IBGE: Número de empresas industriais encolhe pelo sexto ano seguido em 2019

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FOTO: Fernando Vivas / GOV-BA

O número de empresas da indústria nacional encolheu pelo sexto ano seguido em 2019, antes da pandemia de Covid. O setor somou 306,3 mil companhias, uma redução de 8,5% em relação a 2013, pico da série histórica, quando tinha 335 mil. Esse resultado foi puxado, sobretudo, pela indústria de transformação, que sozinha detém 97,9% do setor, e fechou 28 mil empresas em seis anos.

No mesmo período, o contingente de pessoas ocupadas na indústria diminuiu 15,6%, passando de 9,0 milhões em 2013 para 7,6 milhões em 2019, com redução de 14,8% dos postos de trabalho nas indústrias extrativas e 15,6% nas indústrias de transformação. Os dados são Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2019, divulgada nesta quarta-feira (21/07) pelo IBGE.

Em dez anos, a atividade que mais fechou empresas na indústria de transformação foi preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (-36,2%), seguida pela fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-21,7%) e a metalurgia (-20,1%). Na indústria extrativa, a maior redução ocorreu na extração de carvão mineral (-46,2%).

Já a mão de obra teve crescimento em somente oito das 24 atividades da indústria de transformação no período de 2010 a 2019, com destaque para a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (51,3%). As maiores quedas ocorreram na fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (-27,7%) e na fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-27,5%).

Nas indústrias extrativas, a extração de petróleo e gás natural quase quintuplicou a mão de obra ocupada em dez anos. Isso reflete o ganho de participação das unidades locais da indústria extrativa na geração de valor da indústria como um todo. Unidade local é onde se desenvolvem as atividades econômicas de uma empresa. Em dez anos, o aumento foi de 3,5 pontos percentuais (p.p.), passando de 11,7% em 2010 para 15,2% em 2019, o que representa o maior valor nesse período. Em um ano, o aumento foi 0,6 p.p.

“Tivemos um grande avanço na atividade de petróleo e gás natural com a exploração das reservas do pré-sal. Em uma década, o segmento aumentou sua parcela em 3,4 p.p. e registrou 7,2% do valor de transformação de toda a indústria”, acrescentou a gerente da pesquisa, Synthia Santana.

Já nas indústrias de transformação a redução na participação vem da perda de dinamismo do setor de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,2%), cuja redução em 3,8 p.p. foi a maior do setor entre 2010 e 2019. Com isso a atividade caiu da 3ª para a 6ª posição no ranking dos segmentos com os maiores valores de transformação da indústria.

A indústria gerou R$ 1,4 trilhão de valor da transformação industrial em 2019, que é a diferença entre o valor bruto da produção (R$ 3,3 trilhões) e os custos das operações industriais (R$ 1,9 trilhão).

Embora o número de empresas e pessoas ocupadas pela indústria tenha encolhido, o faturamento do setor continuou crescendo, chegando a R$ 3,6 trilhões em 2019. As indústrias extrativas responderam por 6,1% do faturamento da indústria, o que equivale a um incremento de 1,5 ponto percentual (p.p.), atingindo o maior valor percentual em dez anos, mesmo que ainda represente a menor parcela da indústria.

Destaca-se a extração de petróleo e gás natural, que nesse período aumentou a sua participação em 1,6 p.p. e alcançou 1,7% do faturamento industrial total. A atividade extrativa mais relevante, contudo, foi a extração de minerais metálicos, que concentrou 3,6% da indústria nacional como um todo.

Entre as atividades das indústrias de transformação, por sua vez, destaca-se a fabricação de produtos alimentícios (20,5%), que se consolidou como a atividade com a maior parcela de faturamento na série de dez anos, e a que mais avançou no período, perfazendo um ganho de participação de 3,3 p.p. nesse período.

Já a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias teve a maior perda de representatividade na indústria (3,1 p.p.), passando da 2º para a 4ª posição no ranking, e concentrando 9,2% do faturamento total da indústria em 2019.

“Esse declínio na indústria automobilística decorre de sucessivas crises no setor, com impactos regionais importantes, já que algumas plantas industriais foram transferidas para outras regiões mais atrativas ou foram totalmente fechadas. Mesmo com políticas contracíclicas, como a redução do IPI, algumas montadoras não resistiram”, explica Synthia Santana.

A concentração de mercado no setor industrial no Brasil aumentou 2,4 pontos percentuais em 2019, atingindo 24,7%, o maior patamar da série iniciada em 2010. O índice mede o percentual do valor da transformação industrial gerado pelas oito maiores empresas do setor.

Entre 2010 e 2019, a indústria extrativa teve uma pequena redução na concentração, de 75,5 para 74,0%. Já a indústria de transformação, embora com menor concentração, aumentou de 19,6% para 23,0%. No período, a concentração aumentou na fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, de 33,5% para 46,1%, e na fabricação de celulose, papel e produtos de papel, que passou de 46,2% para 56,6%.

Agência IBGE de Notícias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ibge tab III 21 07 2021