Se o prezado leitor é versado em coisas da política, tenha sempre em mente uma observação: nunca subestime a capacidade do governador Roberto Requião em criar fatos ou factóides.

Assim como é interessante ter presente a constatação de  que, somadas as habilidades de velhos e novos deputados que tomaram  assento no Plenário da Assembléia, alguns até pelo DNA, a soma de esperteza será imensa. Os fatos de agora autorizam esses raciocínios. Onde por exemplo, alguns enxergam rendição do governador à sua ojeriza pelo pedágio, com a idéia de colocar a Copel para disputar novos trechos a serem pedagiados, o que se vê é uma esperta jogada que pode “melar” a licitação a ser feita pelo Dnit. Basta que o consórcio formado pela empresa de energia elétrica paranaense, que também se presta a intervenções em outras áreas,  com a conivência de empreiteira “laranja” que acrescente o now-how exigido pelo edital, apresente um preço inviável a ser cobrado. A eliminação do consórcio pela inexequibilidade econômica, proporcionará uma ação que retardará a concessão dos trechos. Em compensação dará a Requião munição para seus discursos. Assim como aquele da paridade de salário entre professores universitários estaduais com promotores e procuradores, desafio que lançou na “escolinha” de terça-feira com apoio dos reitores de Maringá e Ponta Grossa. Puro jogo para a platéia, na medida em que nem o orçamento estadual comportaria tal nivelamento. A menos que ele se dê por baixo, isto é, reduzindo para o futuro os níveis de vencimentos do MP, com quem hoje trava verdadeira batalha. No mesmo nível, a bomba de efeito retardado lançada na Assembléia, com o surgimento de uma assinatura “fantasma”  no documento que reedita o projeto anti-nepotismo.  Como dito acima, com a soma de espertezas, tudo pode ter ocorrido.

 Discussões…

A chegada do projeto governamental à AL, solicitando autorização para que a Copel monte um consórcio, com o qual se habilitará a disputar os sete trechos que serão pedagiados pelo Dnit, três deles cortando o Paraná, vai dar muita discussão. Deputados da oposição que representam regiões do interior, questionarão a competência do governo, através do DER, de manutenção das estradas estaduais.

 …acirradas

O argumento a ser utilizado: se o DER,m órgão governamental que detém notória especialização, não consegue manter as rodovias estaduais em boas condições, a Copel que não é do ramo, vai fazer o que?

 

Factóide

Além disso, o edital exige além do citado now-how, investimentos pesados nos primeiros quatro anos, antes de se iniciar a fase de ressarcimento financeiro. Terá o governo capacidade financeira para bancar esses investimentos? Parece que o objetivo é mesmo apenas criar um enorme problema para o Dnit.

 Rodovia da…

No primeiro governo de Requião, terminado por Mário Pereira, seu vice à época (Requião afastou-se para disputar o Senado), cansado de esperar pela duplicação da BR-376, responsabilidade do governo federal, o Paraná assumiu a obra com recursos da nacionalização da Telepar e segundo informações da época, com a venda de parte das ações da Copel.

 …morte

Infelizmente, apesar da duplicação a estrada continua fazendo jus ao título de “rodovia da morte” como  era conhecida à época. Especialmente a “curva da Santa”, cujo traçado tem visíveis deficiências técnicas, embora refeita, continua a fazer vítimas.

 Farra das viagens

Deputado Ney Leprevost festejou a aprovação em primeira discussão de seu projeto que obriga à publicação em Diário Oficial das despesas detalhadas de viagens de funcionários comissionados e concursados. “Acaba com a farra das viagens”, avaliou.

  Na prateleira

Igualmente  por enquanto o projeto retirando poderes do Ministério Público regional, fica “stand-by”. Com a decisão do STF, derrubando decisão igual da Assembléia mineira que colocava sob resguardo mais de mil figuras da política daquele estado, o mesmo texto no Paraná não vai prosperar.

 Pivô

O deputado cascavelense Edgar Bueno, candidato a voltar ao cargo de prefeito da importante cidade oestina, que já ocupou, é o pivô de mais uma confusão na Assembléia. Apesar de “nunca ter contratado um parente nos cargos que ocupou”, não é dele a assinatura na emenda anti-nepotismo, garante.

 Tentativa frustrada

Como sem a sua assinatura ( a décima-oitava) a emenda que não interessa ao atual governo não entra em pauta, além do problema criado por suposta falsificação há necessidade do autor Tadeu Veneri (PT) conseguir pelo menos mais uma.

 

Proposta “laranja”

Na legislatura anterior uma jogada do governo inviabilizou o projeto do mesmo autor, apoiada no PT apenas pelo deputado André Vargas. O governador enviou proposta mais abrangente, retirada de pauta tão logo o de Tadeu Veneri foi derrotada.

 Provocação

O assunto vai dar o que falar. Geraldo Cartário, sem partido, que assinou o documento admitiu ter assinado expontaneamente. “Me admira a bancada do PT, um partido que fala em moralidade há 30 anos e que na hora de assinar, cai fora”.

 Em choqueDa jornalista Dora Kramer, analisando a vitória de Renan colocada por alguns de seus seguidores como “derrota da imprensa”. “A questão que se impõe é a seguinte: Trata-se de uma vitória de quem e do quê, da impunidade? Por ora soa apenas, a apologia do crime”.