Diagnóstico precoce beneficia tratamento do paciente, que precisa de apoio da família e da sociedade para enfrentaro problema.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica – de causa ainda desconhecida – que não tem cura. A doença provoca um descontrole interno generalizado, uma vez que atinge as fibras nervosas responsáveis pela transmissão de comando do cérebro a diversas partes do organismo. Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, a doença atinge pessoas jovens, na faixa de 15 a 45 anos, não tendo nenhuma relação com as limitações que surgem com o envelhecimento. Além disso, é raro pessoas da terceira idade desenvolverem a doença.

De acordo com os dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), a doença atinge cerca de 10 pessoas a cada 100 mil habitantes no país. Atualmente, acredita-se que 25 mil brasileiros sejam portadores da doença, que tem maior incidência entre as mulheres – na proporção de duas para cada homem – e pessoas de raça branca.

O neurologista do Acesso Saúde, Dr. Fernando M. G. Matos, explica que a doença ocorre em "surtos", quando o paciente piora e a manifestação dos sintomas é mais freqüente, deixando seqüelas, e em períodos de "remissão", quando os sintomas duram dias ou semanas e em seguida desaparecem.

"A pessoa que tem a esclerose múltipla apresenta fraqueza muscular nas mãos ou pés – ou nos dois ao mesmo tempo. Tem dificuldades para andar, sente o corpo duro e com adormecimentos, prejudicando a sensibilidade. Não consegue andar em linha reta e executar um simples teste de colocar o dedo indicador na ponta do nariz", revela.

Além disso, segundo o neurologista, a esclerose múltipla pode causar depressão e o paciente pode perder a vontade de viver, já que a doença, entre outras conseqüências, compromete a visão e a audição, além das dificuldades de urinar e defecar e, no caso dos homens, pode causar impotência.

Diagnóstico e prevenção

Para diagnosticar a esclerose múltipla, o Dr. Fernando Matos diz que é necessária uma avaliação detalhada do histórico clínico do paciente. "Tudo é importante, especialmente a riqueza de detalhes. Exames complementares são feitos, como a Ressonância Nuclear Magnética do Encéfalo (cérebro) e da coluna vertebral, para avaliação das placas brancas que indicam a desmielinização. Outro exame é a punção lombar para retirada de líquido branco (Líquor Cefalo Raquidiano – LCR) da medula, que serve para pesquisar o aumento de proteínas, ou seja, as gamaglobulinas", explica.

A esclerose múltipla não tem cura, porém existem remédios que diminuem o aparecimento dos sintomas e das seqüelas da doença. Quanto mais cedo ela é diagnosticada, melhor para o paciente. "É muito importante buscar a inclusão social do paciente. Nesses casos, o amor e a persistência, principalmente da família, são fundamentais para que eles enfrentem o dia-a-dia", conclui.