Fábrica de microchips da Bosch na Alemanha vai amenizar crise dos semicondutores

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O Ministério da Economia da Alemanha concedeu cerca de € 140 milhões em incentivos à fábrica de Dresden © 2021 Sven Döring für Bosch

A Bosch inaugurou na segunda-feira, 7, sua fábrica de microchips localizada em Dresden, no leste da Alemanha. Resultado do investimento de aproximadamente € 1 bilhão, a nova planta vai começar a produzir componentes eletrônicos a partir de julho, inicialmente para serem usados em ferramentas elétricas. Para o setor automotivo, a previsão é de iniciar a fabricação em setembro, três meses antes dos planos iniciais.

A nova planta é uma das mais modernas do mundo, sendo totalmente conectada e orientada por dados, com máquinas e processos integrados e altamente automatizados, combinados com sistemas de inteligência artificial e da indústria 4.0, de acordo com a empresa.

“Para a Bosch, os semicondutores são uma tecnologia fundamental e é estrategicamente importante desenvolvê-los e produzi-los nós mesmos, em Dresden, com a ajuda da inteligência artificial, levaremos a fabricação de microchips para o próximo nível”, afirmou Volkmar Denner, presidente do conselho de administração da Bosch.

Desde que as atividades econômicas começaram a ser retomada na Europa, nos Estados Unidos e, principalmente, na China, a demanda por microchips cresceu muito rapidamente, provocando gargalos no fornecimento e a paralisação de fábricas pelo mundo todo, principalmente EUA e Europa (leia aqui). No Brasil, a crise dos semicondutores já causou a paralisação da linha de montagem da Honda, da GM (a unidade de Gravataí está parada desde março) e recentemente da Volkswagen.

Para piorar, um incêndio em uma fábrica japonesa e o inverno rigoroso nos Estados Unidos prejudicaram a logística ainda mais, o que expôs a fragilidade das cadeias de suprimento das indústrias – e não só da automotiva. Por conta disso, a União Europeia estabeleceu uma meta de passar a produzir pelo menos 20% dos chips usados mundialmente até o fim desta década.

RESPOSTA EUROPEIA AO DOMÍNIO ASIÁTICO
“Não me sinto confortável pelo fato de um grande bloco econômico como a União Europeia não estar em posição de produzir microchips”, declarou a chanceler alemã Angela Merkel, durante discurso em uma conferência de organizações de pesquisas alemãs, de acordo com a agência Bloomberg. “Se este é um país famoso por sua indústria automotiva, não é muito bom se não conseguimos produzir o componente principal”, afirmou a dirigente.

“A nova unidade da Bosch vai atender clientes de todo o mundo”, afirmou Harald Kroeger, membro do conselho de administração da empresa, que disse acreditar em um crescimento da demanda mundial por semicondutores da ordem de 11% ainda neste ano, o que deve corresponder a um montante de € 400 bilhões. “Esse é mais um motivo importante para a Europa criar um ‘contrapeso’ à atual posição dominante das fabricantes asiáticas de chips”, acrescentou.

@grassi_m com assessoria