Willian Santos, Washington Silvera e Constance Pinheiro, que estão na residência artística Infinitos Campos Gerais, no Campo das Artes desde maio, apresentam os trabalhos criados em diálogo com o espaço cultural situado em São Luiz do Purunã, perto de Curitiba. Argila, ferro, terra, pedras e plantas encontrados pelos artistas nas caminhadas pelo local foram usados nos trabalhos.

A exposição fica aberta para visitação até 26 de junho, de quinta a domingo, das 13h30 às 17h30, gratuitamente. Como a visita é guiada, os organizadores solicitam a inscrição dos interessados por email  infinitoscamposgerais@gmail.com.

Silvera, que já participou de outras residências, considera fantástica a experiência de estar fora de sua oficina e sem as ferramentas que está acostumado. “Quando vi o potencial natural do lugar, não tive escolha senão aceitar essa condição. Em minha poética sempre trabalhei com experimentalismos e quando vi uma estufa que tem aqui, decidi usar”, conta ele.  “Coletei várias espécies de plantas da vegetação local e fui acomodando na estufa, simulando um campo. Também conhecemos uma pedreira com vários tons de pedra e argila e escolhi algumas. Tem pedras fantásticas aqui”, observa;

Ele, que também é chef de cozinha, tem uma importante trajetória de performances que envolvem a gastronomia, como o Kitchen Dub Experience. Mas, seu maior interesse, dentro do Infinitos, é mesmo na pesquisa de plantas que foi recolhendo. “Fui plantando e cuidando como um bom jardineiro. Algumas estão vingando outras não. Será a obra externa”, adianta ele, que criou ao todo quatro trabalhos e um outro que será exposto em conjunto com os demais participantes.  Até as antenas de transmissão gigantes, que mudaram a paisagem da região, também foram parar nas criações. “Não sei o que transmitem, mas achei uma peça curiosa e usei um pedaço dela combinada com um espelho, para brincar com essa ideia de transmissão. Pelo que contam os moradores daqui essas antenas estão causando estragos. Incorporei”.

Constance Pinheiro também já participou de diferentes residências e compartilha com Silvera as boas sensações em relação a experiência no Campo das Artes. “É um ambiente de trocas, convívio, pesquisa e trabalho. As trocas com os outros artistas e interlocutores locais potencializam e multiplicam a forma de trabalhar, de pensar, de agir, e responder ao que se apresenta. Isso tudo têm me motivado bastante. Com relação ao espaço, vejo que tem efeito no tempo também. O tempo dilatado de conexão com esse entorno”, pontua ela, que tem a intenção de “estar nesse constante trânsito de investigações e fazendo residências artísticas de tempos em tempos”.

Ela conta que levou bastante material para trabalhar, porém acabou coletando muitos elementos do local, tanto materiais orgânicos quanto resíduos de descarte que o próprio Luis Melo guarda para esse fim.  “O que posso adiantar dos trabalhos que serão exibidos na exposição são os resultados de uma investigação sobre as bordas da escarpa devoniana e as formações rochosas destes locais. E a experimentação pautada na linguagem do Desenho, com diversos materiais e suportes, como argilas e carvão vegetal da região, grafite e placas de metal enferrujado”, adianta.

O projeto

A residência artística é uma das propostas desta segunda edição do projeto, que promoveu ainda rodas de conversa sobre arte contemporânea e os Campos Gerais do Paraná e oficinas gratuitas para comunidade.

Criado pela artista Maria Baptista, o projeto tem como base também os conceitos de site­specific, uma abordagem em que as obras dialogam diretamente com o ambiente, seja o espaço construído, a natureza ou questões históricas, sociais, econômicas e simbólicas do local; e de paisagem cultural, que entende que um lugar pode ser reconhecido por um conjunto de relações e interações entre o natural e o humano.

“Interagir com a paisagem é uma das provocações que leva a existência do projeto Infinitos Campos Gerais e sua potencialidade de estimular, por meio da arte contemporânea, novas formas de pensamento e transformação, valorização e preservação dos Campos Gerais”, comenta Maria Baptista.  “Foi muito rico observar essa experiência da residência. Observar os artistas ‘descobrindo’ o lugar e usando materiais que encontravam”, completa ela.

Mais de 40 pessoas estiveram envolvidas diretamente no Infinitos e um momento especial foi o projeto educativo com estudantes das escolas públicas do município de Basa Nova. “Alguns deles, inclusive, vão integrar a equipe de mediação durante a visitação pública da exposição”, adianta Maria, lembrando também que o projeto priorizou o uso de alimentos orgânicos, valorizando a agricultura local e familiar, dentro da perspectiva de trabalhar com alguns Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU para uma agenda mundial.

Infinitos Campos Gerais é realizado com apoio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (Profice) – Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura – Governo do Estado do Paraná. Patrocínio da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e parceria do Campo das Artes. O Instituto Purunã e a Prefeitura de Balsa Nova também são apoiadores dessa iniciativa.

Quando: De 2 a 26 de junho de 2022, de quinta a domingo, das 13h30 às 17h30.

Campo das Artes (Estrada da Lage, 370 – São Luiz do Purunã)

Agendamento de visitação: infinitoscamposgerais@gmail.com

Acompanhe nas redes: @infinitoscamposgerais