O que já foi a segunda maior varejista do país, a Ricardo Eletro, sofreu um duro golpe, que pode inviabilizar sua continuidade no mercado brasileiro. A justiça de São Paulo decretou a falência do grupo, que já estava em recuperação judicial na última quarta-feira, teve o pedido suspenso na última sexta-feira e viverá uma grande batalha judicial para se manter ativo. A Ricardo Eletro foi fundada no interior de Minas Gerais em 1989. A partir de 2000, começou uma forte expansão pelo país e fez aquisições de outros grupos como a MIG, no Centro-Oeste; a Insinuante, no Nordeste e a Salfer, na região sul, além da Citylar e Eletroshop. O grupo chegou a ter R$ 10 bilhões de faturamento, 1.200 lojas e 25 mil funcionários em 2014.

DECADÊNCIA

A Ricardo Eletro só perdia em tamanho e faturamento para o Magazine Luíza, mas a concorrência do comércio digital foi corroendo o faturamento da gigante do varejo. Em 2017, o faturamento já era de R$ 6 bilhões, 650 lojas e 13 mil funcionários. Em 2020 veio o pedido de recuperação judicial, o fechamento das últimas 300 lojas que restavam e a concentração de negócios apenas no e-commerce. Mas a estratégia não funcionou. O endividamento total do grupo, incluindo passivos em recuperação, era de cerca de R$ 4,8 bilhões em dezembro de 2021, para uma receita líquida de R$ 7 milhões no ano passado, uma queda de 98% sobre 2020.

POSSÍVEL FALÊNCIA

Outro gigante mundial, a Revlon, produtora de cosméticos, viu o preço de suas ações despencarem na última sexta-feira. A empresa está presente em mais de 150 países, mas há o boato de que ela pode decretar sua falência. A Revlon teve um prejuízo líquido no começo deste ano que somou US$ 67 milhões (R$ 333,8 milhões), e a empresa tem uma dívida de US$ 3,3 bilhões (R$ 16,4 bilhões) com vencimentos em 2024 e 2025.

SEMICONDUTORES

A indústria automobilística continua sofrendo com a falta de semicondutores para a fabricação de veículos de todos os tipos. No Brasil, em maio, foram licenciados 8.500 veículos por dia, mas os representantes do setor de fabricação de veículos dizem que este volume deve subir para 11 mil veículos diários para atingir a projeção de crescimento de 8,5% nas vendas em 2022. Além da falta de semicondutores, os fabricantes de veículos enfrentam agora a pouca disponibilidade no mercado de resinas e borrachas. De janeiro a maio, o volume de veículos licenciados em todo o país caiu 17% na comparação com os primeiros cinco meses de 2021. A falta de semicondutores já provocou 16 paralisações de fábricas este ano. No período, 150 mil veículos deixaram de ser produzidos.

VENDAS DE IMÓVEIS

O número de novos imóveis comercializados no Brasil aumentou 6,2% no primeiro trimestre de 2022, quando comparado com o mesmo período de 2021. Ao todo, foram vendidas 36.982 unidades de janeiro a março deste ano. Os dados referem-se ao levantamento realizado com 18 empresas associadas à ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), em parceria com a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Os lançamentos seguiram a mesma direção de alta e cresceram 2,2% no trimestre, chegando a 26.973 novas unidades, ante as 26.380 lançadas do mesmo intervalo de 2021.
POR SEGMENTO

Nos três primeiros meses de 2022, os lançamentos de imóveis de Médio e Alto Padrão (MAP) seguiram em ampla expansão e cresceram 35,6%, com a chegada de 10.013 unidades no mercado. No mesmo período, os lançamentos do programa Casa Verde e Amarela (CVA) totalizaram 16.960 unidades (-10%). Em relação às vendas, o MAP registrou um acréscimo de 109% no número de imóveis comercializados no 1° trimestre (9.553 unidades). O CVA somou 26.942 unidades vendidas (-9%).

ACUMULADO

Considerando os últimos 12 meses, encerrados em março de 2022, o número de unidades lançadas subiu 20,1%, ante o mesmo período de 2021, e totalizou 154.315 novos imóveis. As vendas realizadas entre abril/21 a março/22 também superaram às ocorridas no período anterior em 0,7%, com 145.735 unidades comercializadas. O presidente da ABRAINC, Luiz França, avalia que as vendas e lançamentos mantiveram um bom comportamento no primeiro trimestre do ano e o mercado imobiliário segue como um dos protagonistas no processo de recuperação da economia brasileira.

INVESTIMENTO SEGURO

Luiz França diz que: “O brasileiro vê a compra do imóvel como uma forma de proteger parte do patrimônio da alta inflacionária, assim como obter ganhos reais no longo prazo. Os empreendimentos atraem cada vez mais compradores e investidores, que veem maior interesse neles em relação às aplicações financeiras tradicionais. Isso explica o fato de uma recente Pesquisa de Intenção de Compra feita pela Brain, em parceria com a Abrainc, revelar que 34% dos entrevistados têm a intenção de comprar imóveis nos próximos 12 meses”, finaliza o executivo.

EXPORTAÇÃO DE CAFÉ

O Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) estima que as exportações de café brasileiro tiveram um crescimento de 5% no mês de maio em relação ao mesmo mês do ano passado. Deixaram os portos brasileiros 2,806 milhões de sacas de 60kg do produto. Mas no acumulado do ano, as exportações tiveram queda. De janeiro a maio de 2022, os embarques brasileiros somaram 16,621 milhões de sacas, um recuo de 7% em relação aos cinco primeiros meses de 2021, e a receita aumentou 63%, para US$ 3,867 bilhões.

NOSSOS COMPRADORES

Os Estados Unidos retomaram o posto de principal importador de café do Brasil, com 19,5% das compras no acumulado deste ano, informou o Cecafé. Os americanos importaram 3,24 milhões de sacas, volume 5% menor que o dos cinco primeiros meses do ano passado. Em abril, a Alemanha havia assumido a liderança, superando os EUA no total das importações no quadrimestre. Até maio, porém, os alemães responderam por 18,7%, ou 3,113 milhões de sacas, uma queda de 3,8% em comparação com o mesmo intervalo de 2021. No acumulado do ano, a Bélgica é o terceiro maior comprador (1,661 milhão de sacas), a Itália, o quarto (1,406 milhão de sacas), e o Japão, o quinto (726,9 mil sacas).

RENDA EM QUEDA

No segundo ano de pandemia, em 2021, o rendimento médio dos brasileiros caiu para o menor patamar registrado desde 2012. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento médio mensal real domiciliar per capita em 2021 foi de R$ 1.353. Em 2012, primeiro ano da série histórica da pesquisa, esse rendimento era o equivalente a R$ 1.417. Em 2020, no primeiro ano de pandemia, era de R$ 1.454. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Rendimento de todas as fontes 2021, divulgados na última semana. Esses valores referem-se a uma média de quanto recebe cada um dos brasileiros, por mês. Os valores de anos anteriores são atualizados pela inflação do período para que possam ser comparados.

VALORES A RECEBER

O IBGE considera no levantamento os rendimentos provenientes de trabalhos; de aposentadoria e pensão; de aluguel e arrendamento; de pensão alimentícia, doação e mesada de não morador; além de outros rendimentos. Considerados apenas os brasileiros que possuem rendimento, a média mensal registrada em 2021 foi R$ 2.265, segundo o IBGE, a menor da série histórica. As menores médias desde 2012 entre as pessoas com rendimento também foram registradas em aposentadoria e pensão, com média de R$1.959 e em outros rendimentos (R$ 512).

DESIGUALDADE

A pesquisa aponta também as desigualdades de rendimento entre as regiões do Brasil. Em todas elas houve queda no rendimento médio mensal real domiciliar per capita entre 2020 e 2021. Enquanto na região Sudeste essa renda passou de R$ 1.742 para R$ 1.645 e na região Sul, de R$ 1.738 para R$ 1.656; na região Norte passou de R$ 966 para R$ 871 e na região Nordeste, de R$ 963 para R$ 843. Na região Centro-Oeste a variação foi de R$ 1.626 para R$ 1.534.

COMÉRCIO VAREJISTA

O volume de vendas do comércio varejista do país cresceu 0,9% de março para abril deste ano. Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esta é a quarta alta consecutiva do indicador. Também foram registrados crescimentos na média móvel trimestral (1,2%), na comparação com abril de 2021 (4,5%), no acumulado do ano (2,3%) e no acumulado de 12 meses (0,8%). Quatro das oito atividades pesquisadas tiveram alta na passagem de março para abril: móveis e eletrodomésticos (2,3%), tecidos, vestuário e calçados (1,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,4%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%).

VENDAS CAINDO

Por outro lado, quatro atividades tiveram queda no volume de vendas: combustíveis e lubrificantes (-0,1%), hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,1%), livros, jornais, revistas e papelaria (-5,6%) e equipamentos e material para escritório informática e comunicação (-6,7%). A receita nominal do varejo cresceu 1,3% na comparação com março, 22,3% em relação a abril de 2021, 16,8% no acumulado do ano e 14,5% no acumulado de 12 meses. O varejo ampliado, que também mede as atividades de veículos e materiais de construção, cresceu 0,7% de março para abril. Veículos, motos, partes e peças recuaram 0,2% e material de construção caiu 2%. O comércio varejista ampliado também cresceu 1,1% na média móvel trimestral, 1,5% na comparação com abril do ano passado, 1,4% no acumulado do ano e 2,2% no acumulado de 12 meses.

LEILÃO DE CONGONHAS

Um dos principais aeroportos brasileiros será concedido à iniciativa privada por meio de um leilão a ser realizado no dia 18 de agosto. Localizado em São Paulo, o Aeroporto de Congonhas será leiloado junto com outros terminais como o de Uberlândia (MG), Uberaba (MG) e Montes Claros (MG) num sistema conhecido como leilão por blocos. “Onde nós colocamos um aeroporto de grande porte onde ele é lucrativo, superavitário junto com outros aeroportos que não tem aí a ‘vantajosidade’, talvez, do lucro, mas são aeroportos importantes quando nós falamos de interiorizar a nossa infraestrutura, democratizar o acesso à nossa aviação”, disse o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, entrevistado do programa A Voz do Brasil.