciola não chegou a pedir para ser libertado.

O ex-banqueiro deixou o palácio algemado em um camburão às 10h15 (hora de Brasília), após o fim da audiência.

A procuradora reiterou que Mônaco permanece no aguardo do pedido de extradição das autoridades brasileiras e destacou ter percebido que o governo está mobilizado para agilizar o processo.

Processo

Uma vez que o pedido do Brasil chegar às autoridades de Mônaco, serão necessárias outras duas semanas para que a extradição seja sancionada na prática, segundo estimativas da procuradora-geral.

Em uma primeira instância, o processo deve ser avaliado pelo Tribunal de Recursos de Mônaco (Court d'Appel), que deve se pronunciar em cerca de uma semana sobre o caso.

Em seguida, o parecer do tribunal é enviado ao regente do principado, o príncipe Albert, que deve levar mais uma semana para apresentar uma decisão final.

Segundo a procuradora-geral de Mônaco, desde o caso do incêndio que matou o fundador do Banco Safra, Edmond Safra, em 1999, o Palácio de Justiça não via tamanha movimentação da imprensa.

A audiência desta terça-feira era considerada decisiva para o processo de extradição das autoridades brasileiras.

Extradição

O ex-dono do banco Marka está preso na penitenciária de Mônaco desde sábado e tinha um prazo de cinco dias, a contar do dia da detenção, para expor a sua defesa às autoridades.

Ele poderia ter apresentado um pedido de liberdade, mas preferiu não fazê-lo nesta terça-feira.

Na segunda-feira, o governo brasileiro enviou um documento à embaixada de Mônaco, em Paris, em que manifestou formalmente o interesse do Brasil na extradição de Cacciola.

No pedido, o Brasil pede a prisão preventiva do ex-banqueiro para que ele seja extraditado.

Cacciola foi condenado em 2005 a 13 anos de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro por crimes de peculato (desvio de dinheiro público) e gestão fraudulenta do banco Marka.