Segundo dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Fecomercio SP três grupos registraram altas superiores a 12%.

O comércio da região metropolitana de São Paulo registrou em julho alta de 2,9% no faturamento no contraponto ao mesmo mês de 2006, segundo apurou a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio SP). No acumulado do ano, a elevação nas vendas é de 3,8%.

O segundo semestre continua a trajetória do período anterior, com vendas aquecidas e estimuladas pela grande oferta de crédito. Os maiores destaques foram as lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, Material de Construção e de Vestuário, Tecidos e Calçados, todas com aumento real de vendas acima de 12%, em relação a julho de 2006. Por outro lado, as lojas de Autopeças e Acessórios registraram queda de 19,4% ante o mesmo mês do ano anterior.

AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS SETORIAIS

Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
Esse setor registrou o melhor resultado do ano e o melhor desempenho dentre todos os segmentos, com aumento de 14,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. No ano, acumula alta de 10,5%. O aumento no faturamento é resultado do volume de crédito que permaneceu elevado em julho, bem como da valorização continua da moeda brasileira, principalmente frente ao dólar, o que permitiu a continuidade de queda nos preços dos produtos eletroeletrônicos.

Lojas de Material de Construção
O segmento continuou a registrar crescimento em julho, com alta de 14,8% na comparação com o mesmo mês de 2006, e acumulado de 14,4% no ano. A crescente oferta de crédito com taxas de juros e prazos bastante atrativos continuam a ser alguns dos responsáveis pelo incremento nas vendas desta atividade.

Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados
Marcado pelas liquidações de queima de estoque em virtude da troca de coleção, o mês de julho foi de crescimento nas vendas deste grupo (12,1%), ante ao mesmo período de 2006. No ano, as lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados acumula elevação de 9,2%. Vale ressaltar que o setor não registra variações negativas desde agosto de 2006.

Para os próximos meses a expectativa é de que o setor continue com as vendas aquecidas, porém em menores proporções. É importante destacar que a recente aprovação dos países membros do Mercosul em aumentar as tarifas de importação para vestuários e calçados chineses deverá influenciar na elevação dos preços deste segmento, que causará uma pequena redução no movimento das vendas.

Farmácias e Perfumarias
Em julho este setor continuou sua trajetória de bons resultados e registrou crescimento de 10% em suas vendas, na comparação com o mesmo mês de 2006. No ano, acumula alta de 11,1%. O bom desempenho é reflexo da viabilidade das estratégias adotadas pelas empresas deste segmento em disponibilizar um novo mix de produtos em seus estabelecimentos, bem como da oferta de crédito por meio de cartões das lojas e de prazos maiores de pagamento. Vale destacar também o maior consumo de medicamentos genéricos em detrimento dos medicamentos tradicionais, principalmente, entre a população com menor poder aquisitivo.

Concessionárias de Veículos
Esse grupo registrou crescimento de 7,8% em julho comparativamente ao mesmo mês de 2006, acumulando alta de 19,3% no ano. Esse resultado mantém o segmento na liderança do desempenho varejista nos 7 primeiros meses de 2007, consolidando um dos melhores ciclos de crescimento de sua história.

O desempenho está em sintonia com os demais indicadores nacionais sobre produção e crédito dirigido para esse segmento. Tanto o nível de produção como de licenciamentos de veículos novos mostram expansões vigorosas, ao mesmo tempo em que a concessão de crédito se mantém aquecida, estimulada pelo aumento de prazo, facilidade de acesso e taxas de juros reduzidas para essa modalidade.

Lojas de Móveis e Decorações
A grande oferta de crédito e as boas condições de financiamento foram os fatores que contribuíram para que este grupo registrasse em julho crescimento de 7,1% no contraponto ao mesmo período de 2006. No ano, o faturamento nas lojas de Móveis e Decorações acumula elevação de 11,9%. Esses aspectos, aliados à confiança do consumidor quanto às condições presentes favoráveis, parecem induzir na decisão de investir na reforma e melhoria das condições domésticas.

Lojas de Departamentos
Em julho, este grupo teve alta de 1,6% no faturamento real em relação ao mesmo período de 2006. De janeiro a junho o segmento acumula crescimento de 6,6%. É importante ressaltar que o desempenho desta atividade está intimamente ligado à estratégia adotada pelas empresas em ofertar uma maior variedade de produtos.

Supermercados
O setor de Supermercados apresentou alta de 0,1%, no comparativo a julho de 2006. No acumulado do ano, o grupo aponta queda de 4,3%. Em relação ao volume de vendas reais, o referido mês foi o segundo melhor deste ano, superado apenas pelo resultado de abril. As elevações de preços registradas itens de consumo básico, como carne e leite, favoreceram as vendas do mês.

Lojas de Autopeças e Acessórios
Este grupo registrou em julho o pior desempenho dentre todos os setores varejistas pesquisados, com retração de 19,4% em suas vendas reais em comparação com o mesmo período do ano anterior. Nestes sete meses de 2007 as lojas de Autopeças e Acessórios já acumulam baixas de 23,5%. Esse resultado é fruto da queda monetária das vendas causada pela deflação nos preços de seus produtos, afetados pelo câmbio e pelo excepcional ciclo de vendas de automóveis novos.

Nota Metodológica
A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) é apurada mensalmente pela Fecomercio desde 1970, tendo sido atualizada periodicamente de forma a se manter moderna e adequada ao perfil do varejo. Os dados são coletados junto a cerca de 1.800 estabelecimentos comerciais na região metropolitana de São Paulo. A pesquisa tem como objetivo acompanhar e avaliar o desempenho do comércio varejista em seus vários ramos de atividade. Das informações apuradas, são gerados indicadores de faturamento nominal e faturamento real. Os dados da pesquisa auxiliam o empresário varejista na realização de investimentos, priorização de atividades, identificação de tendências do consumidor e do mercado, adequação a novos padrões, redefinição de diretrizes, alteração nos padrões de consumo, inserção no mercado, servindo, assim, como um balizador das suas atividades no curto prazo. Para a indústria auxilia no planejamento da produção, vendas e estoques, orientando a tomada de decisões estratégicas.