Formiga se despede da Seleção Feminina com homenagens

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Thaís Magalhães/CBF

Os olhos de Formiga marejaram já no hino que antecede a partida, um ritual que repetiu pela 234ª e última vez. Ovacionada por toda a Arena da Amazônia na noite desta quinta-feira (25), a lenda ganhou reverências antes, durante e depois da goleada da Seleção Brasileira por 6×1 diante da Índia, em jogo válido pela primeira rodada do Torneio Internacional de Manaus.

“Foi maravilhoso, não poderia ser melhor. Saímos com a vitória, essas meninas se empenharam bastante por isso, então agradeço também a cada uma delas por se dedicarem a esse jogo, possibilitando que esta noite terminasse dessa forma. Foi maravilhoso o placar. Para fechar com chave de ouro, realmente tem que ser dessa forma. Tudo foi mesmo como imaginei. Sabia que essa torcida iria comparecer, Manaus sempre foi muito carinhosa com a gente e espero que assim permaneça Agradeço a todos pelo empenho e por tudo que fizeram para que isso hoje se tornasse realidade”, disse Formiga após a partida.

Antes da bola rolar, um vídeo preparado pela CBF TV foi exibido no telão, trazendo memórias e emocionando a eterna camisa 8 da Amarelinha. Na sequência, a Coordenadora das Seleções Femininas Duda Luizelli entregou uma placa dourada em homenagem aos 26 anos de entrega de Formiga à Seleção.

Com menos de um minuto, Debinha abriu o placar e dedicou seu 18º gol na Era Pia à companheira, ritual que se repetiu a cada gol da equipe. Manisha empatou para a índia, mas Gio fez o seu primeiro gol com a Amarelinha e o segundo do Brasil na partida.

Já na segunda etapa, Ary Borges marcou e, dois minutos depois, Bruninha e Geyse construíram boa jogada para Kerolin balançar as redes pela quarta vez. Geyse marcou o quinto e Formiga quase fez o sexto, mas a goleira Chauan defendeu e, no rebote, Ary Borges marcou pela segunda vez e fechou a conta. Formiga teria ainda mais duas chances defendidas pela arqueira indiana.

“Faltou um pouquinho de perna, sei lá, a goleira também não me ajudou (risos). Mas o que vale é essa festa, que tudo deu certo. Saímos com a vitória, que era o mais importante, e agora é pensar, terminar meu contrato com o São Paulo para quem sabe, num futuro próximo, possa estar aqui”, disse.

Ao fim do jogo, um abraço coletivo das Guerreiras do Brasil acolheu aquela que tanto fez por cada uma das meninas brasileiras apaixonadas pelo futebol. Na sequência, cada uma das jogadoras indianas esperou sua vez de tirar uma foto e registrar o momento com Formiga, referência internacional da modalidade. Um corredor se formou com as duas equipes e suas respectivas comissões técnicas, e Formiga fez questão de cumprimentar um por um. Recebeu os aplausos e a reverência de todos. Ao fim do trajeto, encontrou o seu início: a mãe, dona Celeste, segurava uma camisa comemorativa com os dizeres “Formiga eterna”, e o 8 transformado em símbolo do infinito. Ao lado dela, estava Érica Jesus, esposa de Formiga.

“Eu não tenho nem palavras. Para mim, foi um dos maiores presentes ter minha mãe aqui nesse momento. Tantas e tantas vezes eu sonhei com isso, e agora essa hora chegou. Comprei passagem tantas vezes e ela sempre me enrolando, né? (risos) Mas eu entendo, e tudo que Deus faz, ele faz perfeito. Hoje foi uma noite perfeita, e ela está aqui, assim como minha sobrinha, minha empresária, minha esposa, que sempre esteve ao meu lado. Em alguns momentos, cheguei a acreditar que ela de novo pudesse dar para trás e eu com certeza ficaria triste, porque não é a primeira vez que tento trazê-la. Mas graças a Deus ela aceitou, entendeu a importância desse dia na minha vida, e, claro, minha esposa ali insistindo, incentivando, falando bastante para que ela viesse”, contou Formiga, já esperando a companhia de Dona Celeste em seus próximos passos.

“A única coisa que desejo é que minha mãe tenha muitos anos ainda e que possa me acompanhar fora das quatro linhas, porque ela sabe que meu desejo é continuar ajudando essas meninas. Ela sabe da dificuldade que passei, sabe que o único desejo que tenho é ajudar tantas outras meninas que ainda passam dificuldade no Brasil, que precisam de estrutura. Se eu puder continuar ajudando, ela sabe que me ausentarei mais alguns anos de casa, mas é por um propósito maior, e acredito que ela vai continuar me apoiando até o final”, disse.