Simpósio da SAE BRASIL realizado ontem, 3, em São Paulo, tratou de inovação e tendências no setor automotivo.


Diante do atual cenário positivo da indústria automotiva brasileira, com crescimento da ordem de 20% nas vendas em relação a 2006, o Simpósio SAE BRASIL de Tendências e Inovação na Indústria Automotiva avaliou os novos cenários para o setor e os caminhos que levam ao carro do futuro. Os participantes anteciparam uma diminuição no ritmo de crescimento das vendas em 2008, que deve ficar entre 6% e 10%.

Segurança, meio ambiente e maior acesso ao carro foram alguns temas destacados pelos palestrantes, unânimes em assegurar que as oportunidades de crescimento global da indústria estão no Brasil e países como Rússia, Índia e China.

Marcos de Oliveira, presidente da Ford, abrindo o encontro, disse que existem áreas para melhorias que merecem atenção da indústria e também do governo. "Precisamos melhorar a nossa competitividade", frisou ao destacar a desoneração de capital, a reforma tributária e os gargalos logísticos de exportação como pontos pertinentes ao governo no processo. "2007 tem sido muito bom. Queremos que essa tendência continue e temos muito trabalho a fazer".

Letícia Costa, presidente da Booz Allen Hamilton, destacou a necessidade de se fortalecer os tier 2 e 3 na cadeia de suprimentos, como parte de uma estratégia de competitividade. "Eles enfrentam desafios que normalmente não são encontrados em empresas de maior porte", afirmou. Letícia destacou ainda alterações no ranking das montadoras para 2013, com a inclusão de China, Índia e Brasil entre as sete maiores do mundo.

As estratégias na cadeia de suprimentos foram debatidas por Johnny Saldanha, vice-presidente da GM LAAM Global Purchasing and Supply Chain; Moisés Bucci, presidente da TRW Automotive; Vilmar Fistarol, diretor de Compras da Fiat Automóveis e presidente da SAE BRASIL; e José Helio Contador Filho, presidente da Visteon e conselheiro da SAE BRASIL. Os executivos chamaram atenção para a necessidade de se manter o mercado interno aquecido para então pensar em exportação.

Tecnologia – As inovações incorporadas aos novos veículos brasileiros foram tema de debate entre Besaliel Botelho, vice-presidente executivo da Bosch; Gábor Deák, presidente da Delphi; e Silvério Bonfiglioli, presidente da Magneti Marelli Mercosul. O painel apontou tecnologias prestes a se tornarem realidade no mercado, como os sistemas de partida a frio para motores 'flex fuel', novas arquiteturas eletroeletrônicas veiculares e sistemas de segurança ativos e passivos.

"Existem três megatendências mundiais: a redução de emissão de CO2, tecnologias para tornar os veículos mais seguros e a busca pelo veículo de baixo preço", resumiu Botelho, que é vice-presidente da SAE BRASIL.

Christian Pouillaude, vice-presidente comercial da Renault, definiu as estratégias da montadora para o Logan, veículo concebido para internacionalizar a marca no segmento de baixo custo em mercados como o brasileiro: "Um sedã médio, de uso familiar, moderno, confiável e de baixo custo", resumiu. Para ele, existe uma grande oportunidade de vendas de automóveis do gênero no mundo, tendo em vista que 80% da população mundial não tem acesso ao automóvel.

Carlos Cuccioli, diretor de Engenharia da GM; Hau Thai-Tang, diretor de Desenvolvimento de Produto da Ford; Kai Hohmann, gerente executivo de Desenvolvimento de Veículos da Volkswagen; e Leonardo Gaudêncio, executivo de Planejamento Estratégico e Inovações da Diretoria de Produtos da Fiat, participaram do painel Projetos Competitivos para o Mercado Global.

Coordenado por Renato Mastrobuono, diretor de Engenharia da Iveco e diretor da SAE BRASIL, o painel foi marcado pelo debate sobre novos desafios da engenharia no desenvolvimento de produto e na exportação de serviços, que apontou a competência da engenharia brasileira no desenvolvimento de produtos.

Novo DNA – O veículo do futuro foi o tema da palestra de Larry Burns, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Planejamento Estratégico da General Motors Corp. Burns apresentou uma visão das tecnologias que estarão nos carros nos próximos anos: "Somos 98% dependentes do petróleo e precisamos mudar este cenário". Burns antecipou o DNA do veículo do futuro, que contará com motores elétricos, com energia gerada por células a combustível alimentadas a hidrogênio, com sistemas eletroeletrônicos em substituição aos mecânicos e tecnologias de conectividade. "Esses veículos vão excitar e encantar o consumidor", garantiu o vice-presidente da GM Corp.