Enxugar a máquina

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Após o governo enviar o texto da reforma administrativa para o Congresso, servidores e associações que representam categorias desses funcionários têm se organizado para fazer frente à iniciativa. O objetivo é barrar ao menos 3 pontos do texto: fim da estabilidade, mudança no regime de contratação e o chamado “vínculo de experiência”, que é uma espécie de estágio probatório.

Associações como a Fonacate (Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado), Anafe (Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais), Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais), FenaPRF (Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais), ADB (Associação dos Diplomatas Brasileiros), entre outras, têm mantido reuniões com membros do governo, congressistas e chegaram até a contratar o escritório de lobby e consultoria política do ex-senador Romero Jucá para auxiliar com o processo.

Segundo o presidente da Fonacate, Rudinei Marques, o governo inicialmente manteve conversas com servidores. Essa interlocução, porém, foi encerrada de forma abrupta e o texto foi lançado sem diálogo.

Delirante

O presidente Jair Bolsonaro disse em discurso na 75ª Assembleia das Nações Unidas (ONU), que o Brasil é “vítima” de uma campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A gestão ambiental do governo brasileiro é um dos principais motivos de críticas que o país recebe da comunidade internacional. Desde o ano passado, entidades, países e personalidades contestam as políticas do Brasil para o meio ambiente. O discurso provocou a reação de entidades e de ambientalistas.

Teste na internet

O TSE vai usar as eleições municipais de novembro para testar mecanismos que, no futuro, poderão permitir votações pela internet, a partir do telefone celular, sem sair de casa. O novo sistema não vai valer para a disputa deste ano, mas é mais uma tentativa da Corte eleitoral para ampliar a participação de eleitores no processo de escolha de seus representantes. O objetivo é também encontrar formas de reduzir custos do processo eleitoral, a exemplo de experiências de outros países.

Rebanho

Cientistas brasileiros estimam que a imunidade de rebanho contra a Covid-19 foi alcançada em Manaus, que pode ter até 66% da sua população infectada pelo Sars-Cov-2. A pesquisa avaliou a presença de anticorpos em mais de 6,3 mil amostras retiradas de bancos de sangue.

Outro guerreiro

O presidente Jair Bolsonaro foi pela sexta vez em menos de dois meses na Região Nordeste, onde tenta consolidar sua popularidade. Em clima de campanha, foi recebido aos gritos de “mito”, provocou aglomerações e parou num bar para jogar sinuca. Na Paraíba, foi aclamado por um bordão utilizado pelos petistas especialmente para José Dirceu e depois, para o próprio Lula: “Bolsonaro, guerreiro / do povo brasileiro”. Numa das viagens, levantou um cachorro no ar retirado do colo de um correligionário. Desde que anunciou estar curado da Covid-19, no fim de julho, ele resolveu ampliar suas viagens pelo Brasil. nesse período, ele passou por oito Estados do Norte e Nordeste, em seis viagens.

Região de Lula

A percepção de que os roteiros nas regiões em que o PT o derrotou nas eleições poderiam aproximá-lo da população veio em junho, depois de uma viagem ao Ceará. Empolgado como foi recebido, foi convencido de que deveria estar, de novo, no meio do povo. A partir daí, determinou a criação de roteiro de viagens, preferivelmente que tivesse inauguração de projetos. Nos discursos a ladainha de sempre: o atentado que sofreu, que nunca “imaginou ser chefe da Nação” e que o principal motivo da viagem era “estar com vocês”.

Lá também

O Federal Reserve dos Estados Unidos, o Fed, similar ao Banco Central, revelou, nesses dias, que um a cada quatro americanos não têm conta bancária ou tem apenas uma conta pagamento. São 82 milhões de desbancarizados nos Estados Unidos.

Lira em campo

O Centrão quer fazer o deputado Arthur Lira presidente da Câmara. Com aval do Planalto está oferecendo cargos no governo nos que votarem nele. O grupo partidário também tem fixado alguns pontos para o mandato de Lira: finalizar a Lava Jato, reduzir o papel do Ministério Público e introduzir carência de quatro a oito anos para magistrado poder se candidatar a cargo eletivo, feito sob encomenda para Sérgio Moro.

Manobra chinesa

A China tem dado sinais de que poderá ampliar o embargo ao frango brasileiro, um dos itens mais importantes da nossa balança comercial (R$ 7 bilhões por ano em divisas). Os chineses insistem falar ter encontrado o novo coronavírus em lotes de produtos recebidos em agosto, na cidade de Shenzeng. O embago atingiria de modo indiscriminado frigoríficos de Santa Catarina, de onde saiu a carga de frangos suspostamente contaminados. As autoridades brasileiras vêm tendo dificuldades de acesso às investigações conduzidas por laboratórios ligados ao governo chinês. Atrás de tudo, a razão do imbróglio é que a China quer impor uma redução no preço dos frangos, como já tentou fazer com a carne bovina.

Convite

Enquanto a ministra Tereza Cristina se vira com os chineses, o chanceler Ernesto Araújo enviou ao novo presidente do BIB, o americano Mauricio Claver Carone, convite para que visite o Brasil até o fim do ano. Um afago em Trump. O chanceler poderia esperar o resultado nas eleições norte-americanas.

Segurança

O Planalto redobrou os cuidados para a visita de Bolsonaro ao Mato Grosso. Havia informações de que ONGs fariam protestos nas cidades de Sinop e Sorriso, onde o presidente participou da inauguração das usinas de etanol de milho. O Chefe do Governo passou longe do Pantanal e de seus mais de 2,5 milhões de hectares destruídos pelos incêndios das últimas semanas. Em Sinop e Sorriso não aconteceu nada, o volume de admiradores de Bolsonaro era muito maior do que esperava.

Homologada

O Rio já tem cinco governadores presos e tem um sexto ameaçado de prisão e agora pode inovar e eleger um prefeito previamente detido, inovando e surpreendendo o mundo. a candidatura de Cristiane Brasil, do PTB presa preventivamente em caso de corrupção, teve sua candidatura homologada pelo Tribunal Regional Eleitoral. O partido insistiu em encarcerar a  filha do dono do partido, Roberto Jefferson, que está de braço dado com Bolsonaro.

Sonho meu

O grande sonho de Bolsonaro era privatizar o Banco do Brasil. Agora, ele tem certeza de que vai ficar mesmo no sonho. O presidente, em sua live semanal, deixou claro que BB, Caixa e Casa da Moeda não serão privatizados “no meu governo”. E mais: “A Casa da Moeda é meu direito, não é interferência. Eu que observei em outros países que privatizaram e depois voltaram atrás”.

Livros em queda

Números de obras novas, de livros vendidos e de livrarias vendidas caiu e o imposto de Paulo Guedes só vai piorar a situação. A número de obras novas vem caindo constantemente, passando de 20.406 em 2011 para 14.639 em 2018, segundo dados da Fipe. Equivale a uma queda de 30%. Países como França e Alemanha, para se ter parâmetros de comparação, publicaram 106.799 e 71.548 obras novas em 2018. Desde 2014, o número de exemplares de livros vendidos caiu 25% passando de 277,4 milhões de exemplares para menos de 210 milhões em 2019, segundo a CBL e do SNEI.

“Eu sou assim?”

Nos anos 60, Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa apresentavam ao vivo, o programa Jovem Guarda, na antiga TV Record, que faz muito sucesso. RC relembrou a época numa conversa com Glória Maria para o Globo Repórter especial sobre aos 70 anos de televisão no Brasil. E recordou que a primeira vez que se viu num programa gravado na TV falou: “Caramba! Eu sou assim? É isso que eu faço, né? Amei, queria ver aquilo outras vezes”.

Olho na renda

Enquanto se discute a reforma tributária: a comparação internacional indica que o país tributa pouco a renda. Segundo dados da Receita, enquanto o Brasil arrecadou 7% do PIB, 34 países da OCDE recolheram 11,4% do PIB em 2017. Os analistas acham que embora não se deva esperar que o Brasil chegue ao patamar dos países ricos, há espaços para explorar melhor esse imposto.

Culpa dele?

O Planalto encomendou uma pesquisa sobre a aprovação do governo Bolsonaro. O objetivo é chegar de imediato o eventual impacto da disparada dos preços dos alimentos sobre a popularidade do presidente. O auxílio emergencial de R$ 300, há 20 dias, permitia comprar 206 quilos de arroz, agora 159 quilos. Se a popularidade cair, Bolsonaro entra em campo com algum fato, supostamente até intervenção nos preços.

Frases

“Vocês não pararam durante a pandemia. Vocês não entraram na conversa mole de “ficar em casa”. Isso é para os fracos.”

Jair Bolsonaro