Frente de oposições

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A moçada que disputou eleições e que se alinha à esquerda anda em conversas de organizar uma frente de partidos para encarar o governo estadual de Ratinho Jr. O próximo capítulo eleitoral é o estadual. A principal bandeia dessa frente seria barrar todas as privatizações que começaram com a Copel Telecom e eles temem que avance sobre a Sanepar e própria Copel. E se contrapor às políticas “bolsonaristas” como eles denominam a militarização das escolas, a política de segurança pública e “om privilégio de investimentos públicos que favorecem interesses privados, como a construção da infraestrutura de um porto em Pontal do Sul”.

A reflexão é a seguinte: Ratinho Jr subordinou todas as lideranças intermediárias entre a geração de Lerner, Requião e Alvaro e a dos novos que disputam a prefeitura. Encaçapou Luciano Ducci, do PSB; Luizão, do Republicanos; Gustavo Fruet, do PDT; e segurou Ney Leprevost na Secretaria de Justiça.

Destas eleições emergiram Goura, do PDT; firmou-se João Arruda, no MDB, Camila Lanes, do PCdoB, Paulo Opuszka, no PT. Para citar os mais notáveis, lembrando que nos partidos dos desistentes ficaram nomes expressivos dispostos a encarar o governo integrando essa frente. è o caso de Luiz Cláudio Romanelli, do PSB; toda a bancado do MDB e do PT.

Some-se a eles um braço sindical forte, a partir dos professores e metalúrgicos.

Ou seja, Ratinho Jr não terá mais essa unanimidade silenciosa que teve até agora, o que vai exigir mais tutano e neurônios de Guto Silva, o chefe da Casa Civil que comanda o núcleo duro do governo. Desenha-se outra oposição, à direita, que reuniria Francischini, do PSL e todos os descontentes com a partilha de prebendas e benesses no governo.

Cadê O Requião?

Muita gente pergunta: onde está Requião, ausente na campanha eleitoral de Curitiba, que um dia foi a sua principal base eleitoral? Ele mesmo respondeu pelo Twitter, seu canal de comunicação preferido. Está em casa, sem barbeiro, cabelos brancos, barba por fazer.

Aposentado?

Quem o bem conhece Requião diz que ele não pendurou as chuteiras. Ele estaria disposto a voltar em 2010 como candidato de uma das majoritárias. Aos 78 anos. Ora, se Biden venceu as eleições presidenciais nos Estados Unidos com essa idade, por que ele não pode tentar aqui. O MDB se enche de entusiasmo quando ele insinua a possibilidade de sair para o governo.

Fica com Ernesto

Jair Bolsonaro não vai trocar ministros do seu governo para satisfazer as expectativas de adversários ou para agradar o presidente eleito dos Estados Unidos. “Isso é impensável!”, exclamou o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), manteve demorada reunião com o presidente.

Disfuncional

Grupos de diplomatas acham que o chanceler Ernesto Araújo, de acesso fácil à equipe de Donald Trump, tornou-se “disfuncional” pelas dificuldades que deverá ter com Joe Biden.  A diplomacia brasileira, uma das melhores do mundo, cuidará da relação com o provável governo Biden. Negociar é a expertise do Itamaraty.

Salles também fica

Também a cabeça Ricardo Salles (Meio Ambiente) jamais seria entregue a Biden, como pede a oposição. Ele tem a confiança do presidente. Críticos do governo Bolsonaro chamam ambos os ministros de “tóxicos”, com dificuldades de estabelecer relações sólidas com outros governos. Ricardo Barros acha correto Bolsonaro evitar o “açodamento” e aguardar o anúncio oficial da vitória para só então cumprimentar Joe Biden.

Olavo tem que pagar

O desembargador José Acir Lessa Giordani, da 12ª Câmara Cível do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio), negou o pedido do escritor Olavo de Carvalho para suspender indenização de R$ 2,9 milhões ao cantor Caetano Veloso por publicações que o acusavam de pedófilo. As informações são do UOL. O pedido ainda vai ser julgado pelo colegiado da 12ª Câmara Cível, que também vai julgar um recurso do Olavo de impugnação da multa.

Processado em 2017

O escritor foi processado pelo cantor em 2017 e chegou a pedir R$ 65.966,78 por danos morais, mas como ele recusou apagar as publicações, teve o acúmulo de multa diária de R$ 10 mil. Caso Olavo de Carvalho não pague a multa, ele terá o acréscimo de 10% sobre a quantia total.

Agora na Fiocruz

Cientistas da Fundação e do Instituto Butantan estariam discutindo a viabilidade de uma carta aberta conjunta contra a permanente tentativa de intervenção em seus trabalhos científicos, notadamente em relação à vacina contra o coronavírus. A ideologia em torno dos testes seria o ponto central do manifesto. Mas, é preciso muito cuidado. A instituição está ligada diretamente ao governo federal. E nesse caso, há ainda o problema que a carta seria divulgada num momento de disputa pela presidência da Fiocruz. Todos acham que a possibilidade de intervenção do presidente da entidade criaria um ambiente de incômodo coletivo: a atual presidente da entidade, Nisia Trindade é uma espécie de consenso na Fiocruz.

Quem te representa?

É frequente ouvir a reclamação de que “nenhum deputado no Congresso me representa”. Ainda que seja habitual, quase um lugar-comum, incapaz de surpreender quem quer que seja, essa crítica tem sérias implicações. Ela não significa, por exemplo, que o Legislativo está distante ou que as leis aprovadas refletem pouco as preferências políticas pessoais. A frase “nenhum parlamentar me representa” estabelece uma radical – e absolutamente irreal – separação entre eleito e eleitor.

Emana do povo

Como diz a Constituição, todo o poder emana do povo. No Congresso, nas Assembleias Estaduais e nas Câmaras Municipais, não há ninguém ocupando uma cadeira por sucessão hereditária, patrimonial, cultural ou intelectual. Todos estão lá pela mesma e única razão: receberam votos do eleitor. É verdade que, em muitos lugares, a posse de determinado sobrenome facilita a eleição, mas o critério decisivo e determinante continua sendo o voto, a vontade do eleitor.

Quem elegeu?

E se foi o voto que colocou todos os membros do Poder Legislativo em seus respectivos cargos, é preciso reconhecer uma consequência insofismável – todos, sem exceção, são representantes dos eleitores. Todos, de fato e de direito, representam a população, que os escolheu.

Outro motivo

A ideia de protesto vem crescendo a cada declaração do presidente Bolsonaro contra a ciência. Com referência à suspensão de testes da vacina  chinesa, ele postou no seu perfil no Facebook e Twitter: “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Os estudos foram suspensos após a morte de um voluntário que recebeu dose da vacina – posteriormente, soube-se que foi suicídio. Para Bolsonaro, não importa. Hora depois, ele voltou a atacar ao falar da covid-19 dizendo que “o Brasil precisaria deixar de ser um país de maricas”.

É o Rio!

Virou galhofa a fala de Bolsonaro, nesses dias, sobre um eventual conflito com Joe Biden, dizendo que “quando acaba a saliva tem que ter pólvora”. No almoço da Casa Porto, no Largo de São Francisco da Prainha, espaço culinário e de eventos, o produtor cultural Raphael Vidal, dono do lugar, distribuiu cem pacotinhos de estalinhos, aquelas bombinhas de festa junina, de fraco estampido, “para ajudar os brasileiros a se defenderem na guerra contra os Estados Unidos”.

Trens gaúchos

O secretário especial da Desestatização, Diogo Mac Cord, planeja realizar o leilão de privatização na Trensurb, o sistema de trens de Porto Alegre, em abril do ano que vem. Os estudos estão sendo conduzidos pelo BNDES que informa que ainda não há prazo para sua conclusão.

Contra a Globo

O ex-presidente Lula rasgou o verbo contra a matéria exibida no Fantástico no último domingo (8) sobre a desigualdade social no país. Para ele, foi mais um ataque da Globo contra os governos petistas que comandaram o país de 2002 a 2016. Lula definiu a matéria como “censura política” e disse que a Globo se esforça para fazer o PT desaparecer e contar a história do Brasil.

Vai explodir

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez uma ameaça grave e sinistra durante entrevista à CNN. Segundo Maia, se algumas pautas não forem aprovadas pelo Congresso “o Brasil vai explodir e o dólar pode chegar a R$ 7”.

Indenização

Ainda a indenização pretendida por Dilma Rousseff: além da milionária que pretende, com pagamento retroativo, a ex-presidente ataca em outra frente, de um antigo emprego. Quer reajuste de sua aposentadoria como economista do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Ela ficou afastada das funções no IFRGS até ser reintegrada e agora quer que o período de afastamento seja concedido como “trabalhado”.

Quase “chanceler”

A ministra da Agricultura, Teresa Cristina deverá ter papel importante para reduzir a temperatura diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Ela é a principal interlocutora entre o governo brasileiro e o embaixador norte-americano no país, Todd Chapman. O bom diálogo entre eles já foi usado no começo do ano na suspensão do embargo à importação de carne bovina do Brasil. Detalhe: no dia em que Bolsonaro disse “quando a saliva acaba, entra a pólvora”, pouco depois Chapman publicou nas redes sociais um post enaltecendo os fuzileiros navais norte-americanos.

Longe de Mourão

Ainda sobre o distanciamento que Bolsonaro faz de Hamilton Mourão: os dois não se falam e só se encontram em eventos públicos, e quando falam cada um fica no seu canto. A cada entrevista de Mourão mais ele se afasta do núcleo do poder e especialmente da chapa de reeleição em 2022; e para o núcleo do poder,  Bolsonaro repete um mote: “Quem fala demais dá bom dia a cavalo”, ironia que se refere à paixão de Mourão, o hipismo.

Direitos humanos

A cada hora, o Ministério da Família registra 25 casos de violação de direitos humanos no país, segundo dados do próprio ministério. De 29 de outubro, quando foi lançado, até 9 de novembro, a nova plataforma de recebimentos de denúncias da Pasta acumulou 7.139 registros. O Ministério pensa agora numa campanha para combater esses dados, embora não tenha exatamente um remédio para acabar com o problema.

Últimos dias

O TSE está intensificando fortemente o monitoramento de redes sociais e WhatsApp, com suporte do Twitter e do Facebook. Estatísticas revelam que nos últimos dias antes da eleição concentram o maior bombardeio de fake news de toda a campanha.

Frases

“Afinal, Trump não é o homem mais importante do mundo.”

Jair Bolsonaro em comentário único sobre a derrota de Trump para Joe Biden.