Em queda livre

211

Preterido por Carlos Alberto Decotelli no Ministério da Educação, Renato Feder teve o nome rifado por causa de sua ligação com o governador de São Paulo, João Doria. O secretário de Educação do Paraná era um dos principais cotados para assumir o MEC, mas cometeu o pecado mortal para os bolsonaristas:  foi um dos maiores doadores da campanha do tucano para a prefeitura de São Paulo em 2016.

Foi a sorte do ex-presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) Carlos Decotelli, que entrou na cota dos militares. Decotelli é oficial da reserva da Marinha e coordenou atividades na Escola de Guerra Naval. Ele participou ativamente do planejamento de governo, durante o período de transição.

Desde que Abraham Weintraub deixou o MEC, após protagonizar o agravamento da crise entre os Poderes, os ministros militares vinham recomendando a Bolsonaro a escolha de um novo ministro com currículo exemplar, capacidade de gestão e bom diálogo. A escolha de Decotelli é uma derrota da ala ideológica, que defendia a manutenção do alinhamento às ideias de Weintraub.

Não há colapso

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), negou hoje que o sistema de saúde de Curitiba esteja em colapso por causa do aumento do número de pessoas contaminadas com o coronavírus, e anunciou a abertura de um novo hospital de campanha na Capital. Greca também anunciou que a cidade deve receber em breve 100 novos respiradores enviados pelo governo federal.

Saiu do sufoco

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio aceitou pedido de habeas corpus do senador Flávio Bolsonaro e concedeu a ele foro especial. Assim, o processo que investiga a prática de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio sairá das mãos do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, e irá para o Órgão Especial do TJ, colegiado formados por 25 desembargadores.

‘Dias melhores’

“Esse entendimento, essa cooperação bem revela o momento que vivemos aqui no Brasil. Eu costumo sempre dizer quando estou com o presidente Toffoli, também com o Alcolumbre, ao Maia que são presidentes da Câmara e do Senado, que nós somos pessoas privilegiadas. O nosso entendimento, sim, em um primeiro momento, é o que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país.” – Jair Bolsonaro

Apagou

O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, divulgou em seu Twitter, ontem, a prorrogação por mais três meses, com redução gradual dos valores, do auxílio emergencial pago durante a pandemia do novo coronavírus, mas posteriormente apagou a postagem.

Tombo

O Banco Central (BC) revisou sua projeção para a economia brasileira em 2020 e passou a projetar uma retração de 6,4% no Produto Interno Bruto (PIB). A previsão consta no relatório de inflação, divulgado nesta quinta-feira (25). A expectativa anterior da instituição, divulgada em março deste ano, era de estabilidade no nível de atividade, ou seja, sem alta nem queda do nível de atividade.

Boa nova

Os operadores de graneis sólidos de exportação do Porto de Paranaguá preveem aumento de 8,5% na movimentação para o 3º trimestre do ano. Nos próximo três meses, de julho a setembro, eles esperam movimentar cerca de 7,6 milhões de toneladas, 600 mil a mais que o exportado no mesmo período, em 2019.

Moro indesejável

A possibilidade de Sergio Moro participar do comício virtual pela democracia organizado pelo Direitos Já rachou o movimento. O convite foi proposto pelo deputado José Nelto (Podemos-GO). A reação de políticos de centro-esquerda foi imediata. O ex-ministro Aldo Rebelo, por exemplo, afirmou: “Avisem quando estiver para acontecer”. Guilherme Boulos diz: “Se ele entrar por uma porta, eu saio por outra”.

Travou

Depois da tramitação acelerada no Senado, a PEC (proposta de emenda à Constituição) do adiamento das eleições municipais entrou em marcha lenta na Câmara, enquanto o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta reunir o apoio de partidos de centro ao texto. Bancadas de partidos como MDB, PP, PL, DEM, Republicanos e PSL estão rachadas sobre o adiamento. Somadas, as legendas têm 216 deputados —de um total de 513 da Casa. Para passar na Câmara, a proposta precisa ser aprovada pelo plenário em dois turnos e obter o apoio de pelo menos três quintos dos deputados (308 votos) em cada votação.

Veio para ficar

Imposto às pressas pela pandemia, o home office veio para ficar nos bancos brasileiros. Há 230 mil funcionários de instituições financeiras trabalhando em casa desde a segunda metade de março – e para uma parcela desse contingente essa será a nova realidade. Já existe a percepção de que, em muitos casos a jornada remota não é apenas econômica como tem sido mais produtiva. No Banco do Brasil, há planos de manter 10 mil funcionários de áreas administrativas em jornadas parcialmente remota. Na crise, 32 mil colaboradores têm atuado remotamente.

Menos imóveis

Ainda o BB: a instituição poderá se desfazer de 15 a 20 imóveis se o plano de home office que banco tem em vista prosperar. O trabalho remoto deve ser incorporado a um conjunto de medidas que o BB já vinha adotando para melhorar a eficiência. O plano é que 30% do contingente de 32 mil funcionários permaneça dessa forma alguns dias por semana. Mas, o Banco do Brasil não deixará de lado a ação presencial para manter a cultura da instituição.

Devoluções

O mercado paulistano de escritórios comerciais de alto padrão passará, no segundo semestre, por um período de devolução de áreas por parte das empresas ocupantes. Mais do que pelo movimento de muitos funcionários já estarem trabalhando em casa, a esperada entre de espaços serão resultado da crise financeira. Surgirá uma nova modalidade de trabalho, com mais home office, o que deve implicar em redução de custos, mas também em aumento da informalidade.

Cassação, não

Com referência à novela de Flávio Bolsonaro, há um certo “espírito de corpo”, no qual os senadores avaliam cassar um mandato como algo muito “delicado” e que pode abrir caminho para que vários outros possam virar alvo. Há também um jogo de forças que a situação impõe. Quanto mais frágil é a situação de Flávio, mais o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) ganha poder de barganha junto ao Planalto. Ele atuou pessoalmente para fazer de Jayme Campos, seu aliado, presidente do Conselho de Ética – uma prática comum na casa. José Sarney e Renan Calheiros fizeram a mesma coisa.

Recusa de comida

Nos primeiros dois dias de cadeia Fabrício Queiroz recusou comida. Recusou café, almoço e jantar. Está preocupado com medo de sua mulher ser presa. Ficou constrangido na hora de tirar a fotografia para registro e não queria usar o uniforme dos presos de Bangu 8. Passou para cela com mais presos e acompanha tudo sobre seu caso pela televisão que fica na biblioteca da unidade. Tirou a barba, não há como conservá-la. Chora e reza – e já está comendo.

Aliviada

Ângela Ro, 70 anos, está mais aliviada depois de ter recebido doações. Ela havia postado na semana passada, que estava passando por dificuldades financeiras e pediu aos seguidores que depositassem “apenas R$ 10” em sua conta bancária. Agora, com apoio da Secretaria de Cultura de São Paulo e da Associação Paulista dos Amigos da Arte deverá fazer duas lives nos dias 11 e 17 de julho. O dinheiro também era para o caseiro e a empregada doméstica que cuidam da casa dela, em Saquarema, na Região dos Lagos, no Rio.

Retrato

Hoje, uma em cada sete pessoas no mundo tem alguma deficiência. Cerca de um bilhão de pessoas vive com algum tipo de deficiência e aproximadamente 70 milhões de pessoas no mundo necessitam de tecnologia assistiva, como cadeira de rodas. Só que apenas de 5% a 15% delas, em média, tem acesso a esse recurso. A acessibilidade facilita a inserção em serviços de saúde, redução de iniquidades, inclusão social, promoção de saúde e redução de injustiças evitáveis. Dados da Bioética, do Conselho Federal de Medicina.

Desemprego

Bares e restaurantes estão fechados no Rio ou sobrevivendo com delivery. Até o momento, cerca de 27.500 funcionários do setor, que emprega indiretamente 500 mil pessoas, já perderam seus empregos, segundo o sindicato da classe.

Guerra  do Paraguai

A pandemia matou um número maior de brasileiros do que o conflito mais sangrento no qual o país se envolveu: a Guerra do Paraguai. Provocada pela ousadia paraguaia de tentar anexar o Rio Grande do Sul, em 1865, a guerra durou cinco anos e matou 50 mil brasileiros. Do lado paraguaio, as baixas foram mais expressivas: 30 mil mortos. Até agora, são mais de 50 mil brasileiros em quatro meses.

Frases

“Não vamos apavorar, maximizar os medos. Vamos por no coração e na cabeça: não existe colapso do sistema de saúde de Curitiba.”

Rafael Greca, prefeito