Inconciliáveis

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que o seu “desalinhamento” com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é “natural” diante de divergências entre eles em torno da proposta de reforma tributária.

Guedes comentava declaração de Maia que, na semana passada, afirmou que sua interlocução com o Ministério da Economia foi encerrada depois que o ministro proibiu secretários da pasta de participar de uma reunião com ele.

Guedes afirmou ainda que o governo hoje conta com uma base de sustentação na Câmara que permite a ele “dormir mais tranquilo”, sem a necessidade de depender de “um olhar generoso e amigo” e Maia para ver seus projetos tramitando na Casa.

Deu a louca

Um habitante do primeiro mundo, onde a civilização pegou, ficaria perplexo e desconfiaria da sanidade mental dos gatos pingados da turma do Jair que uiva contra a vacina contra Covid19. No feriado da Independência fez um protesto na Boca Maldita, no centro de Curitiba. Com cartazes de apoio ao uso da hidroxicloraquina, o grupo fez a manifestação para que medicamentos fossem usados como prevenção à covid-19 em hospitais, e condenou o uso de uma possível vacina contra a pandemia.

Recuou

O projeto de lei que prevê o aumento das taxas dos serviços dos cartórios do Paraná foi retirado da pauta de votações na Assembleia Legislativa na manhã de ontem. Os deputados perceberam que a aberração que estavam prestes a aprovar lhes custaria muito em popularidade e algumas investigações. Algumas emendas ao projeto aumentam algumas taxas em até 2.000%.

Falcatrua

Somente cinco das 16 obras previstas nos acordos de leniência firmados pelas concessionárias Rodonorte e pela Ecocataratas com o Ministério Público Federal (MPF) já foram iniciadas. As demais nem saiam do papel.

Olho nos chineses

O STF – mais precisamente o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news – deverá investigar a onda de ataques conjuntos que têm sido feitos contra o TSE e, de roldão, a Positivo Tecnologia nas redes sociais. Há evidências de que a Suprema Corte Eleitoral e a fabricante de computadores tornaram-se alvos do “Gabinete do ódio”. Nos últimos dias, a Positivo vem sendo torpedeada com boatos que teria sido vendida para a chinesa Lenovo.

Memórias

FHC quer celebrar seus 90 anos, em 2021, com um novo livro de memórias sobre sua trajetória intelectual, mesclando vivencias pessoais, produção acadêmica e atividade política. Contará “causos” e falará dos encontros marcantes dos pontos de vista político. “É sobre uma vida que continua sendo vivida”.

Horário nobre

O gabinete do vice Hamilton Mourão anda movimentado. O general começou a gravar depoimentos para as campanhas dos candidatos do PRTB nas eleições em novembro. Considerado a carta-trunfo do modesto partido, a figura de Mourão será usada basicamente para as disputas das capitais. O partido planeja lançar candidato próprio em 18 delas.

Popularidade

O PSL que de dia é anti-Bolsonaro e de noite, flerta com o Capitão, vem cortejando a ministra Damares Alves com a possibilidade de uma candidatura ao governo de São Paulo em 2022 (e não mais ao Senado, como ela queria). Damares está na crista da onda. O PP, que já a convidou para suas fileiras já apresentou à ministra pesquisas sobre os altos índices de popularidade em oito estados. Acham que, como Bolsonaro, ao seu lado, ela se elege facilmente.

Lá em cima

Todos agora querem a presença de Bolsonaro em eventos da Região Norte. Querem tirar uma casquinha no aumento de popularidade do Capitão naquela área, no embalo do auxílio emergencial.

Desastrado

Está cada vez mais difícil saber em que lado Olavo de Carvalho está. Considerado guru de Bolsonaro já teceu algumas críticas, até duras, ao presidente. E no último final de semana tuitou: “Já disse mil vezes: O Bolsonaro é o melhor administrador que este país já teve, mas em matéria de guerra política ele é ainda mais desastrado do que o Ciro Gomes. Um professor de impotência”. Em outro tuite, escreveu com seu linguajar chulo: “Não, seus bostas, não passei para o outro lado. Posso até cagar na cabeça do Bolsonaro, mas aos inimigos dele não concedo sequer um cocozinho”.

Sem mudança

A defesa de Flávio Bolsonaro havia pedido ao Ministério Público Federal adiamento da acareação entre o senador e o empresário Paulo Marinho, marcado para do dia 21 deste mês. Pedido feito, pedido negado, o MPF não avisou que não mudará a data.

Custo do litígio

Os mais de 78 milhões de processos nos tribunais do país, atualmente, custam R$ 4,3 mil, em média. O resultado dessa cultura de litígio é que os custos do Judiciário equivalem a 1,3% do PIB, enquanto na Argentina são dez vezes menos 0,13%. O alerta é de Marcelo Buhaten, presidente da Associação Nacional de Desembargadores (Andes). Nos Estados Unidos, são 0,11% Itália, 0,19%, chile 0,22. E na Alemanha 0,32% do PIB.

Indevidos

O Tribunal de Contas da União estima que 4,8 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial descumprindo regras. Outros 1,31 milhão de benefícios já foram cancelados por irregularidades até junho.

Concluída

Depois de ser “acusado” de terminar “obras de outros”, Tarcísio Freitas (Infraestrutura) destacou o fechamento da ponte do Rio Parnaíba, na BR-235, entre Piauí e Maranhão. “Obra iniciada pelo governo Bolsonaro”, tratou de avisar.

Advogada

Eles aparecem em ciclos, ficam milionários e alguns depois evaporam. São advogados, famosos ou não, que cuidam  de clientes famosos como chamariz. É o caso de Karina Kufa, advogada de Bolsonaro. Ela faz política. Já deixou impressões no processo que afastou Wilson Witzel e agora batalha em Santa Catarina para tirar Carlos Moisés do caminho do cadafalso.

Perfil

Nesses dias, preocupados com as eleições, FHC fez um perfil de Jair Bolsonaro: “Ele sabe falar como o homem comum, explora o discurso de defesa da ordem, que é um desejo da população, e tem o domínio das redes sociais.  Ele chegou lá porque é um homem comum. Ele estoura, fala bobagem de uma maneira rude. Isso toca as pessoas que são a maioria, que é parecida com esse estilo. Para ele, a população está com raiva dos políticos e isso abre espaço para demagogia e populismo da direita que tende ao autoritarismo”.

Dividida

O Ministério de Minas e Energia e a Aneel divergem sobre a retomada das licitações do setor. A agência defende que há espaço para um leilão de transmissão ainda este ano. A Pasta, no entanto, considera mais prudente empurrar todos os certames para 2021. O receio é que um leilão ainda em 2020 seja um fracasso de bilheteria, o que faz sentido.

Descarrilamento

A Vale é uma das grandes interessadas que o governo acelere a relicitação da Malha Oeste em Mato Grosso – atual concessionária, a Rumo Logística, já iniciou os tramites para a devolução da licença. O impasse e o atraso das obras de recuperação da ferrovia têm obrigado a empresa a recorrer a transporte rodoviário, mais caro, para escoar cem mil toneladas de minério de ferro extraídos da MCR, subsidiária integral da Vale.

Aliança

O Republicanos, que recebeu Flávio e Carlos Bolsonaro, busca associar o presidente no Rio e em São Paulo. Ao lançar sua candidatura à reeleição, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, saudou a aliança com a família presidencial. Em São Paulo, o pré-candidato Celso Russomano mantém conversas frequentes com Bolsonaro.

Época de ouro

Houve uma época que era um orgulho ter um filho nos serviços públicos. No fim dos anos 80 e nos anos 90, houve uma depressão salarial por causa da crise da dívida. A descompressão veio a partir de 2003, no governo do PT quando uma corrida por concursos aumentou a força de trabalho em 180 mil servidores. Foi a época de ouro do setor público, quando salário de ingresso era cerca do dobro dos salários de profissões similares no setor privado.

No ranking

De acordo com Estudo Desempenho da Indústria no Mundo, da CNI, a indústria brasileira é a 16ª em participação na produção mundial do setor. Até 2014, início da pior crise que o país já enfrentou, o Brasil figurava entre os 10 maiores produtores do ranking mundial.

Tudo dividido

Alas do PT decidiram apoiar Guilherme Boulos para a para prefeitura, outras alas estarão com Jilmar Tatto. As duas tem certeza de que vão ganhar, embora as pesquisas não indiquem isso. Lula deverá fazer vídeos de apoio a Tatto. “Se ele não ganhar, fica a lição para ele, para mim e para o PT”. O ex-presidente fala desanimado. “Quando terminar as eleições essas pessoas vão ter um choque de realidade”.

Quem manda

A batalha entre o Ministro da Economia e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não deve atrapalhar muito o calendário de reformas da Câmara. Lá, quem dá as cartas é Rodrigo Maia. Paulo Guedes não apita nada no plenário. Mesmo em fim de mandato depende mais de Rodrigo do que do esforço do governo para fazer a pauta andar. Quem tem boa memória, recorda como foi a reforma da Previdência.

Frases

“Houve compra de votos? Provavelmente. Foi feita pelo governo federal? Não Foi. Não foi pelo PSDB, não foi por mim, muito menos.”

FHC, reconhecendo que a reeleição foi um erro.