Dar o primeiro passo para abrir o próprio negócio é prova de empreendedorismo e coragem, haja vista o grau de dificuldade existente.

Armando Correa de Siqueira Neto*

Porém, mais difícil ainda, demonstra ser a sua sustentação com o tempo. Pois, não bastasse um sem número de entraves, some-se ainda a oscilação desequilibrante do mercado. Inesperadas demandas surgem rapidamente e elas exigem respostas à altura. Novas e essenciais transformações devem ocorrer a fim de atender ao apelo de quem determina o sucesso ou o fracasso no universo capitalista: o cliente.O empreendedor deve estar sempre atento aos constantes e diferentes sinais emitidos pelo mercado. Da sua boa sintonia em relação às novas perspectivas é que se torna possível alterar a situação, cedendo espaço a um novo e coerente significado, à medida que exista boa vontade também. Não obstante, cumpre-se lembrar que na base de tais movimentos reside o domínio de conhecimento acerca do negócio.O século vinte e um tem evidenciado claramente o corre-corre ocasionado pelas mudanças e a sua conseqüente necessidade de observação e interferência. Mas, é, em décadas bem anteriores que, para exemplificar na prática a importância de se empreender continuamente, que será utilizada uma interessante experiência de um empresário uruguaio de artigos rurais, de nome Seler Parrado, pai de uma das vítimas sobreviventes do famoso acidente ocorrido nas montanhas geladas dos Andes em 1972.Nando Parrado, seu filho, escreveu: “Caminhões e tratores reduziam rapidamente a dependência dos fazendeiros dos cavalos e mulas, e isso significava uma queda drástica na procura pelas selas e freios de papai. As vendas despencaram. O negócio parecia condenado à falência. Foi então que Seler resolveu fazer uma experiência – limpou metade da loja dos artigos rurais e os substituiu por peças mecânicas básicas: porcas e parafusos, pregos e tarraxas, arames e dobradiças. O negócio começou a prosperar imediatamente”.Destaco: Parece-nos uma operação simples. Não? Perceber a mudança, pensar, intervir e avaliar. E foi exatamente o que Seler fez, ao modificar parte do seu negócio quando decidiu sobreviver. Todavia, retornando à época atual, deve-se questionar: O empreendedor está atento ao mercado? Ele consegue compreender com clareza (em parte que seja) o que o consumidor deseja? Se lhe é possível ter tal visão, considera-se aberto à mudança? Entre a descoberta da necessidade de transformação e a mudança efetiva decorre quanto tempo? É preciso empreender muitas vezes para se manter próspero? Então, que razões justificam a passividade de tanta gente quando se deveria agir de forma ativa a ultrapassar os inevitáveis obstáculos no mundo dos negócios? E, mais diretamente: Você é assim?Aprender e mudar rapidamente parece ser uma saída de mestre, revelando-se uma condição inevitável àquele que pretende persistir ou crescer, disputando palmo a palmo cada espaço possível (e aparentemente impossível). É preciso fazer do empreendedorismo um hábito. Engana-se quem apenas espera que as coisas melhorem naturalmente. É preciso ter fé e tomar as rédeas do negócio nas mãos. 

*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637) e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfcursos@uol.com.br