Amanda Lyra:  “Um dos melhores caminhos para a felicidade é o autoconhecimento”.

“É muito comum quem não convive com pessoas com deficiências terem uma visão capacitista e se admirarem com posturas positivas, sorrisos e auto aceitação.  O sorriso, é a minha marca registrada”

O comentário é de Amanda Lyra, artista musical, palestrante, atriz, produtora e cantora, 32 anos, que nasceu em Curitiba e foi criada até os 14 anos em São José dos Pinhais

Ela é  uma mulher com deficiência, com uma doença degenerativa, com um corpo cheio de cicatrizes e dores, com próteses metálicas na perna e amarradas em todas as vértebras da coluna, com uma perna quebrada há seis anos, usuária de cadeira de rodas, com pouca força muscular “e que está mudando o mundo”, como diz sua s mãe, a comunicadora Vera Rosa.

A coluna BUSINESS WOMAN entrevistou Amanda Lyra, onde é possível ver uma trajetória de superação, força de vontade e determinação de uma pessoa deficiente.

“Um dos melhores caminhos para a felicidade é o autoconhecimento. E o autoconhecimento é você se estudar, compreender o que você está dizendo e fazendo.  E tentar entender se faz sentido para você mesmo se julgar e ajustar o curso da sua vida através da escolha de atitudes que tem a maior probabilidade de trazer satisfação verdadeira”, comenta Amanda Lyra.

Mais adiante ao responder de como devem ser vistas as pessoas com deficiências, ela diz que é preciso “começar a pensar que a pessoa vem antes da deficiência. Admire e comente sobre a pessoa e aprenda a se questionar se você falaria a mesma coisa para alguém sem deficiência. O capacitismo é violento, gera gatilhos constantemente”.

E  lança um desafio: “Vamos aprender novas formas de elogiar e incentivar pessoas com deficiências? Evoluir é um processo incessante, que envolve mudança de comportamento constante. ”

Amanda Lyra, uma profissional multidisciplinar

(olho)

“Vamos aprender novas formas de

elogiar e incentivar pessoas

com deficiências?

Amanda Lyra,  criou um projeto social que beneficiou milhares de pessoas com deficiências em Curitiba, ajudou a escrever alguns dos termos do Plano Decenal dos Direitos da Pessoa com Deficiência em Curitiba – que virou um decreto de políticas públicas. Recebeu o Prêmio Cidade de Curitiba, por se destacar nas áreas da arte, musica, produção cultural e comunicação.

Também mobiliza todos os círculos em que entra, em prol da equidade e da representatividade.  Iniciou sua carreira musical ainda criança e aos 16 anos começou a tocar na noite da cidade. Abriu os shows da Luiz Possi, Titãs e Ira!. Também dividiu o palco com nomes como Elba Ramalho e Kleiton e Kledir. Foi a primeira artista cadeirante em vários eventos e festivais em que se apresentou – ocupando os lugares.

Começou a faculdade  de Publicidade e Propaganda aos 30 anos, entrou no mundo corporativo como analista júnior de SEO na i-Cherry, que é uma agência de estratégias digitais que faz parte do grupo global WPP e ganhou 1⁰ lugar no prêmio Great Place To Work como a melhor empresa de médio porte para se trabalhar no Paraná e a Melhor Agência para  se trabalhar no Brasil!

Após seis meses, Amanda encontrou uma oportunidade e conseguiu o apadrinhamento da diretoria para desenvolver um projeto que se transformou em uma nova área da agência.   Em pouco mais de um ano, foi convidada para estar em três eventos internacionais do grupo WPP e se tornou a líder do Comitê de pessoas com deficiências e líder do time de Acessibilidade, onde já abriu o caminho para a contratação da Rafaela, sua assistente, que também é uma jovem com deficiência.

Na parte cultural, ela fez seu primeiro videoclipe, que contou só com PCDs ocupando uma posição de destaque. Como especialista, ela coordenou a equipe de Acessibilidade responsável por esse clipe 100% acessível e pensado para todos os públicos.

A área que a Amanda estruturou está sendo um dos destaques da i-Cherry e ela se destaca por ser uma profissional multidisciplinar muito competente, capacitada e criativa – que mobiliza estruturas físicas e digitais para que todos tenham acesso.